Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 1 de novembro de 2005

Convocação geral: todos ao treino!!!


São 14h40min de terça-feira e o Blog do Santinha acaba de receber um telefonema do Renato Arruda, gente boa da Coralnet. Ele me avisa que, via orkut-e-sei-lá-mais-o-quê, um grupo de torcedores começa a organizar uma manifestação de apoio ao time. A turma da Coralnet resolveu assumir a paternidade do negócio, que será amanhã às 8h30min, no Arruda, durante o coletivo. Ou seja, vamos deixar para ir à praia no domingo e a visita ao cemitério para ver o túmulo da vovó terá de ser adiada para o próximo ano.

Transcrevemos abaixo a íntegra da notícia publicada pela Coralnet.

“Nesta quarta-feira, feriado nacional, um grande grupo de torcedores corais é esperado nas arquibancadas do Arruda para acompanhar o treinamento coletivo, que será realizado às 8h30, e apoiar a equipe do Santa Cruz.

A mobilização está sendo vista com bons olhos pelos atletas, que esperam ter a torcida ao seu lado nos próximos desafios pela Segundona.

Portanto, se você é tricolor e não desistiu da vaga para a Primeira Divisão, programe-se, junte os amigos, chame a família e vá ao Arruda aumentar a corrente positiva.”

CONFIRMADO: A SANFONA CORAL VAI MADRUGAR E ESTARÁ PRESENTE NO COLETIVO DE AMANHÃ PELA MANHÃ.

15 comentários

Dois desabafos, uma dor

primeiro texto: por Nunes, jornalista esportivo que usa esse pseudônimo para manter a imagem de imparcial Quando vi, no final do primeiro tempo, Reinaldo trocando camisa com o zagueiro do Grêmio a lembrança me trouxe uma história da época de criança. O Cruzeiro, um time de pelada de uns amigos da Cidade Alta, em Olinda, tinha um atacante, até bom tecnicamente, mas frouxo de dar dó. Antes da bola rolar no monumental campo de Seu Reis, o cara conversava com o zagueiro adversário nos seguintes termos: "Tô dando uma festinha lá em casa hoje à noite. Você sabe, né? Tenho duas irmãs lindas. Pega leve aí que à noite te apresento a elas". Não sei se o objeto de troca no Arruda era a camisa do time gaúcho, mas que é constante a pipocada do nosso atacante diante dos foiceiros do Rio Grande, disso não há dúvidas. Muito antes daquela cobrança ridícula de pênalti, já estava rouco de tanto gritar da arquibancada cobrando raça de Reinaldo, isso quando era possível enxergar o cara em campo, de tão escondido que ele estava. Virar artilheiro fazendo dois ou três gols quando se pega um pato morto é muito fácil. Não vou nem falar do recuo que ele deu no pênalti. Samarone já disse o que tinha de dizer. Até mesmo porque perder pênalti não é o pior dos pecados. Ser omisso, negar raça, sim. segundo texto: por Manoel Valença, neto do compositor Raul Valença, autor do hino oficial do clube O que vocês estão lendo não é um texto jornalístico, bem escrito como de nosso brilhante Samarone ou até tão interessante como de meu grande amigo Geraldo, que com sua Zabumba, embala a Sanfona Coral. O que está aqui escrito é puramente um desabafo, de um tricolor que a dois dias não consegue dormir e nem pensar em algo que não seja o jogo de sábado. Irmãos tricolores, tá doendo muito esse resultado contra o Grêmio. Até porque, os mesmos deuses do futebol que empurraram um time limitadíssimo como o que nós tínhamos em 1999 a subir inexplicavelmente à primeira divisão, parecem estar querendo dessa vez nos deixar na segundona. Quem não se lembra de Santa x Goiás, onde deram 2 pênaltis pro Santinha e pasmem vocês, os dois entraram ( mostrem esse texto a Reinaldo, por favor ). Agora, quando temos um pênalti ao nosso favor, a sensação que eu deveria ter de que vamos marcar um gol dá lugar a uma aflição sem fim, que só termina quando a bola infelizmente não entra. Mas, a agonia aumenta quando vejo um timinho de Barbies, que durante várias rodadas, foi lanterna da primeira fase, perdeu seu craque Kuki ressurgir do inferno e se tornar uma real e terrível ameaça, uma enorme pedra no nosso caminho. Amigos tricolores, eu não consigo imaginar como seria se nosso Santinha caísse diante dos alvi-rosas. Seria um jogo que eu não teria medo normalmente, pois, mesmo com esses tropeços, ainda considero o Santinha infinitamente superior , mas, quando lembro das duas últimas rodadas, volto a ver a dura realidade imposta pelo esporte bretão, nem sempre o melhor vence. Assim, meus amigos tricolores, mesmo os que não me conhecem, arranjem uma palavra amiga, uma previsão astrológica, uma carta de tarot, uma premonição, qualquer coisa que seja que possa, enfim, aliviar o medo e a desolação que muitos estão sentido nesse momento. Sei que ainda não precisamos estar desesperados e, gostaria de terminar meu pequeno desabafo falando que, nas duas noites que praticamente não dormi fazendo contas, imaginando combinações de resultados e lembrando de um fatídico pênalti irresponsavelmente cobrado, sonhei acordado com o nosso mais querido dando duas lapadas na barbie e se classificando dando outra lapada no Grêmio em pleno Olímpico. Sonhar, com nosso time ainda é possivel e, se os jogadores estiverem sentindo o mesmo medo e angústia que eu estou sentindo, garanto que vão treinar 1000 cobranças de pênalti por dia e nossos zagueiros vão passar dois dias inteiros cortando cruzamentos.

10 comentários

Em silêncio

por Inácio França Só hoje recuperei as forças e a disposição para escrever. Ontem pela manhã, segunda-feira, dois dias depois da partida contra o Grêmio, acordei tão mal que a alvirrubra que ocupa meu coração ficou cabreira: "Estou preocupada com você. Está tão abatido. O que houve?" Desconversei, disse que era cansaço, saudades dos filhos e coisa e tal. Não sei por quê, mas deu vergonha de admitir que toda aquela tristeza era provocada pelo resultado de uma partida de futebol. Faz tempo que não vivia tamanha dor na arquibancada do Arruda. A impotência da torcida transformou-se em silêncio no instante do último apito do juiz. Ao meu redor, a ilusão desfeita nos olhares, o desalento no gesto de retirar do ouvido os fones dos rádios de pilha. À minha esquerda, alguns degraus abaixo, um gordinho simpático, sorridente antes do jogo, olhava a pequena área vazia, exatamente no ponto onde o goleiro gremista pegou a bola mansinha tocada de leve por Reinaldo. Outro sujeito, de óculos, repetia que, de longe e sem repeteco, ainda não tinha compreendido o gol que levamos: "só vi que os homens de azul subiram para cabecear". Foi isso mesmo: os meninos tímidos de camisa branca, com uma lista preta e outra vermelha, ficaram quietinhos no chão. Ali, no cimento ainda morno, entendi que lágrima de sanfona é o silêncio. Lentamente, mais do que de costume, o estádio foi ficando vazio. A torcida empurrada de volta à realidade, de volta ao sofrimento que fez tanto estragos em nossa alma nos últimos anos. Do lado de fora, na beira-canal, a tristeza de uma multidão se arrastando. Durante dois dias, me recusei a voltar à vida, insistindo em me perguntar se era verdadeira a impressão que o time (exceto o Bala) entrou com medo do Grêmio ou qual a contribuição de Leonardo no ataque tricolor. Agora, não tem jeito, deixemos de coisa e cuidemos da vida. Na foto acima, na escassa luz do final de tarde, a saída da torcida pela avenida beira-canal.

3 comentários