Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de outubro de 2005

Fumanchu quer ser mascote

por Inácio França

Fumanchu, Nunes e Joãozinho. Qualquer tricolor de qualquer idade já escutou essa escalação de linha de ataque. Aqueles com menos de 30 anos ouviram dos mais velhos as histórias dos jogos e gols desse trio. Para nós que, mesmo crianças, tivemos a oportunidade de vê-los atuar nos anos 70, citar os nomes dos três, assim nessa ordem, é como declamar o derradeiro verso de uma poesia que nos remete às alegrias da infância.

Depois que essa figurinha amassada de futebol cards (só quem se recorda de futebol cards somos nós, torcedores com mais de 30) caiu de dentro de um livro, o Blog do Santinha decidiu resgatar um pouco da história de Luiz Fumanchu, um dos melhores pontas-direitas do futebol brasileiro daquela época.

Não foi difícil encontrá-lo. Fumanchu hoje é comentarista esportivo de uma rádio de sua cidade natal, a pequena Castelo, no sul do Espírito Santo, perto da fronteira com o Rio de Janeiro. Mas fácil ainda foi entrevistá-lo. Assim que me apresentei como um jornalista do Recife, ele se empolgou e me interrompeu: “E o nosso Santa Cruz, sobe para a primeira divisão, não sobe?”. Ele falou assim mesmo “nosso Santa Cruz”. E explicou que se considera tricolor.

Agora, vou dar voz ao ídolo, reproduzindo trechos da nossa conversa por telefone:

“Morro de saudades do Arruda. Tenho a maior vontade de voltar a entrar no gramado do Arruda, em dia de casa cheia. Bem que o Santa Cruz poderia promover um encontro daquele timaço que nós tínhamos: queria subir as escadas do vestiário com Givanildo, Ramón, Pedrinho, Nunes, Betinho…”

“Se o Santa subir para a primeira divisão, quero entrar em campo como mascote. Gostaria muito de dar um abraço no Giva. Quero ser mascote da torcida do Santa Cruz. Lembro que era uma torcida maravilhosa, alegre e apaixonada. O time entrava em campo embalado pela torcida nas arquibancadas. Queria reencontrar essa torcida que não me esquece, pois volta-e-meia estão me citando em pesquisas na Placar ou coisas do tipo”.

“No Arruda, não perdíamos. Nosso time matava os adversários no segundo tempo. O gramado do Arruda era fofo, mais fofo do que os gramados do Morumbi, do Maracanã ou do Mineirão. Aí, a gente cozinhava eles no primeiro tempo e matava no segundo, quando estavam todos cansados”.

“Tenho vários jogos na memória. Em 1975, a impresa carioca já considerava o Flamengo e o Fluminense como os dois finalistas do Brasileirão. Diziam que eram os dois melhores do Brasil. Então, num sábado com Maracanã lotado, a gente foi lá e sapecou dois no Flamengo, dois gols de Nunes. No dia seguinte, O Internacional enfiou três no Fluminense, com o Maracanã lotado também”.

“Eu tive duas passagens pelo Santa Cruz. A primeira foi em 1975, quando saí do Vasco e fui disputar o Brasileirão pelo tricolor. Voltei para o Vasco em 1976 e retornei para o Santa em 1977. Nesse ano, lembro que tínhamos um jogo importante contra o Palmeiras no Pacaembu. Ganhamos fácil, com dois gols meus e um de Nunes. Nesse jogo fiz um golaço de falta. Aí, a gente se complicou contra o Remo, pois tínhamos que ganhar por uma diferença de dois gols, mas o atacante do Remo, Mesquita, fez um gol no finalzinho da partida”.

Depois do Santa Cruz, Fumanchu foi contratado pelo seu time de coração, o Fluminense. Daí, passou duas temporadas no América do México e voltou para ser reserva do time do Flamengo campeão brasileiro em 1981. “Mas, aí eu já estava ladeira abaixo”, brinca o ex-jogador, que está com 52 anos. Fumanchu é pai de dois filhos e comanda um programa esportivo diário, das 11h às 12h, na Rádio Cultura, de Castelo. Que tiver interesse em ver alguma imagem atualizada do ex-ponteiro, deve ir no site www.culturafmcastelo.com.br ou então esperar que alguém aproveite a ótima idéia de reunir os antigos craques da década de 70 em dia de casa cheia no Arruda.

7 comentários