Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Novembro de 2005

Tarefa nota 10

Mila Moura tem apenas seis anos de idade, mas ninguém exagera se chamá-la de torcedora fanática. Na semana passada, a menina foi tomada pela mesma obsessão (frenesi, nervosismo, sei lá qual a palavra para definir aquela loucura que acometeu a todos naqueles dias que pareciam não ter fim) que tomou conta de toda torcida tricolor.

Numa singela tarefa de classe - ela é aluna da alfabetização do colégio Apoio, ali em Casa Amarela -, a menina não resistiu e escreveu o mesmo que nós, marmanjos e marmanjas, escreveríamos se alguém pedisse uma palavra escrita com R na véspera da decisão. Para não dizerem que o Blog do Santinha está inventando história, eis a prova aí em cima: a tarefa escolar da pirralha, enviada pelos pais Murilo e Maria Emília.

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Os caminhos da vitória - parte VII (final)

O cérebro por Inácio França e Samarone Lima Não adianta tentar arrancar de Édson Nogueira uma declaração de amor ao clube. É inútil esperar que ele demonstre euforia incontida após uma vitória consagradora como a de sábado, muito menos sofrimento atroz por causa de uma derrota. Vice-presidente licenciado do Santa Cruz, Édson é um profissional do futebol. Aos 61 anos “bem rodados”, foi preparador físico do tricolor na campanha do penta, de 1969 a 1974. Um ano depois já estava na Ilha do Retiro, trabalhando para ser campeão e tirar o time rubro-negro de uma abstinência de 13 anos de fracassos. Em 1977, foi escolhido o melhor preparador do Brasil, quando ajudou o Corinthians a conquistar o campeonato paulista daquele ano, depois de 23 anos sem títulos. De volta a Pernambuco, no final da década de 1970, deixou o banco de reservas e passou a trabalhar como executivo de futebol. Foi supervisor do próprio Santa, da coisa, da barbie, do finado Paulistano e do Central. “Isso tudo me deixou calejado, sei que a vitória é o céu e a derrota, o inferno. Prefiro manter a distância, o que me ajuda muito na hora de tomar decisões. Não sou torcedor, não vou a jogo, não vou a treino e não desço a vestiário para dar tapinha nas costas de jogador”, resume Edinho. Sem papas na língua, ele aponta o treinador Givanildo Oliveira e o presidente Romerito Jatobá como responsáveis pelas conquistas do clube, em 2005. O primeiro, por ter "blindado e unido o elenco", e o segundo, por ser o presidente. "O regime no clube é presidencialista e se as coisas aconteceram desse jeito foi porque tiveram o aval dele”, resume, deixando claro que, mesmo depois de se afastar, não tem ressentimentos. Sobre o presidente do clube, ele faz elogios, apesar de dizer que jamais voltaria a trabalhar com ele por causa dos temperamentos parecidos. Ao pedir licença da vice-presidência, a Imprensa local noticiou que Nogueira e Jatobá tinham divergências administrativas. Agora, ele dá mais detalhes sobre essas discordâncias: "É muito difícil você trabalhar nove anos num relógio suíço, como é o Grupo Votorantim (ele montou o time de futsal que foi nove vezes campeão estadual, oito vezes campeão Norte-Nordeste e revelou Manoel Tobias) e depois conviver com uma situação em que mais de 60 funcionários do clube estavam passando fome, com seis meses de salários atrasados. Não posso conviver com isso". Responsável direto pela contratação do treinador, com quem trabalhou no início da carreira de ambos no Arruda, Édson Nogueira acrescenta elogios ao time e ao próprio técnico: “Tivemos um ano de vitórias porque o time encarnou a tranqüilidade de Givanildo, que é um homem que sempre fala ‘nós vencemos, nós perdemos e nós empatamos’ e não ‘eu venci, nós empatamos e vocês perderam’ como fazem alguns treinadores”. Previsão de muita dureza em 2006 Nogueira diz que já está preocupado com o futuro do Santa Cruz em 2006. “Espero que os atuais responsáveis pelo Departamento de Futebol e o próprio presidente entendam que, além de colher os frutos do passado, é preciso saber que tudo o que ocorreu, já passou. É preciso ser frio e rápido para montar um bom time. Série A não tem moleza. Se a gente se complicar com o Flamengo, logo depois vem o Santos, depois o Palmeiras, aí vem o Cruzeiro e assim por diante. Não tem CRB, Anapolina e São Raimundo para recuperar pontos perdidos não!” As dificuldades, na sua opinião, já deverão começar no próprio campeonato estadual. E ele faz uma aposta ousada: para Edson Nogueira, no próximo ano os times do Interior serão protagonistas: “O campeonato será decidido nas partidas com os times do Interior. Eles estão se planejando muito bem. O Estudantes de Timbaúba, por exemplo, contratou Erandir Montenegro (técnico campeão pernambucano pelo Santa Cruz, em 1990) e o Ypiranga trouxe Leivinha (ex-barbie) para ser o técnico e os experientes Lima e Dário (ex-barbie e ex-coisa)". Ufa! Acabou a série.

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Os caminhos da vitória - parte VI

No meio do campeonato, o afastamento por Samarone Lima (texto) e Inácio França (edição) Depois da conquista do Estadual, o Santinha começou a jornada na Segundona. Se o clube ia bem nas quatro linhas, fora delas as coisas começaram a mudar. Rosemberg Rafael, que tinha passado pela agonia de 35 dias em coma, por causa de uma meningite, finalmente recebeu alta. Voltou a ir ao Santa, mas já não tinha o mesmo ânimo de continuar no Mais Querido. A questão da saúde pesou, mas ele já não se sentia tão à vontade para continuar o trabalho. “Eu não concordava com muita coisa que acontecia no Santa”, diz, sem entrar em detalhes. Para ele, o próprio nome “clube” já aponta para o tipo de trabalho a ser realizado, com muitas pessoas dando sua contribuição. “Quando começa a centralizar, dificulta muito. Um clube grandioso como o Santa, tem que ter a participação de todos. Isso eu realmente não senti”. Com o sentimento de estar incomodando, Rosemberg foi o primeiro a sair. Depois de Rosemberg, o Departamento de Futebol continuou com Fred Carvalho, Edson Nogueira e Sílvio Belém. Mas algo já estava diferente no Mundão do Arruda. Em 9 de agosto, após a classificação antecipada entre os oito melhores da série B, foi a vez do restante do Departamento sair. Edson Nogueira decidiu se afastar. Ele avaliou que não estava mais tendo condições de trabalhar no clube. Chegou no gabinete da presidência e falou: “Presidente, não dá para nós dois. Quero continuar sendo seu amigo, mas não dá mais”. (veja a entrevista completa com Edson Nogueira na próxima atualização do Blog) . Neste momento, Silvio Belém e Fred Carvalho também resolveram encerrar a participação no Departamento de Futebol. “Saí do Santa por questões éticas e morais”, conta Belém, sem entrar em detalhes. Ele reconhece que a saída foi um momento difícil, até porque o time já estava a caminho da classificação, na série B. “As desavenças administrativas foram aumentando, até que chegou ao ponto da ruptura. Nos sentíamos quase incomodando”, diz Fred Carvalho, sem também entrar em muitos detalhes. Mesmo afastados, eles não deixaram de ir aos jogos e ajudaram a empurrar o time de volta à série A. “O lugar do Santa é na Primeira Divisão. Espero que tenhamos a maturidade para ficarmos muitos anos por lá, até porque, dos 22 clubes que estão disputando o nacional, o Santa ficaria tranqüilamente entre os 13 primeiros”, avalia Fred. “O lugar do Santa é na elite do futebol brasileiro, de uma forma profissional e planejada”, destaca Rosemberg. Para Sílvio Belém, o jogo do Santa contra a Portuguesa teve aquele sabor do “agora ou nunca”, e o Santa mostrou que tinha um time realmente “de primeira”. Futuro engavetado Mesmo fora do Santinha, os ex-diretores torcem para que o clube passe pelas mudanças necessárias à sua modernização. “Esperamos um planejamento para que o clube saia dessa situação financeira. É fundamental perenizar a receita, ampliar a quantidade de sócios, conseguir patrocinadores regulares e explorar racionalmente o estádio”, coloca Fred. Ele destaca para a necessidade de uma vida social no clube, para que o torcedor freqüente não apenas em dias de jogos. Um exemplo simples, segundo ele, aconteceu logo após a conquista antecipada do Estadual, em março. Três dias após a conquista, o time entrou em campo para a festa, mas o torcedor não encontrava sequer um chaveiro para comprar de lembrança. “Na Primeira Divisão, temos que capitalizar isso. O Santa não é meu, não é seu, não é de ninguém, é de todos nós”. Rosemberg tinha também vários projetos a serem colocados em prática, mas que ficaram no caminho: a ampliação das parcerias, o fortalecimento do lado social do clube, organização da arrecadação, cobrança de sócios etc. “Um clube como o Santa é absolutamente viável. A forma de administrar é que está errada”, avalia. Ele espera que o clube se mantenha na Série A e que adote uma forma de trabalho profissional. “O Santa deve ser aberto para que todos participem e ajudem”, pondera. Sílvio Belém segue a mesma linha. Acredita que o mais importante, o acesso à Série A, já foi alcançado. O que falta agora é um bom planejamento, “com transparência e sem dúvidas”. Ele diz que há muitos anos o clube não vive uma fase tão boa. “Esse modelo tem que ser alterado. Temos reuniões do Conselho Deliberativo com quatro, cinco pessoas. É hora de se repensar o Santa Cruz. Se a direção fosse agregadora, todo mundo estaria lá dentro, contribuindo”, finaliza. "Foi um grupo que trabalhou em total harmonia. É um grupo que se respeita muito e são, todos, acima de tudo, de uma lealdade canina ao trabalho, acima de qualquer coisa", destaca Edson Nogueira a respeito do ex-integrantes do Departamento de Futebol. Na foto, Rosemberg Rafael

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