Valença, a lenda tricolor
Por Samarone Lima Amigos, ontem no Arruda nós tivemos mais um clássico fundamental do futebol brasileiro. O Grêmio Futebol Catimbense veio de Porto Alegre conhecer sua primeira derrota nesta fase da Série B. O Santa Cruz Coração Clube deixou sua torcida em êxtase, como o golaço de Xavier. O foguete passou e o goleiro gremista ainda procura os escombros. Como eu vinha pregando no deserto, nós precisávamos não só de futebol, mas de catimba, raça, manha, para derrotar os gremistas. Estávamos querendo subir para a primeira divisão com um espírito de escoteiro mirim. E finalmente, soubemos fazer o gol e administrar a vantagem. E no meio do jogo, já havia uma lenda em campo. O nome dele: Valença. Sim, amigos, daqui a muitos anos, nós tricolores que estamos vivos em 2005, vamos bater no peito e dizer – eu vi o Valença-coração-tricolor jogando com a camisa do Santinha. Soube outro dia que Valença chorou copiosamente, depois que perdemos o título do ano passado. Soluçava mais que muitos torcedores apaixonados. É só um detalhe emotivo do mito: a camisa coral ensopada de lágrimas. Amigos, escrevo aqui com os olhos marejados. É impossível não considerar Valença um gigante na área tricolor. Dificilmente perde uma jogada, é capaz de estraçalhar o joelho na trave, para evitar um gol contra o Santa, seria capaz de arrebentar o focinho para tirar uma bola pelo alto. Mais que isso - se tivesse que escolher entre ficar inutilizado para o futebol e dar um título ao Santa, diria que Valença escolheria ficar na cadeira de rodas, com aquele sorriso de garoto solítário que ele tem. Mas no jogo de ontem, a torcida urrava, a cada bola roubada, a cada dividida. “Isso é que é jogador”; “Valença é demais”; “Isso é que é raça, caralho!”; “O bicho é foda mesmo”. Se os gremistas vieram com toda aquela manha, a catimba conhecida, Valença apresentou a pós-graduação. Ouvi quando ele gritou para o atacante gaúcho: "Aqui, quem manda sou eu". Há o momento exato em que o jogador deixa de ser um reles craque e vira uma lenda. Ontem, não sei a quantos minutos do primeiro tempo, ele pegou a pelota, sua amiga de tantos anos, e chutou para a lateral, como se estivesse tendo uma epilepsia no coração, uma fraqueza no espírito. Mas não. O sangue jorrava do supercílio do nosso ídolo. Parecia um caninho da Tigre, vazando água vermelha, o supercílio do nosso craque. Aquela expressão “ele dá o sangue pelo time” foi levada ao pé da letra. A camisa do Santinha, manchada de sangue pelo nosso maior zagueiro, deveria ser tombada e colocada no panteão da nossa gloriosa história. Antes, ele havia ensopado a camisa de lágrimas. Depois, veio o sangue. O suor já estava há muitas gerações. E veio a bandagem. Cobriram o cocoruto do nosso craque com uma faixa, daquelas que usam quando o sujeito leva um tiro, no meio da guerra. Ele foi remendado sem anestesia e ficou à beira do campo, desesperado, para voltar à área. Por alguns segundos, a área do Santa Cruz parecia um jardim da infância para os gremistas. Naquele momento, até Thiago, de 7 anos, que estuda na escolinha do Santa, driblaria todos e faria um gol. Aos 36 anos, me senti órfão de um jogador. Faltou pouco para que eu começasse a chorar. A torcida urrava para o Edílson, digo, o juiz, liberar o retorno do nosso atleta. Valença precisava voltar. Arraes voltou, todos os exilados voltaram, o Fusca voltou, Os Rolling Stones voltaram, mas Valença não voltava nunca aos gramados. Um mudo, um sujeito que nunca tinha dito um “olá”, na vida, que estava ao meu lado usando a linguagem dos sinais, soltou um berro que balançou o Arrudão: “Deixa Valença entrar, fila da puta!”. Por alguns segundos, milhares de tricolores ficaram à beira de um colapso. Valença não estava na zaga. Mas o juiz finalmente escutou nosso mudo e liberou o retorno do nosso craque. O Grêmio, depois disso, sentiu o impacto, e jamais conseguiu enfiar a bola em nossa rede. No segundo tempo, ele voltou com um singelo band-aid no supercílio. O médico quis reduzir o tamanho da lenda, tirando aquela faixa de ferido em plena guerra. Mas já era tarde. Por minutos eternos, vimos nosso craque jogando com a cabeça enfaixada, ferido mas lutando pelo tricolor. Bekembauer, que já fez o mesmo, se tornou uma figura menor. Uma cena para a história do nosso clube. Valença, que joga beijando o escudo do Santa, é o próprio coração tricolor. Deixemos de modéstia e louvemos o nosso craque.
Baixamos o nível
Já ouviram falar de baixaria com qualidade? Pois é, a criatividade do sanfoneiro Chiló para fazer uma paródia do hino do Grêmio foi tanta que resolvemos baixar o nível do Blog do Santinha. Porém, como pode ser observado abaixo, baixámos o nível com brilhantismo.
Para se cantar com a melodia do hino do Grêmio:
“Chupa a cabeça da peia/o que o Santa quiser/pois todo gaúcho é viado/Dá o cu onde o Grêmio estiver”
1 comentárioAnotações sobre o Santa 1 x 0 Grêmio
O Grêmio vinha invicto há 12 rodadas. Mas, meus amigos, caiu no Arruda se fodeu, como bem diz a massa coral. A retranca era feroz, mas aconteceu algo misterioso no estádio - Xavier, o chaveirinho resolveu soltar um canhão, um Exocet, e o tal Gallato ficou a ver somente a sobra do chimarrão - Santa 1 x 0. O árbitro da partida, o senhor Luis Antônio Silva Santos, deveria ser chamado para uma acareação na Polícia Federal. Resumindo: trata-se de um ladrão da pior espécie. O que esse Grêmio bateu, não está no gibi. À saída do estádio, euf’óricos com a vitória do Santinha, e embalados com a Sanfona Coral, encontramos o trio elétrico "Oxigênio", tocando o melhor do brega. Fiquei pensando: quem contratou o tal trio? Quanto custou? Até na saída do Arruda, tem gente lucrando com o espetáculo da vulgaridade que toma conta do nosso tricolor. Valença é um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro hoje. E o magro Rosembrik é craque da cabeça aos pés. Ontem ele deu um drible no zagueiro que até agora não entendi. São os mistérios do futebol. Vamos à luta. Vamos agora pegar o Santo André. O Carlinhos Bala está só na sua rede, descansando. Quando ele entrar em campo, vai ser Carlinhos Foguete. Inté.
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