Menino de Raça
por Geórgia Araújo
No dia 12 de março, o show de Elba Ramalho e convidados estava marcado para às 21:00h, na Praça do Marco Zero, para homenagear o aniversário da cidade do Recife. Eu sabia que era a gravação do DVD, que algumas músicas poderiam ser repetidas, porém, fui cheia de esperanças que tudo corresse bem. Eu e Inácio chegamos lá por volta das 21:15h, fizemos um lanche básico e quinze minutos depois Elba entrou no palco.
Para comemorar seus 30 anos de carreira, Elba agradeceu a Chico Buarque, a Alceu Valença (que não pode ir porque estava fazendo show no aniversário de Olinda) e a tantas outras pessoas que lhe ajudaram, especialmente no início da sua vida profissional.
Aos poucos, ela foi chamando: Cristina Amaral, Flávio José, Alcione, Carlinhos de Jesus, Chico César, Lenine, Maestro Spok, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e André Rio, além dos dançarinos de um grupo aqui do Recife. Escalação de campeão, certo? Errado! Nem sempre é assim.
A repetição de algumas músicas foi deixando o público progressivamente apático ou distraído com conversas mil. Além do mais, Lenine, de quem sou fã há muitos anos, escolheu uma música de Caetano Veloso para cantar com Elba, que não combina com nenhum dos dois, resultado: três repetições e muitas reclamações dentre aqueles que fugiram para a beira do rio para ver se o tempo passava mais rápido.
Mas, o que isso tem a ver com o Santinha? No meio de tanta espera, de tanto calor, gente e ruge-ruge, durante todo o show, havia alguém segurando uma bandeira do Santa Cruz. Era pequena, mas decorava lindamente aquele cenário de sons e cores. Não havia bandeira de nenhum outro time bicolor, só aquela, pequena e coral.
Já na madrugada de sábado, pois a gravação durou até às 02:30h da manhã, nós já estávamos naquela de “vamos embora”, até que resolvemos que queríamos mesmo esperar Zé Ramalho. Quando ele começou a cantar, houve um deslocamento grande de pessoas de volta à Praça e a galera se acordou. E aí, qual a nossa surpresa, percebemos que a bandeira pequena foi substituída por uma maior, pois é, o fanático e inteligente torcedor, que resolveu levar a bandeira para esse evento, estava de posse de uma ainda maior para, se Deus quiser, fazer com que essa bela imagem circule pelos lares brasileiros.
Inácio, que saiu para descansar, mas não se desliga do blog, sugeriu que fôssemos para perto da bandeira para fotografarmos o herói. Quando nos aproximamos, vi que quem segurava a bandeira era um criança e pedi autorização do pai para fazer a foto para o Blog do Santinha. Resposta positiva e carregada de orgulho. Alexandre, pai de Vinicius, fez pose com seu filho, que não sei a idade porque meu assistente, Inácio França, não perguntou e, quando André Rio entrou no palco, foi um agito só. A parte final do show foi com muito frevo, manguebeat e muita gente dançando. Elba, enfim, marcou um gol e nós voltamos para casa com o 1×0 e com o gostinho de quero mais.
Quanto a Vinicius, parabéns pela sua paixão e pela sua raça. Que você sirva de exemplo ao Santinha e aos resistentes torcedores corais!












