Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de agosto de 2005

Arruda, 1959

O terreno do estádio do Arruda foi comprado pela prefeitura e doado ao Santa Cruz, quando o prefeito era o tricolor José do Rego Maciel, em 1959. Logo depois da doação, a diretoria do clube, com Aristófanes à frente, construiu um pequeno estádio com arquibancadas de madeira.

Quem conta é o ex-presidente Rofolfo Aguiar:
"Logo depois da doação do terreno, fizemos um estádio, mas eram arquibancadas de madeira adquiridas ao deputado Alcides Teixeira, que tinha em Santo Amaro o campo do Vovozinha. O Santa Cruz comprou as arquibancadas de madeira e a iluminação. Nesse campo, o Santa Cruz treinava e fazia a maioria dos seus amistosos a partir de 1956. Bangu, Madureira… esses times jogaram no primeiro do campo do Arruda em partidas amistosas, com o público nas arquibancadas de madeira".

A foto foi cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra

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Eternos dribles

Os organizadores do blog do Santinha irão dar preferência a textos assinados pelos nomes verdadeiros dos seus autores. Só publicaremos crônicas ou comentários daqueles que, por motivos profissionais, precisem manter o sigilo de suas identidades, como é o caso de Nunes, autor que estréia hoje em nosso Blog.

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Não sei exatamente os dias, meses, turnos ou equivalentes. Só vou me preocupar em relatar um dos momentos mais sublimes do futebol pernambucano. Quem quiser checar as informações aqui citadas, que vá no arquivo público. Dou apenas uma dica: anos de 1987 ou 1988. E problema de quem duvidar.

Sorte minha e de quem presenciou a saraivada de dribles que por diversas um ponteirinho-direito aplicou tão bem aplicados num lateralzinho-esquerdo (ao contrário do primeiro caso, este diminutivo expressa apenas a situação penosa, daquelas que daria dó se o elemento não vestisse uma certa camisa).

Sim, peço perdão no mesmo momento que aviso: as divagações serão constantes num relato como este. Bom, era um tal de vira-pra-cá, puxa-pra-acolá, que resultava numa angustiante mexidas de cadeira de Luizinho, camisa 6 do Sport, muitas vezes caído com os quartos no chão, pernas viras para riba e os olhos procurando o endiabrado Marlon.

Ir para um Sport x Santa no chiqueiro era algo glorioso quando se sabia que na escalação haviam dois nomes. As poucas bilheterias, a entrada apertada, a arquibancada acanhada de campo de interior e poças de mijo eram esquecidas sem o menor problema. Era um massacre! Algo que deveria ser impedido pelas autoridades.

Mas o que Marlon fazia diante de um rubro-negro (não tenho nada contra Luizinho, nem Marlon tinha. O rapaz até que evoluiu vestindo a camisa coral anos depois) era permissível e valeu pra mim mais do que centenas de gols. Ninguém, mais ninguém mesmo, expôs tão claramente a relação entre o Santa Cruz e o Sport que Marlon.

E Luizinho, no fundo, sabia disso, por mais que sofresse com aquela agonia, semelhante a uma muriçoca de brasa entrando pelo ouvido de um cidadão. Por mais que batesse, quando conseguia acerta o nosso ponteiro, ele tinha consciência de que fazia parte da história.

Quando o Sport resolveu trocar o lateral, o revés foi pior. Num tenho a menor idéia do nome do elemento, mas certa vez entrou um novato com a camisa 6. Acho que por sacanagem, Luizinho não contou o que haveria de acontecer com o novo companheiro.

Bastaram alguns minutos para o pobre desmoronar diversas vezes no campo, receber o cartão vermelho e ser dispensado pela diretoria do Sport nos vestiários. Aí, Luizinho voltou e tudo seguiu normal. Se alguma televisão editasse as imagens dos dribles de Marlon sobre os marcadores rubro-negros, elas bem que poderiam ser mostradas paralelamente às de Garrincha (embora o repertório de Mané deixe um pouco a desejar).

Lamento que o clube e a torcida não reverenciem os seus deuses. Não deixou de ser emocionante ver a torcida do São Paulo levar faixas para o Morumbi exaltando Telê como “eterno”. Todo ídolo é eterno e o garotinho Marlon, hoje empresário, bem que merecia uma estátua no Colosso, aplicando um drible no lateralzinho do Sport.

Até a próxima!

(por Nunes)

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