Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 15 de outubro de 2005

Análise isenta, racional e objetiva

por Inácio França Minha imaginação está de ressaca, impregnada do bom futebol e da alegria que se espalhou pelas ruas do Recife. A crônica fica para outro dia. Hoje vou fazer uma homenagem ao elenco tricolor, tomando como modelo aquelas avaliações que os jornais fazem, citando individualmente os nomes dos jogadores e, destinando para cada um deles, uma análise superficial, pretensamente objetiva e repleta de lugares-comuns. Vamos lá, um por um: Cléber: Desde que Birigui saiu do clube e Luiz Neto se aposentou, no final dos anos 80, que a torcida não confia tanto num camisa 1. Tudo bem que, nesse meio tempo, o time teve bons goleiros como Raul e Nilson, mas com Cléber é diferente. Agora, já não preciso encher o saco de meu filho repetindo “ah, bom mesmo era Birigui!” Ou então “Luiz Neto é que era fora-de-série”. Cléber já entrou para a história do clube e para a galeria imaginária dos grandes ídolos. Ontem, fez apenas uma defesa difícil numa bola num chute de fora da área, mas, se fosse preciso, ele estaria lá como as muralhas da China. Osmar: Nosso camisa 2 não é um craque excepcional, mas tem uma vontade que contagia o resto do time. Mesmo quando não está em seus melhores dias e não consegue apoiar bem no ataque, é seguro na defesa e não faz besteiras. Contra o Avaí, jogou muita bola desde os primeiros minutos da partida. Na minha opinião, foi o melhor em campo. Ah, é bem melhor que laterais consagrados como aquele Beletti, que está no Barcelona. Valença: Ô sujeito raçudo da peste-bubônica. Não sei se em outros times, como por exemplo no Real Madri ou na seleção, ele jogaria com a mesma aplicação. Afinal, é fácil perceber que nosso zagueirão tem um amor sincero e sem limites pelo Santa Cruz. Ontem, jogou como sempre. Roberto: Cá entre nós: Roberto é um ex-zagueiro em atividade. Vive se atrasando nas bolas rasteiras ou aéreas. Deve estar ansioso para se aposentar e virar auxiliar-técnico de algum treinador experiente. Cadê Adriano? Por que Adriano não joga??? Também jogou como sempre. Infelizmente. Já Carlinhos Paulista, com sua frieza, é o ponto de equilíbrio lá atrás. Peris: Melhor que Xavier, sem dúvida. Mais perigoso, é arisco e corajoso. De vez em quando, dá umas farrapadas na defesa, mas ontem se comportou muito bem, chegando a virar o jogo da esquerda para direita numas bolas que só craques sabem fazer. Neto: Se alguém lembra de ter visto esse sertanejo brincar ou fazer corpo-mole, favor avisar. Não é nenhum chef de restaurante grã-fino, mas sabe fazer o melhor feijão-com-arroz possível. Givanildo deve ter ensinado alguns segredos da camisa 5 para ele. Na partida contra o Avaí foi o melhor em campo (a análise é minha, o texto é meu e o blog é meu. Elejo quantos "melhor em campo" eu quiser). Andrade: A torcida vive pegando no pé do coitado. É bem verdade que ele fez algumas partidas medonhas, errando passe em cima de passe e sem conseguir marcar nem mesmo a própria sombra. Mas, o saldo do "Cabeção" é positivo. Ele é importante no desarme e, quando não está cochilando, ajuda na distribuição da bola para o meio-de-campo. E chuta forte que é uma beleza! Ele merece um alívio. Rosembrink: Sem comentários. Vale o que Samarone escreveu no texto anterior, logo abaixo deste. Também foi o melhor em campo contra o Avaí. Leonardo: Jogou sua melhor partida com a camisa coral. Se repetir as atuações e se poupar na vida extra-campo (para bom entendedor meia dose, ou melhor, meia palavra basta), estamos feitos. Pelo seu passado na coisa e pelo futebol meia-boca que ele vinha jogando, era para a torcida ter sido mais rigorosa, mas como Givanildo é o avalista, até que ele teve vida mansa no Arruda. Carlinhos Bala: Tá certo, muitas vezes o baixinho é fominha e faz uma jogadas destrambelhadas, mas graças ao seu ímpeto, sua coragem e sua cara-de-pau, as defesas adversárias vivem se complicando. Não tem cristão que jogue despreocupado com Carlinhos solto no ataque. Contra o Avaí, chegou a irritar numa bola em que Osmar passou solto pela direita e ele mandou a bola no vestiário dos juízes, mas acabou sendo o melhor em campo ontem à noite. Reinaldo: Foi o melhor em campo contra o Avaí. Vocês queriam o quê? O cara marcou três gols, não ficou um minuto sem se deslocar e não vai ganhar o Motorrádio? Lecheva: O sujeito de nome mais esquisito do futebol brasileiro (parece alguma espécie desconhecida de peixe do Oceano Índico) é bom de bola. Nos poucos minutos em que jogou, fez boas jogadas, bons passes e cruzou bolas com precisão milimétricas na área dos Catarinas.

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Momentos eternos no Arruda…

Por Samarone Lima Ir ao Arruda é algo misterioso, e tenho em mente que minha vida teria sido muito mais pobre se eu não tivesse vivido as emoções que já vivi naquele estádio, junto aos que quero bem e na companhia dos milhares de desconhecidos que são amigos de infância logo que começa o jogo. Alguns desses momentos foram vividos no jogo de ontem, a vitória maravilhosa contra o Avaí, por 5 x 1. Vamos lá: 1 Chego ao estádio com um ingresso a mais no bolso, pois a moça perdeu o horário. Saio por ali, oferecendo meu ingresso para alguém, como um cambista desajeitado que não inspira confiança. Depois de rodar feito um tabacudo, oferecendo um reles ingresso, resolvo dar um presente a algum tricolor liso. Olho, olho e nada. Não quero dar o ingresso a um liso, mas a um fodido, o cara que não teve, naquele dia, a mínima esperança de ver o seu clube em campo - e talvez há tempos não faça isso. Até que vejo um sujeito de uns 50 anos, com uma pequena banca de isqueiros, ali na rua das Moças. Caralho, o sujeito vendendo isqueiros numa sexta-feira à noite… "Quer assistir ao tricolor?", pergunto. Ele me abre um sorriso cristalino. "ôx, e não, é?" Dou o ingresso para ele. Arquibancada, que custa R$ 14,00. Ele me abre um sorriso e começa a recolher os isqueiros, apressado. Já esqueci de muitas coisas na vida, mas daquele sorriso não esquecerei. 2 Estamos com a Sanfona Coral, animadíssimos, cantando e sorrindo de tudo. Em um dos muitos gols do Santa, procuro os amigos para abraçar, mas ao meu lado, com a sanfona calada, está Chiló. Olho para ele, e vejo aquele sorriso de felicidade, dou um abraço no meu amigo, ficamos os dois comemorando. "É tricolor, porra", repete Chiló, quase chorando, em silêncio. A cerveja dos muitos tricolores ao lado voa em cima da gente. Eu, timidamente, protejo a sanfona. 3 Rosembrick é amado pela torcida. Ele sabe disso. Cada jogada maravilhosa, escuta um coro: "Ah, é Rosembrique!". Olho para o lado e dou uma de profeta: "Estamos assistindo as últimas partidas do Mago no Santinha". E me veio a impressão de que Rosembrick jamais vai esquecer isso. Foi no Santa Cruz que ele assumiu que era craque. Antes, ele apenas sabia, mas não tinha coragem de dar um drible seco só porque sabe dar um drible seco em qualquer lugar do campo. Daqui a pouco, muito pouco, levarão nosso Mago. 4 O juiz marca um pênalti escandaloso contra o Santinha. Um sujeito olha para mim, me dá um cutucão e diz: "Bota o telefone deste fila da puta no blog!". 5 Inácio quem viu, mas me contou, então vale. Depois do jogo, chegamos com a Sanfona no Amarelinho, e um sujeito que estava tomando uma cerveja olhou a sanfona, a animação, e parou tudo. Limitou-se a ficar beijando o escudo do Santinha, repetidas vezes, com os olhos marejados. ** Teria muitas cenas para relatar. Mas fiquemos com algumas, só para inspirar os leitores tricolores a nos mandarem seus "momentos eternos no Arruda". Que venha o quadrangular, com a final no Arruda… Em tempo: Acuso a melhor partida de Neto no Santinha, bem como um jogo incrível do nosso Osmarzinho. Além disso, é importante que Leonardo cresça, porque a experiência vai valer ouro nesta reta final.

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Mundo animal: o caçador de leões

Por Nunes, pseudônimo de um jornalista especializado em Esportes que volta a colaborar com o Blog depois de um chá-de-sumiço

Há pouco mais de quatro anos havia decidido comprar um cachorro. Moro em casa e precisava de um caboclo que tomasse conta do pedaço, sem, no entanto, ser um desses serial killers. Queria um cão que botasse respeito, mas fosse gente fina com o povo da casa, com os amigos.

Passei a pesquisar diversas raças e uma me chamou a atenção: Rhodesian Ridgeback. Não apenas porque preenchia os pré-requisitos acima, mas por um detalhe sensacional. O Rhodesian é uma raça de origem africana, utilizada para caçar leões. Não tive dúvidas: só podia ser um cachorro desses!

Barreto está prestes a comemora cinco anos, fazendo jus à origem da raça. Há uns dois anos, passou pela rua um elemento cantando o “cazá-cazá”. O meu amigo avançou em direção ao rubro-negro, partindo para o portão e latindo com uma fúria que me deixou orgulhoso.

Na foto, Barreto descansa após a conquista do título estadual, quando papou não apenas leão, mas também timbu, patativa e outros seres. Este é o momento Mundo Animal Blog do Santinha. Mande também a sua contribuição e… dá-lhe Santa!!!

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