Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 17 de setembro de 2005

Manhã tricolor

por Samarone Lima Recife, 17 de setembro de 2005. Manhã de sábado no Recife. Um sol dos diabos lá fora. Fui despertado logo cedo por dona Fátima, que cuida da minha casa uma vez por semana. Hoje ela chegou, dei uma olhada no rosto dela. Dona Fátima era um sorriso da cabeça aos pés. Pensemos numa pessoa que não tem cabeça, troncos e membros, como a gente aprende no colégio. Dona Fátima é sorriso, sorriso e sorriso. Ela é tão tricolor, que não vai ao estádio porque tem medo de passar mal. Fica mais nervosa que eu, Inácio, João Valadares, Marcel e Bruno juntos. Acabei de dar uma passadinha em seu Vital, para tomar o primeiro gole de café do dia. Seu Vital abriu aquele sorriso. Nem precisei perguntar se tinha café. Ele foi colocando meu copinho e beberiquei, pensando no jogo de ontem. Olhei para a sala de seu Vital, e estava lá, em cima da cadeira que ele cochila durante o dia – a toalha do Santinha. O jornaleiro acabou de passar, em sua bicicleta. “Tricolor, tricolor, tricolor”, gritou três vezes, quase caindo da bicicleta. Ainda não parou de beber. Como sempre, nos nossos triunfos, ele vem me trazer o jornal. “Tá demais, tá demais, tricolor”, diz ele, com aquele bafo de Pitu que eu vou dizer. Ele nunca me chamou pelo nome, e creio que nem saiba. Eu nunca o chamei pelo nome. Sei apenas que ele é “o tricolor”. Ele sabe apenas que sou “o tricolor”. Chega Naná, o glorioso motorista da nossa Kombi Coral. Só de calção, descalço, achando a vida linda. “Rapaz, quem segura o tricolor?”, pergunta ele. Ninguém, Naná, ninguém. Passa Ely, em sua bicicleta. Há três dias, não tira a camisa do Santa. Já queria combinar a ida ao Arruda no sábado. Amigos, ainda falta uma semana para o jogo, e Ely já quer combinar a ida ao estádio! E assim amanheceu o sábado, aqui no Poço da Panela, depois da vitória contra o Avaí, por 3 x 1, em pleno estádio da Ressacada. Perdão pelo trocadilho, amigos, mas quando o Santinha joga, não sabemos o que é ressaca. Que venha o Santo André, depois o Grêmio. Como disse um amigo, do jeito que o Santinha está jogando, é arriscado nosso clube ficar com as duas vagas da segundona. Vou aqui aumentar o som: “Santa Cruz/Santa Cruz/Junta mais essa vitória…”

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