Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Se a causa é justa, a briga é boa

por Inácio França

Faz tempo que o blog não compra uma boa briga. A pressão contra o “pior presidente da história do clube” não conta: o sujeito é um raríssimo caso de unanimidade negativa. E não tem graça ficar batendo na mesma tecla. Não há paciência que agüente.

Estávamos muito comportados. Então, Vou pegar carona na idéia alheia, uma idéia que carece de aliados, discussão e de lenha na fogueira.

Alguns sites especializados em futebol e alguns meios de comunicação do sul do País noticiaram com discrição o fato do Atlético Paranaense pretender cobrar das emissoras de rádio R$ 15 mil pelas transmissões de cada partida do clube na Arena da Baixada. As rádios interessadas teriam de pagar pouco mais de R$ 450 mil por pacote anual, se não me falha a memória.

As emissoras do Paraná chiaram e entraram na Justiça. Aqui, foram publicadas algumas notinhas perdidas no noticiário. Os donos da mídia pernambucana não têm nenhum interesse em ver propostas assim circulando, afinal os três jornais locais fazem parte de grupos econômicos que possuem suas próprias rádios.

A diretoria do clube argumenta assim: “Só queremos fortalecer a nossa marca, que traz audiência e faturamento para as rádios, assim como já ocorre com as televisões”, disse Luciana Pombo, moça que é diretora de comunicação do clube, cuja frase foi publicada na edição desta semana da revista Carta Capital.

A decisão de uma juíza de Curitiba colocou o assunto em evidência. Em primeira instância, a Justiça deu razão às emissoras. Com base no Estatuto do Torcedor e na Lei Pelé, a juíza alegou que a legislação não regulamenta a transmissão radiofônica das partidas de futebol. O problema é que, em sua sentença, a juíza parece bem preocupada com a saúde financeira das emissoras de rádio. Vou reproduzir exatamente o que diz o texto da sentença: “impedida de transmitir os jogos, (a rádio) estaria sofrendo graves prejuízos de ordem financeira e também perda de audiência – fonte que propicia a angariação de anunciantes e o auferimento de lucros”.

Ora, aqui está o ‘x’ da questão. O clube de futebol paga os salários dos jogadores, taxas de arbitragens, conta de luz e até mesmo uma estapafúrdia taxa que é retirada das rendas de todos os jogos e repassada para a ACDP (Associação dos Cronistas Desportivas de Pernambuco). E são as rádios que lucram com a venda de anúncios e tempo de publicidade. Os clubes oferecem o espetáculo e ficam com o prejuízo. Além disso, quem atua na área costuma até ouvir relatos de profissinais de rádio que trocam elogios ao vivo por “ajudazinhas”.

As emissoras, ao transmitir jogos, não fazem jornalismo, é puro entretenimento. Pelo qual não desembolsam um tostão furado. Muitas vezes, nem os salários dos radialistas representam custos para as empresas, pois os horários de futebol são terceirizados para “equipes de esportes”.

É uma besteira sem tamanho pensar que meios de comunicação, nesse caso as rádios, são instituições de utilidade pública, que prestam serviços para a população. Estamos falando de empresas, com interesses financeiros e que vão fazer de tudo para manter sua margem de lucro. Os clubes precisam enxergar essas empresas como clientes, nunca como benfeitores.

É provável que os donos das rádios do Paraná tenham recorrido ao surrado conceito de liberdade de imprensa. Papo-furado. Esse é um cobertor velho, cheio de furos, que já não serve para cobrir os reais interesses das empresas da mídia. O argumento da tal liberdade de imprensa não resiste a teste simples. Qualquer cidadão que tentar entrar no espaço reservado às cabines de imprensa dos estádios do Recife, explicando, por exemplo, que vai usar uma das cabines para transmitir o jogo por meio de uma rádio virtual na Internet, será barrado na entrada. Só entra quem paga pela credencial. O pagamento é feito para a tal associação de cronistas e não para o clube proprietário do estádio.

Na conjuntura atual, em que o antigo modelo de financiamento dos clubes de futebol está falido – só os bocós que se sucedem na presidência do Santa Cruz ainda não perceberam isso -, é urgente pensar em novas formas de arrecadar recursos de forma sustentável. Cobrar das emissoras de rádio é uma excelente idéia, que precisa ser debatida pelos clubes brasileiros.

O Atlético precisa de aliados e, é provável, que essa luta aconteça no campo político. Posso até especular que, se for preciso mudar a lei, a luta no Congresso poderá acontecer entre duas grandes bancadas: o pessoal do futebol contra os parlamentares donos de rádios. Com certeza o jogo será sujo. Mas talvez não seja preciso tanto, afinal a sentença da Justiça do Paraná expressou apenas o ponto-de-vista de uma juíza. A razão talvez esteja do outro lado.

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O exemplo do Fortaleza

Fortaleza Esporte Clube

Por Samarone Lima, de Fortaleza

Nada como matar saudades da família e dar a sorte de pegar a final do campeonato Cearense. Fui com meu irmão assistir Fortaleza X Icasa, no Castelão, estádio que abrigou minha ilusão. Eu acreditava que torcia pelo Fortaleza, na minha época de adolescente. Bastou chegar ao Recife, para descobrir um grande amor me esperando, o Santa Cruz.

Uma rápida olhada nos movimentos do Tricolor de Aço, e entendi o motivo de o time estar nas finais do Estadual há oito anos consecutivos, tenho ganhado cinco, salvo engano. Nos jornais do domingo, havia grandes publicidades do clube, convocando a torcida para se associar.

Na entrada do estádio, há uma farta distribuição de filipetas em papel couchê, convidando novamente o torcedor para ser sócio. O mais simples, o “Fortaleza Forte”, custa R$ 12,00 por mês, com taxa de adesão de R$ 12,00. O torcedor tem direito a 50% de desconto no ingresso de arquibancada do estádio Presidente Vargas, o PV, ou na cadeira superior do Castelão (quando o time for mandante).

Filipeta Fortaleza Frente
Frente…

Filipeta Fortaleza Verso
e verso da filipeta do Fortaleza E. C.

A publicidade está em todo canto. Há quatro tipos de sócios, para todas as classes sociais e paixões. Além do “Fortaleza Forte”, há o “Fortaleza Sempre” (R$ 23,00/mês), o “Alma Tricolor” (R$ 42,00/mês), e o “Fortaleza Eterno” (R$ 65,00/mês”). Em todos os modelos, a taxa de adesão é de R$ 10,00. Os jogos do clube como mandante, no final das contas, sai por menos de $ 8,00.

O torcedor concorre a sorteios e promoções, como a bola do jogo, viagem com o time, camisa oficial, camarote, jogos, foto com seu jogador preferido etc. Há uma linha direta para quem quiser se associar, e um endereço na internet: www.identidadefortaleza.com.br.

No jogo decisivo, 45 mil alucinados torciam pelo Fortaleza, um time bem superior ao do Icasa, que perdeu o primeiro jogo em casa, por 2 x 0, e demitiu seu treinador, que tem o singelo nome de “Play Freitas”. O time foi escalado pelo presidente da agremiação, o senhor Zacarias Silva, junto com outro diretor, Kleber Lavor. O resultado não poderia ser outro: 4 x 2 para o Fortaleza.

O Tricolor de Aço não tem um estádio próprio, como o Arruda, e o Castelão, estádio para jogos decisivos, fica a dezenas de quilômetros do centro. É como ir do centro do Recife ao TIP. Pesa a seu favor uma organização administrativa capaz de acolher e incentivar os sócios a estarem juntos do clube. Graças a uma série de combinações, a Santana Têxtil é a patrocinadora oficial há alguns anos.

Com a torcida que temos, um estádio chamado “Colosso”, uma diretoria organizada, moderna e honesta, o Santinha sai dessa.

O Fortaleza serve de exemplo.

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Véspera de decisão

Decisão

Por Dimas Lins (publicação simultânea com o blog Torcedor Coral)

Tive um dia longo e estou cansado. Acabo de chegar da reunião convocada pela oposição e já passa da meia-noite quando começo a escrever essas linhas. Confesso que estou sem inspiração. O cansaço traz essas coisas. Mas amanhã terei outro dia cheio e melhor rabiscar alguma coisa agora do que deixar passar em branco a oportunidade.

Ontem, um auditório lotado de tricolores discutiu questões importantes sobre a Assembléia Geral Extraordinária - AGE, que decidirá sobre o afastamento do presidente diminutivo. A reunião, realizada no auditório do ETC na Avenida Rosa e Silva, também serviu para que os integrantes da oposição apresentassem as medidas emergenciais a serem tomadas e um modelo de gestão que será implantado no Santa Cruz, caso o presidente diminutivo seja afastado do cargo.

Embora todas essas questões sejam relevantes, prefiro não abordá-las agora. Para tratar disso, solicitei a Fred Arruda, Vice-Presidente do clube, que me enviasse os slides para que oportunamente possamos publicá-los. Meu assunto pontual é outro. A esta altura, estou mais interessante no momento político que se desenha.

Recentemente publiquei no Torcedor Coral um texto sobre o jogo de xadrez que se tornou a corrida pela cassação do presidente. Estratégias de um lado e contra-estratégias de outro se cruzarão num confronto decisivo no dia 13 de maio.

Pessoalmente, tenho lá minhas frustrações com a oposição, como fiz questão de deixar claro na reunião. Acho que a confraria Ninho da Cobra teve a sua parcela de culpa na administração do diminutivo. Além disso, de suas fileiras saiu Alexandre Ferrer, o cavalo do presidente coral nesse tabuleiro de xadrez. Por tudo isso, não encaro mais de peito aberto as grandes questões políticas do clube.

Mas confesso aqui que já superei a fase de fazer conjecturas. Não há mais tempo para isso. Em primeiro lugar, porque depois de tantas bobagens cometidas pela atual gestão, não encontro razão para acreditar num futuro melhor, caso não haja a cassação do presidente. Em segundo, porque de nada adiantaria arrancar o diminutivo de sua cadeira, para ceder o lugar para algum fantasma do passado. Em terceiro, porque gostaria de ver Fred Arruda assumindo a presidência do clube.

Por isso, estarei na sede do clube, no próximo dia 13, às 16 horas, para votar a favor do afastamento do Sr. Édson Nogueira do cargo de presidente do Santa Cruz.

Que venham todos.

ATUALIZAÇÃO: Amigos, Disponibilizo abaixo a apresentação feita por Fred Arruda, Vice-Presidente do Santa Cruz, na reunião de ontem no auditório do ETC. (Dimas Lins)

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