Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Agosto de 2005

SuperNunes

Por Nunes, pseudônimo de um jornalista que precisa manter o sigilo por motivos profissionais

Havia me comprometido de fazer um levantamento em edições antigas de jornais para contar neste blog o episódio da transação do artilheiro Nunes e do ponta-direita Fumanchu para o Fluminense, em 1979, na época a maior negociação do futebol brasileiro. Acabei dando que minha intenção neste espaço é resgatar histórias de um torcedor, carregadas do prazer de ser tricolor, não me preocupando com a exatidão das datas, valores, nomes.

Por isso, peço perdão se a memória me trair em algum momento. Serei fiel, no entanto, às memórias de uma criança que aos seis anos de idade colocava o pé primeira vez no Arruda e começa a conhecer um dos maiores ídolos da história do Santinha. Entendam “colocar o pé” como uma força de expressão. Até porque naquela decisão do supercampeonato de 76, o estádio estava entupido e poucas pessoas conseguiam tocar o chão. Muito menos uma criança que, como eu, acompanhou nos ombros do pai Jadir e Nunes marcarem os gols do título.

As lembranças mais marcantes de Nunes vêm nos anos seguintes ao título de 76. Especialmente, em 78, ou seria 77? Bom, sei que era um Brasileiro, tipo fase de oitavas-de-final, num grupo que tinha o Palmeiras, Remo, Operário e o Santinha. Na penúltima partida, o Tricolor foi ao Pacaembu pegar o Verdão. O jogo passou, inclusive, pela televisão, algo muito raro na época. Foi um vareio de bola. Teve até um gol de falta de Nunes, golaço! Não fosse o roubo absurdo do juizinho, algo semelhante ao do BC de Fortaleza, o placar teria sido bem superior aos 3 x 2. O larápio não só anulou o gol de falta de Nunes, uma bomba do bico da grande área, como tirou o nosso artilheiro da última partida da fase, contra o Remo, no Arruda.

Por causa do gol anulado erradamente, o Santinha precisaria vencer os paraenses por dois gols de diferença para não depender de uma derrota do Comercial, que jogava com o Palmeiras, no Mato Grosso. A ausência do artilheiro foi suprida em parte. Fumanchu e Volney, substituto de Nunes, marcaram. Mas aos 45 do segundo tempo, após cobrança de escanteio, Mesquita (até hoje não esqueço do nome do desgraçado) diminuiu e o Santa dançou por causa de um golzinho. Era a chance de chegar novamente numa semifinal nacional, como em 75. Tinha time para isso.

Em 79, mais uma vez, a oportunidade bateu em nossa porta. Mas a situação era diferente. O adversário era o Internacional. O fantástico time do Inter, de Falcão, Caçapava, Carpegiane. O Santinha precisava vencer por dois gols de diferença no Arruda, após perder para os gaúchos em Porto Alegre. Nunes, sempre ele, arrancou pela esquerda, passou por um zagueiro e soltou um tirombaço entre o goleiro Benitez e a sua trave direita. O Arruda quase explode.

No segundo tempo, no entanto, o Colorado, que viria a se tornar campeão brasileiro invicto, virou para 2 x 1. A eliminação para o Inter foi café-pequeno em relação à notícia de que Nunes e Fumanchu seriam vendidos para o Fluminense. Foi um baque daqueles. Não era apenas um jogador que ia sair do clube. Era uma espécie de super-herói - daqueles que no imaginário de uma criança poderia estar reunido com o Super-Homem, Aquaman, na Sala da Justiça - que morria. Só anos depois poderia compreender que a história do Cabelo de Fogo no Arruda era mais que forte que qualquer super-herói.

Nota dos editores: salvo engano, minha memória registra que a vitória do Santa sobre o Palmeiras foi por 3 x 1, pois também vi este jogo pela TV, uma National colorida, na casa em que morava no bairro de Piedade. (Inácio França)

Errata do autor, segundo suas próprias palavras: "Tem razão. Consultando um cd da Placar que tem as fichas do Brasileirão de 71 a 2001, vi que o placar foi 3 x 1. Um de Nunes e dois de Fumanchu. O 3 x 2 que me confundiu foi em 75, também em SP. Outro lapso de memória foi quanto ao ano do jogo com o Inter. Na verdade, em 78. Bons tempos em que podíamos nos confundir quanto às belas campanhas do Santinha…"

5 comentários

Arruda, 1965

Mais uma foto do acervo do Diário de Pernambuco, cedida à Confraria Ninho da Cobra: um ano depois da remoção das velhas arquibancadas de madeira compradas ao Vovozinha de Santo Amaro, as obras do novo estádio do Arruda estavam bastante avançadas.

Segundo o ex-presidente Rodolfo Aguiar, os tricolores se mobilizavam para leva sacos de cimentos e tijolos até a avenida Beberibe. "Mas esse negócio de que o Arruda foi construído com tijolos levado pela torcida nunca houve, pois aquela estrutura toda é de concreto e não de tijolos. O que a diretoria fazia era trocar o material doado pelos torcedores ", contou Rodolfo Aguiar durante depoimento aos responsáveis pelo Blog do Santinha, em março de 2005.

1 comentário

Proposta indecente

por "Nunes" (pseudônimo de um jornalista que precisa manter sigilo por motivos profissionais)

Sei que posso ser confundido com o que há de pior neste mundo. Sei que vão me chamar de pederasta, boiola, fresco e outros adjetivos da mesma laia. Até a minha mãe será lembrada. Peço apenas que leiam até o final antes de descarregar a ira contra minha pessoa, o que seria perfeitamente compreensível caso eu não estivesse seguro dos meus argumentos.

Que tal se nós, tricolores, passássemos a torcer pela coisa nesta reta final de fase classificatória? Calma! Explico.

Uma derrota em qualquer um dos jogos que eles têm pela frente elimina o sport da segunda fase, certo? O que significa que uma outra equipe ocuparia o seu lugar, e que seria nossa adversária no quadrangular.

Agora pensem bem, não é melhor ter o leãozinho vira-lata pela frente na outra fase? Seriam seis pontos garantidos e a chance de disparar no saldo de gols. Pra não falar que se a coisa for embora, perderemos o bobo da corte da Série B.

A gente vai tirar onda da cara de quem? Dos alvibarbies num tem mais graça. Sei que estou pedido algo escatológico, repugnante e que fere os princípios de um homem de bem. Mas façamos um esforço, a subida para a Série A pode ser mais fácil e divertida se contar com a presença dos ilhéus-retirantes no quadrangular.

E digo mais: a vitória sobre o Bahia foi um ótimo resultado. Se perdesse, a coisa estaria ameaçadíssima de cair para a Série C, único local onde os pobres coitados teriam condições de vencer dois jogos consecutivos.

Imaginem ter de agüentar arrogância dos caras: “Viram, enfiamos 1 x 0 no Cafuirense. Né pra qualquer um não!”. Seria um inferno.

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Os responsáveis informam que o manual de redação & estilo do Blog do Santinha recomenda que as palavras coisa e barbie sejam escritas assim, com letras minúsculas. Solicitamos também aos colaboradores que evitem usar os nomes próprios dos demais clubes de futebol do estado de Pernambuco e, caso isso não seja possível, manter a letra inicial minúscula.

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