Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de setembro de 2005

O clube que estamos perdendo

por Samarone Lima Recife, 5 de setembro de 2005 (escrito antes da publicação das notícias sobre o caso Carlinhos Bala) Olho aqui o mural, defronte à minha mesa. Está repleto dos ingressos amassados que consegui guardar, nos jogos do Santa, em muitas jornadas, no Arrudão, Ilha e Aflitos. Posso me considerar um torcedor fiel, um canino tricolor, que já foi capaz de abandonar o casamento pela metade, para ir ver o Santinha perder para o Palmeiras (2 x 1). Do Maranhão, certa feita, fiquei usando o celular de um colega de trabalho, para saber, a cada cinco minutos, como estava o Santinha, que jogava uma partida decisiva contra o finado Criciúma. Os telefonemas no celular da empresa, me causaram alguns problemas, mas eu tinha uma desculpa importantíssima: “Mas era um jogo do Santinha…” Teria dezenas de histórias de quem vai ao estádio sempre, de quem compra o jornal e vai primeiro ler as notícias do Santinha, para depois saber a quantas anda o País e o restante do mundo. Teria também muitas alegrias para contar, após a conquista antecipada do Estadual de 2005, o Arrudão lotado, para o último jogo contra os timbus (“Sai do chão/sai do chão/Santa Cruz é Campeão”). Depois, veio esta campanha maravilhosa, na segundona, com a classificação antecipadíssima para a próxima fase, na primeira colocação. Teria todos os motivos para estar muito feliz com tudo o que está acontecendo com o clube, mas, a cada dia que passa, tenho mais motivos para temer quanto ao futuro do Santinha. Diria que o time vai bem, graças ao trabalho rigoroso e sério do nosso Givanildo Oliveira e à safra de jogadores que vestem a camisa coral com orgulho e raça, como Valença, Rosembrick, Carlinhos Bala, Osmar, além do paredão Kleber, entre outros. A impressão que tenho, no entanto, é que há algo terrível acontecendo lá por dentro do nosso tricolor. Algo de muito ruim, feito de silêncio e negócios obscuros, que vai piorando com o tempo. Não sei se os amigos já perceberam, mas os integrantes da diretoria que saíram resolveram falar muito pouco, para não dizer silenciar, em nome de algo maior – a classificação para a primeira divisão. É louvável a postura, bem como a posição da Confraria Ninho da Cobra, de apoiar o clube, mas não a diretoria. Mas é justamente isso que me deixa preocupado. Há um enorme silêncio sobre os bastidores do Arruda. À boca miúda, escutamos que as coisas estão complicadíssimas. O atual presidente coral, que conseguiu se eleger graças a uma das maiores falcatruas eleitorais da história futebolística de Pernambuco - algo que deixaria Eurico Miranda corado de vergonha - , conseguiu afastar diretores que vinham trabalhando com afinco pelo clube. O Santa Cruz, hoje, é uma metáfora triste – o time das multidões está passando por sua maior solidão. Estarei em todos os jogos, como sempre, ao lado de tricolores abnegados, como Oswaldo Titio, o velho Nana, Saulo “Profeta” (acertou mais uma, um gol do cabeção no último jogo), Inácio, enfim. Torcerei, ajudarei o meu time com a bandeira no pescoço, suportando com paciência os banhos de cerveja de Luis Diazepan, fumando cigarros surrupiados dos amigos de arquibancada. Mas temo o pior, num futuro próximo. É quando soubermos, enfim, tudo o que anda acontecendo nos bastidores do Santa Cruz Futebol Clube, enquanto comemoramos vitórias feitas de raça, talento e paixão. Quando o silêncio for rompido, quando alguma prestação de contas for feita sobre este período, acho que teremos muito o que lamentar. Talvez tenhamos que dizer – “por que não fizemos nada antes?” Será o momento de juntar todas as cabeças pensantes e que amam o Santinha, para trazer o clube de volta às multidões.

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