Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Blog do Santinha na Livraria Cultura

Direto da Redação:

Os editores do Blog do Santinha, excelentíssimos senhores Inácio França e Samarone Lima, vão estar às 19h de hoje no auditório Livraria Cultura para debater a relação entre futebol, literatura e identidade. O papo terá a presença dos escritores e jornalistas Homero Fonseca (tricolor), Paulo Santos (time ainda não identificado) e do poeta Wellington Melo, que irá fazer a mediação. A conversa faz parte do aquecimento para a Bienal do Livro do Pernambuco e também vai servir como preparação para o lançamento da trilogia com as crônicas do blog.

A entrada é franca.

Bocas encarnadas

 

Aviso ao navegantes:  O texto abaixo tem cenas de sexo explícito. É impróprio para crianças e puritanos.

 

Por Gerrá da Zabumba

O dia na repartição foi uma babaquice só. Já comprou o presente? Tem um lugar ótimo para jantar. Rosas. Homem gosta de ganhar meias.

Solteirão convicto, Stanislau fez piadas com tudo aquilo. Há mais de dois anos que o tricolor não tem namorada. Uma buceta aqui, outra acolá, e ele encontrou a felicidade.

Ainda no carro, deslizou o dedo sobre a tela do celular e abriu a agenda de contatos.

Buscou o nome Morena. Era esquema antigo. Foi namorada do tempo de faculdade e até hoje ele dava uma assistência. Morena era chata pra caramba. Mas na cama, se transformava numa puta de primeira categoria.

Telefone fora de área, deixe o seu recado.

Chegou em casa. Sacudiu a camisa no sofá. Procurou outro contato. Letra C… Chuchuca.

Escrotinha, aquela menina. Um papo que não era mulher de namorar sério, mas queria o privilégio de trepar nos sábados à noite. Depois de um tempo, começou a marcar encontros na sexta-feira também. Chupava que era uma beleza.

Este número não existe.

O tricolor tomou um banho. Esquentou uma gororoba no microondas. Abriu uma long-neck. E foi ver o jornal.

Lembrou de Natália. Uma magra que adorava sexo anal. Era gata. Olhos claros, boca carnuda. Se conheceram na festa de batizado do seu sobrinho. Passaram uns três meses juntos. Certa vez , em Serrambi, fizeram sexo dentro do mar.

“Vai puta, atende”.

Nada. Nem retornou a ligação.

Pensou em telefonar para Leidinha. Mas ali só saía peitinho e beijo de boca. No máximo uma punheta. Boquete, nem pensar. Ela dizia que aquilo era nojento.

Tem umas meninas que são assim. Loucas quando estão sarrando. Mas não passam disso. Leidinha era desse tipo. Chegou ao absurdo de topar ir para um motel e não quis transar. Se Stanislau não fosse um cara da paz, aquele dia teria se acabado numa merda.

Ninguém atendia as ligações. Mas o tricolor não tinha mais idade pra se aperrear com essa tabacudice de dia dos namorados. Sem afobamento, vestiu uma camisa do Santa Cruz e foi para o bar de sempre. O Empório Sertanejo.

Ali, ele estava em casa.

Sentou-se. Acenou para um companheiro que estava tomando uma no balcão. Chamou o garçon, que já foi trazendo uma dose dupla de Cavalo Branco.

— E o Santa?

— Tá mais vivo do que nunca! – respondeu Stanislau

– Traz o velho caldinho!

Na trilha sonora só dava o rei.

“Nesse corpo meigo e tão pequeno/há uma espécie de veneno…”

A segunda dose dupla veio acompanhada com um recado.

— Tricolor, aquela madame ali pediu pra tu olhar pra ela.

Stanislau levantou a vista. A moça fez carinha de “me come”, apontou o dedinho pra ela e depois para mesa dele. Levantou sem cerimônia, não esqueceu sua caipiroska e sentou sem pedir licença. Disse apenas “oiiiii!”

Riram à toa. Conversaram amenidades. Meteram o pau em Santo Antônio. Beberam. Cantaram Amada Amante, do rei Roberto. Se lambuzaram de beijos.

Uma mulher sem frescuras. Disse o motel que queria ir. Não perguntou idade. Nem quis saber de estado civil. Exigiu apenas caipirosca e o uso de camisinha. Mas na hora da chupada, fez questão que o tricolor gozasse na boca dela.

Ela mesma abriu a porta do quarto. Enquanto foi tomar banho e voltou somente de calcinha e blusinha preta. Derramou caipirosca no corpo e pediu um banho de gato.

Tinha a xoxota toda raspadinha e uma tatuagem no pé.

Levantou rapidamente. Puxou Stanislau para dançar. Ficou de costa e deram a primeira trepada, na posição cachorrinho de pé.

Daí pra frente, uma noite inesquecível.

Hoje de manhã, o velho Stanislau acordou e viu um bilhetinho.

“Adorei meu dia dos namorados. A gente se encontra”.

Em cima da mesa, a camisa do Santa Cruz repousava toda marcada com bocas de batom. Bocas encarnadas.

World Cup? No. Santa Cruz Brazilian Club (The Guardian, UK)

Saiu ontem esta matéria sobre a Copa do Mundo no jornal inglês The Guardian. Quer dizer, o cara só falou mesmo foi do Santa Cruz.

**

A year until the 2014 World Cup begins and Brazil’s unease is growing

Across the host nation’s heartlands there is little love for tournament due to high ticket prices and low politics

In the heart of Recife, a stadium pulsates with the cheers, chants and boos of more than 50,000 fans in belligerent, festive mood. Most are in their team colours, filling the ground with black, white and red, but a handful wear fancy dress: there’s an Elvis, Jesus, Superman, Centurion and Cobra (complete with giant plastic snake) adding to the carnival atmosphere already created by the batéria drummers and the pre-match barbecues and copious bottles of Skol.

The football is not bad either, with occasional touches of skill that would not be out of place at the highest level. Yet this is the home of Santa Cruz, a Serie C (third-division) Brazilian club from the north-east who claim the most devoted fans in the country, perhaps even the world. More often than not, this lowly team draw more fans than giants like Flamengo, Botafogo or Fluminense. For big derbies, attendances often outstrip those of Stamford Bridge or the Etihad.

But it is also in this heartland of Brazilian and world football that you can feel the greatest unease about the changes being wrought before next year’s World Cup finals. Violence, corruption, gentrification and the poor form of the national team have eroded confidence in Brazilian football, which is undergoing a painfully accelerated transition as a result of next year’s tournament. Attendances are down, violence is rampant, and the Brazilian Football Confederation (CBF) is fending off allegations of corruption, secrecy and mismanagement of the preparations for 2014.

Recife will host five World Cup games at a new £180m stadium being built in the suburbs. It should help to develop one of the poorest areas in Brazil. But many inner-city fans feel distant – geographically, financially and culturally.

“I can’t afford a ticket. I’m poor. I live among the poor. I don’t know anyone who is going to a World Cup game,” said Santa Cruz’s most famous fan, Bacalhau, who has worn nothing but his team’s colours for 38 years and had all his teeth extracted and replaced with tri-coloured dentures.

“I’m not really interested in the national team,” complains another fan, Jesus Tricolor, who has been coming to games for 12 years dressed as the Messiah. “At the top level it is too corrupt so I have given up on them. Now football is all about money. The World Cup contributes nothing to society. It’s just for the elite.”

Fans in all countries love to grumble, but disappointment and suspicion about the way football is run in Brazil threatens to diminish what ought to be the best tournament in history. Over the past half century, Brazil has defined world football. In terms of success, style and fun, it has set the benchmarks that other nations have followed. We expect it to be the best and most passionately supported.

“England likes to say it is the home of football because it wrote down the rules, but the passion is here in Brazil. This is as good as it gets,” said Walter de Gregorie, FIFA communications director.

That may once have been true, but at the moment it is anything but. Clubs like Santa Cruz are becoming an exception. In the Serie A, the average attendance plunged to 13,196 in 2012, down by 13.6% on the previous year. Japan’s J League and Major League Soccer now attract higher crowds. Banks of empty seats are now the norm to the shock of many newcomers. “One thing that surprised me here in Brazil was how few people go to the stadium,” the former Holland midfielder Clarence Seedorf said after moving to Botafogo last year.

The main reason is violence, which is starting to define the stadium experience just as it did in England in the 1970s and ’80s.

Before the 2002 World Cup, the British embassy in Tokyo organised public talks to ease Japanese fears about English football hooligans. In Brazil, such an operation would be redundant because violence in stadiums here is far deadlier than anything in the UK.

Largely as a result of clashes between armed organizadas (supporters groups), there have been more than 150 killings in football since 1988. At Santa Cruz a fan was shot three months ago and fell into a coma. By one estimate, the death count in Brazil is now the highest in the world.

As in the UK, the authorities are trying to push the game upmarket to draw in more revenue and squeeze out unruly elements. Ticket prices have risen sharply, stadiums are being modernised and TV-rights sales are surging as more people watch pay-per-view TV rather than go to the ground. Yet clubs are deeply indebted and the best players continue to move to Europe, as the national team’s biggest star, Neymar, has just done with a transfer to Barcelona.

“Brazilian clubs have never had so much money,” said Tostão, a World Cup winner in 1970, told the Guardian. “But they also have never spent as much – far more than they receive. The management of Brazilian football lacks proficiency and seriousness.”

Like many, Tostão blames the CBF. Long associated with nepotism and corruption, growing evidence of incompetence has made this organisation one of the most reviled institutions in the country. For decades it was headed by Ricardo Teixeira (the son-in-law of former Fifa kingpin João Havelange) but he was forced to resign last year amid a bribery scandal. His successor, José Maria Marin, who is accused of collaborating with the dictatorship that ruled the country until 1985, is thought to be under Teixeira’s influence. Marin declined requests for an interview and the CBF has not responded to the Guardian’s request for a comment.

The government has made little secret of its frustration with the CBF. (President Dilma Rousseff, who was tortured during the dictatorship era, is said to be very reluctant to share a public stage with Marin).

“There is little the government can do to interfere with an independent, private organisation like the CBF, but it supports the “professionalisation” of Brazilian football clubs, which means higher standards of transparency, accountability and due process,” said Luis Fernandes, vice minister for sport. The former Brazil striker Romario has started a petition calling for Marin to stand down.

All might be forgiven if the national team were playing like world beaters, but the current squad is arguably the weakest in 60 years after the constant chopping and changing of players and manager. The five-time world champions have won only two of their six games since Luiz Felipe Scolari replaced Mano Menezes as coach in November and last week, Brazil slipped to a historic low of 22 in Fifa’s rankings, below Ecuador, Bosnia-Herzegovinia and Ghana. Impatient supporters have booed the team off the pitch.

The public are desperate for the hosts to win next year and shake off the ghost of the last World Cup here in 1950 (when Brazil lost to Uruguay in the final), but it is hard to find anyone who believes that is possible. “The group of players we have now look unlikely to win the World Cup, even with home support,” said the legendary Zico. “We are a year from the World Cup and still don’t know who the first XI is. The Brazil team is still very young. A whole new generation came in at once. So now you get all the responsibility on a player like Neymar, who is only 21 and has never even played in a World Cup qualifier before. We need some players who have been there and done that so the spotlight is on them rather than the young, up and coming players.”

The team’s struggles have not stopped the authorities in Recife from hoping 2014 can prove positive and mark a turn away from football’s descent into violence, debt and scandal. Ricardo Leita, the head of the local organising committee said the city’s first all-seater stadium can help improve behaviour. “After the World Cup, we think the fans might change,” he said. “We hope they will be different – calmer and less aggressive. That’s our goal – to make football more civilised.” But he acknowledges something essential will also be lost: “The supporters will be different. There won’t be the same passion as you can see at a game between Santa Cruz and coisa* [another local side].”

The concern at Santa Cruz, who were the first club in Brazil to accept black players, is that the core support may be left behind and the inequality that this tournament is supposed to address might grow worse. “More than 100 years after the abolition of slavery, I see the World Cup as a means of integrating society. It is training people to raise standards. Brazil will show its best side to the world,” said Sylvio Ferreira, a former player-turned-psychology professor who heads the Santa Cruz advisory council.

“But it is also true that the World Cup is not for the lower class, it is for the middle class. That is the global trend. It’s very cruel.”

* The Blog do Santinha dont wright the name of de other local club.

Tradução

 

http://www.guardian.co.uk/football/blog/2013/jun/11/world-cup-2014-brazil-host

Tradução livre, com ajuda do Dr.google. O que está em negrito não entendemos.

No coração do Recife, um estádio vibra com os aplausos, cânticos e vaias de mais de 50 mil fãs no beligerante, clima festivo. A maioria está em suas cores do time, enchendo o chão com preto, branco e vermelho, mas um punhado usar fantasia: há um Elvis, Jesus, Superman, Centurion e Cobra (com cobra gigante de plástico), contribuindo para a atmosfera de carnaval já criado por os bateristas Bateria e churrascos o pré-jogo e garrafas copiosas de Skol.

O futebol não é ruim, com toques ocasionais de habilidade que não estaria fora de lugar ao mais alto nível. No entanto, esta é a casa do Santa Cruz, a Série C (terceira divisão) clube brasileiro do Nordeste que reivindicam os fãs mais devotos no país, talvez até do mundo. Mais frequentemente do que não, esta equipe humilde atrair mais fãs do que gigantes como Flamengo, Botafogo ou Fluminense. Para grandes derbies, atendimentos muitas vezes superam os de Stamford Bridge ou a Etihad.

Mas é também nesta região central do futebol brasileiro e do mundo que você pode sentir a maior inquietação sobre as mudanças que estão sendo operadas antes de finais do próximo ano da Copa do Mundo. Violência, corrupção, gentrificação e os pobres forma de seleção corroeram a confiança no futebol brasileiro, que está passando por uma transição dolorosa acelerada como resultado da competição do próximo ano. Atendimentos são para baixo, a violência é crescente, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está rechaçando acusações de corrupção, o sigilo e a má gestão dos preparativos para 2014.

Recife receberá cinco jogos da Copa do Mundo em um novo estádio £ 180 m sendo construída nos subúrbios. Ele deve ajudar a desenvolver uma das áreas mais pobres do Brasil. Mas muitos fãs do centro da cidade se sentem distantes – geograficamente, economicamente e culturalmente.

“Eu não posso pagar um bilhete. Eu sou pobre. Que viver entre os pobres. Eu não sei quem vai a um jogo de Copa do Mundo”, disse o fã mais famoso de Santa Cruz, Bacalhau, que usou nada, mas cores de sua equipe por 38 anos e teve todos os dentes extraídos e substituídos por próteses tri-coloridas.

“Eu não estou realmente interessado na seleção”, reclama outro fã, Jesus Tricolor, que tem vindo a jogos por 12 anos vestidas como o Messias. “No nível superior é muito corrupto, então eu dei em cima deles. Agora o futebol é tudo sobre dinheiro. A Copa do Mundo não contribui em nada para a sociedade. É apenas para a elite.”

Fãs de todos os países gostam de reclamar, mas a decepção e desconfiança sobre a maneira como o futebol é executado no Brasil corre o risco de diminuir o que deveria ser o melhor torneio da história. Metade do século passado, o Brasil definiu futebol mundial. Em termos de sucesso, estilo e diversão, que fixou os valores de referência que outras nações têm seguido. Esperamos que ele seja o melhor e mais apaixonadamente suportado.

“A Inglaterra gosta de dizer que é a casa do futebol, pois escreveu as regras, mas a paixão é aqui no Brasil. Isto é tão bom quanto ele ganha”, disse Walter de Gregorie, diretor de comunicações da FIFA.

Uma vez que pode ter sido verdade, mas no momento ele não é nada. Clubes como Santa Cruz estão se tornando uma exceção. Na Serie A, a média de público caiu para 13.196 em 2012, uma queda de 13,6% em relação ao ano anterior. Do Japão J League e da Major League Soccer agora atrair multidões maiores. Bancos de lugares vazios são agora a norma para o choque de muitos recém-chegados. “Uma coisa que me surpreendeu aqui no Brasil era como algumas pessoas ir ao estádio”, disse o ex-meio-campista Clarence Seedorf Holanda disse depois de se mudar para o Botafogo no ano passado.

O principal motivo é a violência, que está começando a definir a experiência estádio tal como aconteceu na Inglaterra na década de 1970 e 80.

Antes da Copa do Mundo de 2002, a embaixada britânica em Tóquio organizou palestras públicas para amenizar os temores japoneses sobre hooligans do futebol inglês. No Brasil, tal operação seria redundante porque a violência nos estádios aqui é muito mais mortal do que qualquer coisa no Reino Unido.

Grande parte como resultado de confrontos entre grupos armados (organizadas simpatizantes), houve mais de 150 mortes no futebol desde 1988. Em Santa Cruz um fã foi morto há três meses e entrou em coma. Por uma estimativa, a contagem de morte no Brasil é hoje a maior do mundo.

Como no Reino Unido, as autoridades estão tentando empurrar o jogo de luxo para atrair mais receita e esprema elementos indisciplinados. Os preços dos ingressos subiram acentuadamente, os estádios estão sendo modernizados e venda de direitos de TV estão surgindo à medida que mais pessoas assistem pay-per-view, em vez de ir para o chão. No entanto, os clubes estão profundamente endividados e os melhores jogadores continuam a mover-se para a Europa, como a maior estrela da equipe nacional, Neymar, tem feito apenas com uma transferência para o Barcelona.

“Clubes brasileiros nunca tiveram tanto dinheiro”, disse Tostão, vencedor da Copa do Mundo em 1970, disse ao Guardian. “Mas eles também nunca gastou tanto – muito mais do que recebem. A gestão do futebol brasileiro carece de competência e seriedade.”.

Como muitos, Tostão culpa a CBF. Muito tempo associada com o nepotismo e corrupção, cada vez mais provas de incompetência fez com que esta organização uma das instituições mais odiadas do país. Durante décadas foi liderado por Ricardo Teixeira (o filho-de-lei do ex-chefão da Fifa, João Havelange), mas ele foi forçado a renunciar no ano passado em meio a um escândalo de corrupção. Seu sucessor, José Maria Marin, que é acusado de colaborar com a ditadura que governou o país até 1985, é considerado sob a influência de Teixeira. Marin se recusou pedidos de entrevista e a CBF não respondeu ao pedido do Guardian para um comentário.

O governo tem feito segredo de sua frustração com a CBF. (Presidente Dilma Rousseff, que foi torturada durante a época da ditadura, é dito ser muito relutantes em dividir o palco com o público Marin).

“Há pouco que o governo pode fazer para interferir, uma organização privada e independente como a CBF, mas ele suporta a” profissionalização” dos clubes de futebol brasileiros, o que significa mais elevados padrões de transparência, prestação de contas e ao devido processo”, disse Luis Fernandes, vice Ministro do Desporto. O ex-atacante Romário Brasil iniciou uma petição pedindo Marin para ficar para baixo. (?)

Tudo pode ser perdoado se a seleção estivesse jogando como campeões mundiais, mas o elenco atual é sem dúvida o mais fraco em 60 anos após a constante cortando e mudando de jogadores e gerente. Os campeões do mundo cinco vezes venceram apenas dois de seus jogos de seis desde que Luiz Felipe Scolari substituiu Mano Menezes como técnico em novembro e, na semana passada, o Brasil caiu para um mínimo histórico de 22 no ranking da FIFA, abaixo do Equador, a Bósnia-Herzegovinia e Gana. Impacientes torcedores têm vaiado o time fora de campo.

O público está desesperado para os anfitriões para ganhar no próximo ano e sacudir o fantasma da última Copa do Mundo aqui em 1950 (quando o Brasil perdeu para o Uruguai na final), mas é difícil encontrar alguém que acredita que é possível. “O grupo de jogadores que temos agora olhar improvável que ganhar a Copa do Mundo, mesmo com apoio domiciliário”, disse o lendário Zico. “Estamos a um ano da Copa do Mundo e ainda não sei quem é o primeiro XI. A equipe Brasil ainda é muito jovem. Uma nova geração veio de uma vez. Então, agora você tem toda a responsabilidade sobre um jogador como Neymar , que tem apenas 21 anos e nunca sequer jogou nas eliminatórias da Copa do Mundo antes. Precisamos de alguns jogadores que estiveram lá e fizeram isso de modo que o foco está sobre eles, em vez de os jovens, para cima e próximos jogadores. ”

Lutas da equipe não pararam as autoridades em Recife a partir de 2014 na esperança pode revelar positivo e marcar uma volta longe de descida de futebol em violência, da dívida e do escândalo. Ricardo Leitão, o chefe do comitê organizador local, disse o primeiro estádio de todos os lugares da cidade podem ajudar a melhorar o comportamento. “Depois da Copa do Mundo, nós pensamos que os fãs podem mudar”, disse ele. “Esperamos que eles vai ser diferente. Mais calmo e menos agressivo Esse é o nosso objetivo – para fazer do futebol mais civilizado.” Mas ele reconhece algo essencial também será perdido. “Os torcedores será diferente. Não vai ser a mesma paixão que você pode ver em um jogo entre Santa Cruz e Esporte [outro lado do local].”

A preocupação em Santa Cruz, que foi o primeiro clube no Brasil a aceitar jogadores negros, é que o apoio do núcleo pode ser deixado para trás e as desigualdades que este torneio é suposto dirigir pode piorar. “Mais de 100 anos após a abolição da escravatura, vejo a Copa do Mundo como uma forma de integrar a sociedade. Ele está treinando pessoas para elevar os padrões. Brasil vai mostrar o seu melhor lado para o mundo”, disse Sylvio Ferreira, um ex-jogador professora virou psicologia que dirige o conselho consultivo Santa Cruz.

“Mas também é verdade que a Copa do Mundo não é para a classe mais baixa, que é para a classe média. Essa é a tendência mundial. É muito cruel.”

Da série ‘Diálogos imaginários’

por Inácio França

Estávamos ao deus-dará, jogando conversa fora, falando das coisas da vida, mulher, filhos, aniversários, doença de um tio querido, TV a cabo, coisas de família, enfim. Nem aí para futebol. Ou fingindo que não estávamos nem aí.

Foi quando apareceu Sandro. Estacionou o carro, deixou o vidro aberto, acho até que esqueceu a chave na ignição. Tava pra baixo o novo aprendiz de treinador do Centro de Formação de Técnicos de Futebol José do Rego Maciel. Sentou na mesa mais afastada. Talvez esperasse o engarrafamento amainar para pegar a reta da estrada de Aldeia, talvez quisesse pensar na vida.

Às vezes até o mais bravo zagueiro precisa de solidão. Infelizmente, Samarone não estava lá muito interessado nas necessidades mais básicas do ser humano. Na volta do banheiro, sempre com o copo na mão, sentou-se à mesa com o ex-zagueiro na maior cara de pau. Apresentou-se, falou do blog, Sandro riu e lascou-se. Sama chamou todo mundo pra mesa.

O pior é que nós fomos.

Não foi um papo. O sujeito ficou na berlinda e aceitou isso numa boa, a verdade seja dita. Dissemos o que precisava ser dito.

- Procuramos explicações e não achamos.

- Ôxe miseráve, se tu não acha explicação depois que o jogo acaba, imagine na quentura da bola rolando? E no calor que tu tem que tomar a decisão, rapá. Ou tu vai fazer substituição depois que voltar pro hotel? Assim não adianta nada, porra – esse foi Gerrá, mal humorado. Derrotado e mal dormido por causa da dor de ouvido de uma das pirralhas dele.

- Sandro, meu caro, se você não tem explicação, não diga para a imprensa que não tem. Assuma a culpa e pronto, acabou. Fica elegante, é mais honesto – eu e minha mania de tentar segurar a conversa numa temperatura segura para todos. Tive medo que o careca saísse da mesa arretado da vida.

- O time lá atrás porra. E tu não fizesse nada. Nada. Tava na cara que a gente ia levar gol. Foi assim contra o Fortaleza . Não lembro se foi Laércio ou o ressuscitado Coronel Peçonha quem falou.

Sandro não sei, mas Peçonha esperava o fim do engarrafamento para voltar pra casa. Quem manda morar perto do estacionamento de disco voador Dona Lindu.

- Não pedi para a equipe jogar atrás, eu não sou disso.

- Se tu não pediu, tinha que mandar os caras irem para cima. Tu és um homem ou um prato de papa?

Peçonha começou a subir o tom também. Pensei que o quase-técnico iria embora de vez. Não foi. Aceitou passivamente a nossa marcação do mesmo jeito que o time dele aceitou o jogo dos alagoanos.

- Você não pediu. Tá certo. Vou fazer de conta que acredito. Mas hoje tá todo mundo dizendo a mesma coisa: “Se ele pediu,é frouxo. Se não pediu, então não tem comando” – dá-lhe Gerrá.

- Pega leve Gerrá. Mas ele tem razão, Sandro. Aquela sua entrevista foi um desastre, jogou a culpa nos jogadores, transferiu a responsabilidade– tentei contemporizar mais uma vez.

Sama falou um negócio que ninguém entendeu. Parecia que tava reforçando a opção pela retranca:

- Não sei porque tanto barulho. Empate na casa do adversário é bom .

- Apesar da derrota, disse para eles dormirem em paz porque deram o máximo.

- Tá tirando onda! Tá tirando onda, só pode ser. Jogaram como um bando de frouxo. Parecia o time da coisa-rosa!

A ira de Gerrá não veio isolada. Foi todo mundo falando ao mesmo tempo nessa hora. O garçom aproximou-se, mas não teve coragem de perguntar se queríamos mais cerveja ou tira-gosto. Se perguntasse, era capaz de levar uns tabefes de Laércio:

- Não pode dormir em paz quem não honra a camisa do Santa Cruz Futebol Clube. Pela amor de deus, Sandro! Ninguém deu o máximo coisíssima nenhuma no domingo!

- A quem você quer enganar, cara? Só se for a você mesmo. Na boa, foi salto alto, não foi? Foi soberba, acharam que poderiam ganhar a qualquer hora, só com a cara. Perceberam a diferença técnica no primeiro tempo e depois subiram no salto. Vá, confesse: foi isso?

Nem eu aguentei.

- Não digo que eles ganharam por méritos. Ganharam no bate-rebate.

Perdi a paciência de uma vez:

- Bate-rebate a cabeça da minha! Os caras fizeram de tudo um pouco na frente de Tiago Costa, acho até que comeram a bunda dele no fim do jogo e ninguém fez nada. A avenida Jangadeiros Alagoanos vai virar avenida Tiago Costa, passou todo mundo por ele. Tocaram bola de todo jeito na frente da zaga.

- Móvei, comeram foi a bunda de Leandro Souza, o afrodescendente acabou o jogo zuretinha, coitado. Agora Everton Heleno, quem tá comendo eu sei quem é – Gerrá fica todo solto quando assunto chega no recanto da putaria.

Peçonha foi embora dizendo que era melhor pegar engarrafamento no Pina do que ficar ouvindo merda. Laércio foi contido pelo garçom.

Sama, continuava de queixo caído com todo aquele acirramento dos ânimos:

- E o Santa perdeu, foi? Não me digam uma coisa dessas! Quando dormi tava 1 x 1. Só lembro da mulher mandando eu acordar porque o sofá já tava todo babado.

Agarrado ao braço de Sama, Sandro chorava.

Página 1 de 495123...102030...Última »

">