Aos leitores e comentadores do Blog do Santinha
Amigos e amigas,
Em assembléia extraordinária realizada há pouco, por telefone, a direção intelectual e afetiva do Blog do Santinha resolveu que não vai ficar se preocupando com os comentários de baixo calão das torcidas adversárias neste espaço. Se os leitores quiserem ficar nessa lenga-lenga, rebatendo qualquer idiotice que escrevem, o problema não é nosso.
Nossa preocupação é com o conteúdo do blog, para que a torcida do Santa Cruz Futebol Clube possa estar sempre acompanhando, de forma poética e jornalística, a vida do Mais Querido. Os comentários são formas de interagir, e cada um interage com o que tem para dar ao mundo: Quem tem mel dá mel, quem tem fel dá fel.
Informamos que poderemos dar consultorias sobre o tema, já que parece estar faltando inspiração no mundo da Internet para os torcedores de outros clubes, que insistem em nos visitar diariamente.
Maiores informações, favor ligar para Inácio França (descasado, mas apaixonado por uma alvirrubra), no 3266.4612 ou para Samarone Lima (não-casado, mas comprometido com uma donzela), no 3265.0005.
Inté.
13 comentáriosPênalti se bate com raiva, meu amigo!
Por Samarone Lima Puta que o pariu, meus amigos, está difícil digerir aquele empate com o Grêmio Futebol de Regatas. Mas uma coisa eu realmente não entendo, e se tiver algum psicanalista entre os leitores deste blog, por favor me mande uma explicação plausível. Como é que um sujeito é jogador de futebol, está dentro de campo, o estádio lotado, seu time precisa da vitória de qualquer jeito e simplesmente recua um pênalti para o goleiro? Sim, amigos, uma recuada de bola. Um traque. O jogador Reinaldo deveria ser multado por ter feito aquela gracinha no momento mais dramático da partida. Um gol, naquele momento, era tudo o que o Santinha precisava, para enfiar mais dois gols. Eu precisava daquele gol, Inácio precisava, Ely, aqui do Poço, Seu Vital, Saulo, o Profeta, a Sanfona Coral, Billie Joe, o cachorro de Ely, Nana, K2, a turma que estava no Mercado da Encruzilhada, a multidão na Colosso e milhares de apaixonados pelo Santinha precisávamos daquele gol para deixar as coisas equilibradas. Hoje, amigos, estaria tudo no seu devido lugar. Cada clube com três pontos. Pra piorar, vou assistir ao Terceiro Tempo, com aquele chato do Milton Neves, o programa tem propaganda pra caralho, mas é o único de futebol no domingo à noite, eu não entendo certas coisas no Brasil, mas tudo bem. Daqui a pouco vejo os gols da rodada. O Corínthians, que tem uns trinta pontos à frente do segundo colocado, está perdendo de 1 x 0 e o juiz marca pênalty. Lá vai o Carlito Tévez, o baixinho Tévez, com aquela cara toda remendada de uma queimadura quando era pirralho, na longínqua Buenos Aires. O time é quase campeão, o estádio está cheio, ele poderia fazer uma gracinha, bater um pênalty estiloso, a la Reinaldo, porque entende do assunto, ele é daquele tipo de jogador que conversa com a pelota. O que fez o Tévez, aquele pirralho? Amigos, ele fez o óbvio. O baixinho correu e soltou um canhão para dentro do gol. Se o goleiro colocasse a mão, ela estaria aos pedaços, pendurada na rede, pelo lado de dentro. O goleiro correu e se escondeu atrás de um PM, com medo da bolada. Tévez soltou um foguete com raiva, com raça, com vontade de vencer, e saiu para o abraço. Chutou a bola com raiva do sofrimento quando era pequeno, das queimaduras, das pisas que levou do vizinho grandão, com raiva de alguma gaia que levou em Buenos Aires, há 15 anos, se vingou daquele professor de matemática que fodia a vida dele, mas chutou, acima de tudo, com vontade de vencer. Eu fiquei na cadeira, vendo a cena, as lágrimas ensopando a sala, lamento mas eu sou um torcedor emotivo mesmo. A única coisa que eu me perguntava: por que o Reinaldo resolveu ser coroinha da igreja justamente na fase final da segundona? O que mais me chateia nessa história toda é somente uma coisa – o futebol do Grêmio de Regatas. Tudo bem que o torcedor é um apaixonado pelo seu clube, ele sempre acha que seu time é o melhor, mas a gente sabe quando o time presta ou não. Lembro que Oswaldo, o nosso Titio, me disse uma vez que o Santa estava tão ruim, que ia a campo ver mais a cara da derrota. Mas ia ao estádio, como aqueles carneirinhos para o matadouro. O sujeito ter a coragem de estufar o peito e dizer que esse time do Grêmio é bom, pelo amor de Deus… Eu procuro uma tabela bonita no time do Grêmio, um lançamento à meia distância, um lençol, e nada. Procuro habilidade, algum toque de primeira, um driblezinho que se dá numa pelada, e nada. É força, força e força. Se eu fosse Givanildo, botaria um castigo para o Reinaldo – sessões de penalidade máxima, durante toda a semana, ao final de cada treino. Ele terá que bater 100 pênaltis por dia. Mas tem que ser com raiva, porque ele pensou que era craque e fodeu o time. Pênalty tem que ser batido com raiva, meu amigo, esta é uma teoria que tenho há muitos anos. Se o sujeito perder, a culpa foi do azar.
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