Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 19 de setembro de 2005

O mago

Rosembrick

por Júlio Vila Nova, músico e mestrando em Letras na UFPE

Por um fenômeno fonético que a Lingüística bem explica, às vezes o magro é chamado de mago. Aqueles que cultuam a infâmia do preconceito vêem aí um motivo para a discriminação, sobretudo contra pessoas de classe social mais baixa, mas os lingüistas vêm esclarecer que se trata de um exemplo de variação, fenômeno que atesta a riqueza da nossa língua, falada de tantas diferentes maneiras neste país gigante.

Vítima de muitas injustiças e preconceitos, o povão às vezes supera tudo com provas de criatividade, na vida e também no trato com a língua, tal como o craque a deixar um joão-marcador boquiaberto, com dribles desconcertantes.

Hoje, na santa alegria de um momento feliz em que celebra a festa do bom futebol, o povão tricolor oferece um bom exemplo dessa criatividade: batizar de mago o magro Rosembrik, transformando magreza em magia. E o povão ri.

Quando o mago tem a bola nos pés, milhões de olhos presentes e ouvidos atentos ao pé do rádio se preparam para alguma surpresa, platéia de mágico. E na velocidade de poucos segundos o passe, o drible, o chute assumem nas arquibancadas a forma de sorrisos privilegiados. E muitas vezes a alegria explode ruidosa em gritos de gol.

Mas mesmo que o gol não venha, a alegria está garantida quando a bola passa pelos pés do mago, maestro de um time em que figuram outros dez, que não poderiam faltar para completar o show.

Talvez sabendo que o filho era um predestinado, o pai tirou dos gramados da Holanda um nome que encantou o mundo da bola e fez história num carrossel que gira até hoje, agora nas voltas do Mundão do Arruda. E a torcida, povão que é orgulho tricolor, diverte-se em trocadilhos com seu nome, chamando-o às vezes “Rosembrinque”, para lembrar que a alma do futebol é a brincadeira, e que deveríamos todos continuar crianças que se divertem, encantados com passes de mágica e habilidade de malabaristas que ainda existem para superar a tristeza dos esquemas táticos retranqueiros e a estupidez da violência.

Que sorte nossa, tricolores ! Quanto estamos lá no Mundão, a gente não se cansa de sorrir e pedir outra vez: “faz mais um truque com a bola, mago !”

* A foto acima foi surrupiada do site da Coralnet

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