Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

O que é um time grande?

Por Marcos Siqueira, profissional autônomo (texto publicado originalmente no blog Torcedor Coral)

Quem já teve a oportunidade de participar de competições nos jogos escolares ou universitários, na quadra ou nas arquibancadas, pode sentir o que é dar a alma por um resultado.

Quem já disputou uma simples pelada entre times de bairros, sabe da ansiedade e da adrenalina que rolava nesses momentos.

Hoje, a torcida do Santa Cruz vive um momento de euforia após vencer dois jogos. Um em casa, contra um time do interior do RN, aonde os jogadores vão ao campo a pé ou em suas bicicletas. Outra vitória em Maceió, para uma equipe rebaixada à segunda divisão do campeonato alagoano e formada pela equipe base do Murici Futebol Clube.

A expectativa é que domingo tenhamos 60 mil torcedores apoiando o time no Arruda.

Outro dia, meu filho me perguntou o que é, de fato, um time grande?

Sem medo de errar, comecei a explicar que hoje, diferentemente da época em que o futebol não era assim tão profissional, duas coisas eram fundamentais para um time ser considerado grande: uma torcida numerosa e o direito de participar.

Claro que imediatamente pensamos no nosso Santinha.

A torcida, essa impressionante massa coral, há muito já virou caso de imprensa. E nacional.

Contrariando todas as estatísticas de institutos de pesquisa que parecem não querer enxergar a realidade mais óbvia possível, a torcida do Santa Cruz insiste em se manter com uma das maiores médias de público do Brasil. Sobre esse fenômeno, poderemos falar um pouco mais em comentários futuros.

Já o direito de participar, por mais esdrúxulo que possa parecer, esse não tem nada a ver com o futebol no seu sentido mais romântico de qualidade e amor à camisa.

- “É que agora as coisas são diferentes, meu filho”, comentei com uma pontinha de tristeza. O futebol se tornou um negócio. Business intelligence, como se fala mais ao norte do Ceará.

- E como é isso? Simples. Junte a emissora de TV, os fornecedores de produtos mais importantes, o poder público estabelecido (legal ou ilegalmente) e defina quem deve participar do jogo. Como jogo, entenda-se o campeonato nacional, mantido financeiramente por estas partes. E para participar, aí não tem jeito: ou tem a grana, ou está fora.

Eles fazem o campeonato, dividem o dinheiro, dão alegria às suas torcidas que aumentam em todo o território brasileiro e seguem irradiando a sensação de que tudo se resolve apenas no “bom futebol”.

Até convidam alguns coadjuvantes que brilham por alguns poucos momentos e mantêm a ilusão da democracia da disputa. Esses, entretanto, logo se vêm rebaixados às suas condições de meros expectadores do grande espetáculo e da busca desenfreada do direito de voltar a sentir novamente o gostinho de participar.

Os verdadeiros donos do espetáculo, clubes que conquistaram o direito de assim se apresentar, vez ou outra “passeiam” na segunda divisão. É como se fosse uma pequena penitência por erros cometidos. Mas logo voltam a abraçar o seu verdadeiro grupo, “aquele lugar de onde nunca deveria ter saído”.

E o que é que falta para o Santinha fazer parte do grupo? Não temos a melhor torcida?

Sim. A massa coral realmente impressiona. Acontece que nos últimos 15 anos, o Clube perdeu “representatividade política”. Seus dirigentes bem que se aproveitaram do prestígio da grande torcida. Já o Santinha…

Amigos, se uma diretoria não coloca como prioridade uma articulação forte, intensa, no sentido de modernizar suas estruturas administrativas e agir com força política para pressionar e exigir o seu espaço no cenário onde se decide como se faz futebol no país, o Clube viverá o seu calvário até onde interessar aos grandes tê-lo como adversário apenas para compor.

É assim no âmbito nacional, estadual (já vi campeonatos aqui em Pernambuco que além dos três mais famosos, tinha o Ferroviário, Ibis, Santo Amaro, Paulista, etc.). Onde estão estes clubes agora?

Senhor Presidente, senhores diretores, conselheiros, saiam desse marasmo. Ajam com a honradez com que centenas de milhares de torcedores esperam. Defendam o Santa Cruz. Mobilizem-se para conquistar o espaço que nos é de direito na fatia do bolo do futebol brasileiro.

E domingo temos uma “batalha” com o Guarani, da cidade de Sobral, CE.

Por que estaremos torcendo? Se for pelo caminho da busca do direito de participar (de verdade) da elite do futebol brasileiro, devemos torcer com a raiva de entender que aquele espetáculo do próximo domingo não nos pertence. A briga tem que ser outra, em outros campos de disputa.

Quanto às partidas do futebol que ora nos resta, não é menosprezo a adversários os comentários acima. Sabemos que é o nosso caminho, quem sabe, da volta.

Mas, se não agirmos corretamente, logo mais estaremos fazendo as rifas e cotas para doações das bicicletas aos nossos atletas.

Torço por ti, Santa Cruz!

Cronista coral rema contra a maré de euforismo. Nossos “Seis Trabalhos de Hércules” são outros.

Hércules Bêbado, obra de Peter Paul Rubens (cerca de 1611)

Hércules Bêbado, obra de Peter Paul Rubens (cerca de 1611)

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.

Há tempos não fico tão contrariado com um texto publicado no Blog do Santinha. Fala dos “Seis trabalhos de Hércules” que teremos pela frente. Segundo o Coronel Peçonha, faltam “seis trabalhos” para o Santa Cruz voltar à terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

Segundo ele, são três mata-matas. “Uma Copa do Mundo. A nossa Copa do Mundo”. O primeiro trabalho é domingo, no jogo contra o Guarany de Sobral.

Fui olhar os comentários dos leitores. Empolgação geral. Delírio. Vamos botar 55 mil pessoas no Arruda, ganhar a partida. Vamos ao céu.

Pois eu remo contra essa frágil maré de otimismo. Estamos tapando o sol coral com a peneira. Ilusão. É bom para o ego ver o estádio cheio. O Santa Cruz vive um momento tão dramático, que nos agarramos a qualquer esperança. Uma vitória contra o Guarany de Sobral ser tratada como uma Copa do Mundo é admitir que estamos ficando minúsculos.

Claro que torço para que o Arrudão esteja lotado domingo, mas não acredito que esta será a nossa Copa do Mundo.

Nossos “Seis trabalhos” são outros. Pelo menos para mim.

1. Mobilização de todas as classes sociais, culturais e políticas para que o Santa seja convidado para entrar no Clube dos 13.

Motivos? O presidente mais popular da história do Brasil simplesmente “lembrou” do Santa Cruz na festa do Clube dos 13. Vejamos.

Presidente Lula: “Não entendo como o Santa Cruz pode não estar numa Série A

Publicado em 31 de agosto de 2010, às 21:06

Por Pedro Costa

O Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, foi convidado para uma homenagem no Parque São Jorge, sede do seu time do coração, o Corinthians.

Na solenidade, que serviu para festejar os 100 anos do Timão, Lula recebeu do Clube dos Treze o título de Chanceler Honorário do Futebol Brasileiro e no seu discurso lembrou a força do Tricolor do Arruda no cenário nacional:

“Não consigo entender como clubes tão populares como Bahia e Santa Cruz, não estão disputando a Primeira Divisão do Futebol Brasileiro”.

Vale ressaltar também que o Santa foi lembrado pela entidade, que convidou o Presidente Executivo Fernando Bezerra Coelho para participar da cerimônia. (Este texto foi publicado na CoralNET).

2. Um setor de marketing moderno, atento às mudanças da sociedade, capaz de fazer do Santa Cruz um produto rentável.

Por favor, leiam a matéria do Diário de Pernambuco do último domingo: “Um fenômeno chamado Santa Cruz“. Não sei botar link em matérias. Alguém saberá. Mostra como um grande empreendimento, que é o Santa, não consegue gerar lucros. Os depoimentos da diretoria são constrangedores.

Última frase de um dos textos do Diário, que assino embaixo: “Será que a diretoria tricolor só vai aprender quando o time começar a ser abandonado? Será tarde demais”.

Podem gemer, amigos, mas se não cuidarmos de transformar multidão em dinheiro, uma hora essa massa vai cansar.

3. Fim da cultura do coitadinho e o início do planejamento até o centenário, em 2014.

Nos acostumamos com rifas, campanhas loucas de sócios, que nunca dão em nada.

Que o clube trabalhe com planejamento, estratégias, iniciativas que envolvam torcedores empreendedores, que sabem fazer gestão de negócios, de marketing, de produto.

4. Que o presidente coral, Fernando Bezerra Coelho, fale em nome do clube, exerça alguma espécie de paixão.

Pela primeira vez, em décadas, temos um presidente com um enorme capital político, um sujeito agregador, ponderado e respeitado. Ele pode e deve levar a camisa do Santa Cruz, a causa do Santa, para qualquer lugar esportivo que for convidado.

5. Meta de sócios, não campanhas malucas.

O clube, junto com todos os blogs, sites ligados ao Santa, deve estabelecer metas mensais de sócios em dia, com a contagem diária, pública, visando ter 20 mil, 30 mil, 40 mil sócios, em três meses, independentemente de resultados.

6. Faixa sobre o Clube dos 13 no jogo do domingo

Se alguém quer pressionar o Clube dos 13, deve providenciar, urgentemente, no jogo do próximo domingo, uma grande, imensa faixa, com os dizeres “Santa é Clube dos 13″ ou “Clube dos 13 já!

Somente a massa coral, sem um recado para a mídia nacional, será uma oportunidade perdida.

Perdão, Coronel Peçonha, mas nunca vi Hércules trabalhar tanto em vão, se formos botar toda a nossa atenção, todo o nosso foco, nos seis jogos da Série, esquecendo o grande capital político e humano que é o Santa Cruz e sua torcida, e, principalmente, nossas oportunidades perdidas ao longo dos últimos anos.

O Santa também é minha pátria.

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Os “seis” trabalhos de Hércules

Mosaico Trabalhos de Hércules, Museu Arqueológico Nacional da Espanha, Madri. http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mosaico_Trabajos_H%C3%A9rcules_(M.A.N._Madrid)_01.jpg

Por Coronel Peçonha
Todo mundo já escutou, pelo menos de longe, sobre os “doze trabalhos de Hércules”, que o fortão grego teve de realizar para o rei Euristeu, em penitência. Bom, não precisamos de gente tão forte, nem de tanto trabalho. Faltam 06 (seis) trabalhos para o Santa Cruz voltar à Terceira Divisão e é esse o número que vamos anotar.

Sim, a Quarta Divisão tem seis fases, com mata-mata (ida e volta) a partir da segunda fase e quem passar vivo pela 4ª fase já estará garantido na Terceirona 2011. As demais duas fases são para saber quem disputar o título, mas todos já terão conseguido o acesso, um luxo que não é permitido sonhar agora, principalmente com o nosso começo cheio de percalços.

Pois bem, a diretoria, a comissão técnica e os jogadores devem visualizar isso: temos seis jogos até a Terceira Divisão, maior sonho deste ano dos santacruzenses, o resto venha como acréscimo.

Cada partida deve ser vista como um dos trabalhos de Hércules, que incluíam matar um gigante, animais (como um tal de um leão de não sei da onde, que foi o primeiro trabalho, até por ser o mais fácil, penso eu) e capturar outras tantas esquisitices. Cada partida, cada minuto, deve ser visto como um trabalho a ser cumprido e somente se a missão for cumprida em sua totalidade é que o esforço valerá.

O “primeiro trabalho” será domingo, com expectativa de 60 mil torcedores, mostrando ao guarani cearense o que é uma torcida e, mais importante, o que é o Santa Cruz Futebol Clube. Ainda me lembro que em 1999, o todo bom e sempre frio (por não ter compromisso com a sua torcida, quase inexistente) são Caetano tremeu dentro do Arruda. Foi a força hercúlea da nossa torcida e que ela se repita nos futuros jogos.

Raimundo Queiroz, nosso diretor remunerado, lançou o desafio ontem, pois até agora não colocamos oficialmente mais que 35 mil, se não me engano. EXCELENTE DESAFIO e nós o aceitamos, com muita alegria e certeza de que ganharemos no campo e no número de torcedores. Com respeito ao adversário, mas com a certeza de que no ano que vem estaremos na Terceira Divisão.

São três mata-matas que nos esperam. Uma copa do mundo. A nossa copa do mundo.

O Santa Cruz é minha pátria.

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Só estádio cheio não salva. É Clube dos 13 já!

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.

Amigos corais, tenho visto a empolgação da torcida, a promessa de 60 mil pessoas no Arrudão, no primeiro jogo do mata-mata. Há uma energia imensa, contagiante, não tenho a menor dúvida que vamos entupir nosso estádio.

Mas, conversando com alguns amigos que gostam de pensar o Santa (e não apenas torcer), fui alertado para um tema pouco explorado. Estamos caindo na esparrela de que o dinheiro de renda de estádio sustenta um clube de futebol da envergadura do Santa Cruz.

Pelo que sei, os clubes que conseguem se manter com bons jogadores têm três pilares – um belo quadro de sócios, direitos de transmissão para a TV e as receitas de marketing, especialmente os patrocínios.

Então acende o meu sinal vermelho. Creio que estamos num mato sem cachorro.

Primeiro, porque a questão dos sócios é uma doença crônica no clube. Ganha uma camisa nova da Pênaly, a azul, quem disser quantos sócios o Santa Cruz tem hoje, 28 de agosto de 2010. Não precisa ser nem a dos sócios em dia, que é querer demais. Só o número de sócios. Tenho pena das longas filas em dias de jogos. É um sinal claro da incompetência da gestão. Aliás, das gestões.

Segundo, porque estamos na Série D, e nesta categoria futebolística, não tem transmissão. Se passarmos para a Série C, amargaremos 2011 sem cota. Teríamos, em 2012, direito à cota da Série B, se tudo funcionar bem.

Os direitos do Campeonato Pernambucano, estimados em R$ 400 mil, já foram antecipados até 2014. Ganha um doce quem se lembrar quem recebeu os direitos, e se ficou registrado, até em um caderno espiral, o que foi feito com o dinheiro.

As receitas de marketing e patrocínio eu não sei. Sei que temos uma loja na sede do clube, que vende bem em dias de jogos, mas sei que os adversários têm lojinhas em vários shoppings da cidade.

Todo o funcionamento de qualquer clube razoavelmente organizado segue um planejamento. Em nosso dramático caso, é o seguinte. Vai entrar um bom dinheiro no domingo, com o Arrudão cheio. Na segunda, haverá um planejamento para os pagamentos emergenciais, cobrir buracos, e acabou.

Tem também o dinheiro da transferência de jogadores, mas não preciso nem dizer que estamos sem ter muito o que oferecer ao cenário nacional, com excessão de Léo.

Pois não há Santa Cruz que aguente, amigos. Lamento informar: Só estádio cheio não vai nos salvar nunca.

O mato e o cachorro – Como não sou de ficar somente me lamuriando, penso sempre que devemos nos antecipar ao que vem de ruim, seja na vida, seja no futebol, creio que todos os tricolores, do mais pobre ao milionário, devem dar as mãos, fazer pressão, organizar um grande movimento para incluir o Santa Cruz no Clube dos 13. Falo de uma ação articulada de blogs, políticos de todos os partidos, torcidas organizadas e desorganizadas, artistas, para uma pressão sem precedentes na história futebolística deste país.

“Eu mereço estar no Clube dos 13″.

É Clube dos 13 já!

Para ontem.

Não é querer, é merecer. É poder estar. É usar o capital político e simbólico de um clube de massas, capaz de estar na mídia nacional a cada duas semanas, por conta da força de sua torcida. É usar estratégias de comunicação, inteligência, energia. Sei que consigo reunir fácil um grupo de grandes jornalista, todos amigos, para turbinar uma campanha, botar anúncio até em jornal do sul, nas redes de TV, rádios. Chamar grandes ídolos do passado, pegar depoimentos, convocar outros craques que sempre reverenciam o Santa. Outro dia, no Globo Esporte, o Júnior, ex-Flamengo, parecia um menino torcedor do Santa. Júnior, Cerezo, Falcão, Muricy Ramalho. Todos, tenho certeza, vão apoiar uma causa desse tipo.

Em 2010, sabem quanto Corinthians, Palmeiras, Flamengo, São Paulo e Vasco vão faturar, graças ao Clube dos 13?

R$ 21 milhões cada um (contrato de direitos da TV)

Qem vai ganhar “apenas” R$ 11 milhões (coitados): Atlético-MG, Goiás, Guarani e Vitória.

Aqui ao nosso lado, a coisa começa o ano com R$ 5,5 milhões. Com um caixa desse para começar o ano, a luta futebolística fica absolutamente desigual.

Quantos Arrudas cheios nós precisaríamos  para juntar R$ 5,5 milhões? Algum matemático aí consegue fazer o cálculo?

Sim, iremos encher o Arrudão domingo. Mas creio que temos uma chance ímpar de mostrar a força da torcida não somente dentro do estádio.

Ou conseguimos pressionar a diretoria (um sujeito da importância política de um Fernando Bezerra Coelho poderia ser um dos responsáveis por essa luta), e fazemos um grande movimento cívico-futebolístico, mudando essa cultura dos trocadinhos, ou brevemente estaremos sem mato e sem cachorro.

Nota: http://clubedostreze.globo.com/pt/contato
clube13@clube13.com.br

Já viram “Um sonho de Liberdade” onde o ator principal envia uma carta por semana para o Congresso pedindo a construção de uma biblioteca?
Vamos criar o costume então de estar sempre enchendo o saco. E sem precisar sair de casa!

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