ô ô ô, a sanfona já chegou!
Por Samarone Lima - Recife, 17 de agosto de 2005
Amigos tricolores, é impossível não amanhecer com o coração em festa depois da jornada de ontem, contra o Vitória. Deixemos de lado a magérrima, esquelética vitória por 1 x 0 contra o rubronegro baiano, que nos levou a 37 pontos. Nem cirurgia abrindo o corpo todo pega tanto ponto.
Esqueçamos, por enquanto, a violência dos jogadores adversários contra os nossos atletas. Passemos ao largo da lentidão de Leonardo e a falta de criatividade do nosso Andrade Cabeção e passemos a algo fundamental - o nascimento da "Torcida Organizada Musical Sanfona Coral".
O fato é que o sanfoneiro Chiló já tinha se apresentado no Arrudão outro dia, num jogo que não lembro, levando a torcida coral ao delírio, sempre acompanhado do zabumbeiro Gerrá e da "triangueira" Aleksandra. Ontem, por arte do destino, tivemos um encontro histórico - a "Sanfona Coral" (ou "Trio Color") embarcou na já lendária "Kombi Coral".
No Arruda, foi aquela emoção toda, especialmente quando o trio atacou com o famoso hit "A coisa gemeu/no ano do centenário". Fez grande sucesso o xote "Quando passo na casa da barbie/eu me lembro/ eu me lembro/ aquele gol do Carlinhos Bala/ Eu me lembro, eu me lembro".
Outras canções surgiram ao deus-dará, mas a essa altura do campeonato, já nem lembro. Ah, quando o nosso magro foi abatido por uma falta criminosa, surgiu a canção famosa - " Devagar/que o magro é de barro/devagar, que ele poder partir". Depois disso, deixaram nosso craque jogar sua bola de ouro.
Depois do jogo, fomos ao Colosso, onde pude constatar, in loco, o tremendo sucesso da nossa pequena, modestíssima, mas empolgada torcida organizada musical, que promete encher de música o Arrudão e bares no entorno. Já está agendada uma peregrinação por bares, mercados, botecos e casas de tricolores, por toda a cidade, com a subida do tricolor à primeira divisão, que haveremos de conseguir, deus é pai.
Não deixa de ser uma nota destoante e lamentável aquele espetáculo grotesco proporcionado pela diretoria durante o intervalo do jogo. Ao invés da pirralhada jogando sua bolinha (o horário não permite, tudo bem), foi contratado um grupo para dançar os bregas da vida, na parte interditada das arquibancadas (até quando?).
Eram umas mulheres horríveis usando tangas minúsculas, num espetáculo de comovente mau gosto. No começo da "apresentação" (o pior é saber que eles ainda ganharam dinheiro para fazer aquilo), o grupo começou a dançar uma música baiana já vencida, de péssimo gosto, e a torcida tricolor recebeu a novidade com uma sonora vaia.
É uma pena, mas aquele espetáculo lamentável no intervalo é a cara da atual diretoria. Temos um time bom, competitivo, mas tenho até medo de saber o que anda rolando por dentro do nosso glorioso clube. Falta tudo ao nosso Santinha, especialmente democracia e transparência.
"Rapaz, toca essa sanfona, para a gente nem olhar para aquela desgraça", pediu um torcedor, e Chiló atacou com mais um lindo forró. Tinha até casal dançando na arquibancada.
E ontem tive aquele sentimento de estar vendo em campo, dois jogadores que ainda farão história no futebol brasileiro: Rosembrik e Valença. Esses dois vão nos dar muitas alegrias, como deram ontem, e já posso vê-los dando grande vôos. Breve, breve, vai ser difícil segurá-los.
Três vivas à Sanfona Coral!!!!
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