Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 19 de agosto de 2005

Neto Futebol Clube

por Inácio França

No dia 1º de abril deste ano, a nutricionista pernambucana Fabiana França (minha irmã caçula) começou a trabalhar na cidade de Miguel Calmon, no sertão da Bahia. De manhã, ela se apresentou aos seus chefes na Secretaria Municipal de Saúde. Entrou na sala do secretário-adjunto e, enquanto recebia as primeiras orientações, ficou de olhando meio de banda pro monitor de um computador com uma foto do time Santa Cruz como descanso de tela.

Alvirrubra, pensou: “vixe maria, até aqui tem esse povo fanático”. Saiu da secretaria e foi ao posto começar o atendimento e… a agente de saúde vestia uma camisa do Santa Cruz, com listas horizontais e com o patrocínio da Minasgás, novinha em folha. “Oxiiii, até a agente de saúde…”

O segundo paciente que atendeu apareceu na sua frente com um boné preto, branco e vermelho, com escudo do tricolor do Arruda. Na hora do almoço, ela viu outro sujeito com a camisa do Santinha perto da rodoviária e na praça, em frente à igreja, passou um carro com uma bandeirinha tricolor presa na janela.

Foi demais. Deixou de lado a vergonha e perguntou para um funcionário do posto o porquê de tantas camisas tricolores espalhadas pela cidade. A resposta simples e direta: “Porque o Santa ganhou o campeonato ontem de noite”. A resposta até que poderia ser convincente, se Miguel Calmon não fosse na Bahia e estivesse a quase 1.000 quilômetros da avenida Beberibe.

No mesmo dia Fabiana descobriu, com ajuda do tal secretário-adjunto que aparece na foto lá em cima, que atualmente o clube com maior número de torcedores na cidade é o Santa Cruz, ou melhor, a maior torcida é a do volante Neto, filho da terra e parente de metade dos 31.000 habitantes do lugar. A outra metade é de amigos dele ou de seus pais.

“Antes de Neto ir pro Santa Cruz, todo mundo aqui torcia pro Flamengo, Vasco ou Bahia. Eu mesmo, acesso a internet todos os dias e acompanho os jogos do time pela TV a cabo”. Esse entusiasmo é do secretário-adjunto, Reinaldo Miranda Júnior, amigo de infância de Neto, com quem conversei por telefone.

Neto, pelo jeito, fez história no futebol de Miguel Calmon. Ele foi zagueiro da seleção local. “O melhor zagueiro da cidade”, assegura Reinaldo. Por sinal, hoje o uniforme da seleção é preto, branco e vermelho, levado por Neto no ano passado.

Reinaldo disse que Neto é apaixonado pela torcida tricolor. “Antes de jogar no Santa, o sonho dele era jogar no Flamengo ou no Bahia, mas ele disse que agora ele só troca o Santa por um time da Europa. Depois do título, ele me ligou dizendo que tinha ficado emocionado com a festa que a torcida fez e com o desfile no Carro de Bombeiros”.

Depois da Segundona, Reinaldo vai viajar pro Recife. “Vou conhecer a cidade. Neto vai me levar pra comer lazanha num restaurante que ele conhece aí”.

1 comentário

Comentários liberados

A falta de intimidade dos responsáveis deste blog com os segredos da internet causou uma dificuldade para o pessoal que anda lendo nossa página: poucas pessoas deixaram comentários porque o sistema exigia um desgraçado de um cadastramento.

Como esse negócio de se cadastrar é muito chato, quase ninguém se arriscou a comentar. Pelo menos essa foi a reclamação de João Valadares, o Mago Amarelo, tricolor e repórter do Jornal do Commércio. Agora, tá liberado, pois as configurações foram alteradas e qualquer um pode fazer o comentário que bem entender.

1 comentário