Sábado, o dia que não chega nunca
Por Samarone Lima
Amigos corais,
Não sei se vocês estão passando pelo mesmo fenômeno social, urbano, afetivo e psicológico, mas o fato é que sábado se tornou o dia que não chega nunca. Explico: desde o último jogo, aquele empate com sabor de tragédia, meu calendário se alterou. O domingo se tornou imenso, já envelheci dez ou doze anos na segunda-feira, muitas coisas aconteceram nos dias seguintes, e quando olhei na agenda de hoje, agora há pouco, percebi algo inacreditável: ainda estamos em 3 de novembro de 2005, uma quinta-feira.
Não, amigos, o sábado do tricolor se tornou uma eternidade e mais dois dias. Eu saio, resolvo milhões de coisas, bebo com os amigos, vou dormir, acordo, e parece que o sábado sumiu do mapa da humanidade.
Agora pergunto aos amigos leitores: qual o dia mais importante para qualquer ser humano que torce pelo Mais Querido?
Vai mais uma pergunta: quando é que este sábado, 5 de novembro, vai raiar no Recife? Melhor: quantos milênios vamos ter que esperar, até que o juiz apite, dando início ao jogo contra o time da Rosa e Silva?
Eu respondo também – nós, tricolores, vamos chegar ao Aflitos já com os cabelos brancos. Saulo, o Profeta, vai chegar de cajado e tudo mais. Joãozinho Peruca vai estar até com aquela careca, típica dos 50 anos. Nana estará com seus 180 quilos. Muitos dos meus amigos chegarão com filhos já adultos, porque o tempo passou.
Quando nos encontrarmos à entrada dos Aflitos, o cumprimento natural deve ser:
“Puxa, K2, há quantos anos que a gente não se encontra num estádio, né?”
E K2, com sua bengala, com aquele sorrisão leso, com a sua dinissima esposa e cinco filhos corais.
E vamos relembrar aquele jogo contra o Grêmio de Regatas, muitos anos atrás, um empate que teve gosto de derrota, mas acabou sendo o motivo da redenção coral, uma arrancada fulminante rumo à classificação.
Sábado. Por mim, esta semana nem teria sexta-feira. A gente dormiria hoje e já acordaria no sábado, que seria amanhã. A sexta-feira, por sinal, vai ser apenas um problema a enfrentarmos.
Sábado é tudo na vida de um tricolor.
E não é por nada, mas há pouco, seu Vital atendia uma mesa na esquina. Dois timbus ficaram cantando vitória. Ele, que não discute futebol com ninguém, é um tricolor quieto, arregalou os olhos e falou com raiva:
“Pois o Santa Cruz vai botar três a um em cima do Náutico”.
Olhou mais enfezado e repetiu:
“Três a um, entendeu?”
Parecia um profeta.
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E todos convidados à casa de Joãozinho, para a tradicional feijoada pré-timbu, que vem nos dando sorte e “sustança”.
Arruda, 1981
Eis a penúltima das nossos fotos históricas pertencentes ao acervo do Diário de Pernambuco. Quando esta foto foi tirada (provavelmente o fotógrafo usou uma lente grande angular e se posicionou no lance das arquibancadas superiores por trás do gol do canal), faltavam poucos meses para a reinauguração do estádio, que aconteceu em agosto de 1981 (ou 1980?) com um torneio início vencido pelo Central. O estádio ficou lotado e, durante a festa, um boato gerou pânico e dezenas de pessoas se machucaram na correria. A construção com dinheiro público emprestado pelo Bandepe endividou o clube pelos anos seguintes.







