Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 11 de novembro de 2005

Treino com diversão, música e alegria


Apoio ao time, forró e alegria. Um bocado de gente foi ao Arruda dar apoio ao elenco no último treino antes do clássico de domingo. O alto astral dos jogadores, ainda na preleção antes do coletivo, se juntou à alegria das sociais, onde a turma da Coralnet, o pessoal da Inferno Coral, a redação completa do Blog do Santinha, a Sanfona Coral e centenas de tricolores que simplesmente atenderam ao chamado da paixão e foram lá para, além de testemunhar o treino, cantar e gritar os nomes dos atletas. Havia gente de gravata, estudante matando aula, bebê de chupeta no colo da mãe, professor em intervalo de aula, consultor das Nações Unidas em hora de folga…

Como foi o treino? Ora, escutem resenha de rádio ou leiam nos jornais, afinal não temos compromisso com a objetividade. Esse blog nasceu para tratar das coisas que andam na alma e pelos corações tricolores.

Em tempo: Givanildo sorriu novamente.

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Uma sanfona para nossos corações


Acima, reprodução da página da revista Placar (edição de novembro) com reportagem sobre a Sanfona Coral

Por Samarone Lima

Amigos tricolores,

No último jogo contra o Náutico, nos Aflitos, vi uma cena que se tornou comovente. No meio de uma multidão, perto do estádio, enquanto cantávamos felizes a nova versão do Hino de Pernambuco, comandados pela Sanfona Coral, um PM da tropa de choque, um cara imenso e sério, com um bigode também imenso e sério, abriu um sorriso de canto a canto. Ali, ele se desarmou. Deixou que a beleza da música entrasse em sua alma. Por instantes, por alguns minutos, aquele homem deixou de ser um policial, um sujeito preparado para bater sem perguntar, e sentiu algo parecido com a alegria.

Falo isso porque a torcida do Santa Cruz, de uns tempos pra cá, vem fazendo algo que muitas torcidas têm esquecido: está levando alegria a todos os cantos por onde passa, sob o comando do nosso sanfoneiro Chiló. É uma alegria tão boa, tão simples, que até um PM da tropa de choque se deixa, por alguns momentos, invadir pela beleza.

É uma alegria que aproxima as pessoas, que agrega, que une, que atrai coisas boas. No dia de jogo, de cada jogo, temos agora uma festa, que começa muitas horas antes do apito do juiz, e não tem hora para terminar. Passamos por bares, mercados, andamos pelas ruas cantando e sorrindo, entramos em cabeleireiros, lojas de DVD, lanchonetes. Ah, amigos, feliz de uma torcida que anda pelas ruas, cantando e sorrindo, de bem com a vida…

Esta pequena louvação à Sanfona Coral tem um motivo especial. Cada vez que vejo as torcidas se agredirem, se odiarem, alimentando raiva e rancor, cada vez que algum torcedor morre por causa do ódio que nutrem pelos adversários, todos nós perdemos muito. Por mais que tiremos onda com os rubronegros, com a coisa, por mais que tripudiemos em cima dos timbus, das barbies, acredito que não passa pela cabeça de nenhum de nós agredir o outro somente porque torce pelo time adversário. Cantar e tirar onda é uma coisa, descer o cassete numa pessoa, é realmente o fim da picada, o lado mais sombrio do futebol.

Então vejo que estamos levando uma mensagem de paz aos estádios. É uma besteira, mas quantas besteiras importantes não fazem a vida ser melhor, mais plena, mais humana? Muitas torcidas que vão com bombas para as arquibancadas. Vamos com uma sanfona, uma zabumba, um triângulo e um ganzá. Muitas torcidas espancam qualquer pessoa que passe com a camisa do time adversário. Nós, cantamos uma paródia de uma canção, sorrimos, e a deixamos passar.

Quantos amigos rubronegros tenho? Alguns. César Maia, Giba, Ivanzinho, Silvinha, por aí vai. Não consigo sequer imaginar essas pessoas serem agredidas por estarem usando a camisa do seu clube, como tem acontecido em tantas cidades do Brasil. Eles erraram na vida, é preciso, isto sim, o exercício do perdão. Quantos amigos timbus tenho? Alguns. Walter Barba, Barreto, Felipe. São pessoas que bebem comigo, que convivem comigo, são amigos que torcem por outro time, e se escolheram o timbu para torcer, tenhamos compaixão. O único erro, claro, é quando eles querem que os filhos e sobrinhos sigam no sofrimento, percam o caminho da beleza, que é a torcida do Santinha. Então, a obrigação de cada tricolor é levar o sobrinho, filho de rubronegro desleixado, ao estádio. É dever de casa comprar uma camisa do Santinha para o filho do vizinho que está querendo torcer pelo timbu.

Lembro das horas antes do jogo contra o Grêmio de Regatas, no Mercado da Encruzilhada. Quando cantamos o hino do clube, na “versão Chiló”, o mercado veio abaixo. A Sanfona foi ovacionada por um mercado inteiro! Acho que Chiló já teve muitas emoções na vida, mas o sujeito ser ovacionado em um mercado do Recife, em plena manhã de sábado, haja coração!

Então, para este ano tão especial, quando finalmente voltamos a ser campeões, diria que chegou uma sanfona para nossos corações.

Nós que queremos somente que nosso clube seja um clube democrático, com eleições honestas e sem sócios fabricados, para que possamos ajudá-lo a sair da crise financeira e gerencial que se encontra; nós que sonhamos com um clube moderno, acessível a todos, com prestação de contas do dinheiro que colocamos lá dentro; nós que queremos somente torcer com alegria e fazer festa; nós que gostamos de nos juntar, de celebrar, de ir juntos aos estádios, levando as pessoas que amamos; nós que acreditamos que é possível torcer pelo nosso clube sem machucar nem agredir nenhum adversário; nós que sonhamos com uma polícia que nos proteja, e que não precise usar cavalos para controlar multidões; nós que ficamos loucos de felicidade quando a rede balança, e o Santinha faz mais um gol; nós que temos um blog para desaguar nossa paixão; nós que sentimos algo estranho, quando nossos jogadores entram em campo e o Arrudão fica enlouquecido…

Nós ganhamos uma sanfona para nossos corações, e não é preciso muito esforço para perceber que estamos levando aos estádios e ao futebol uma pequena e modesta mensagem de paz, de convivência e alegria.

É pouco, mas é muito.

Para o Chiló, Gerrá, Alessandra e Robertinha, pelos momentos inesquecíveis de 2005, especialmente Porto Alegre.

E para o meu amigo Inácio França, que toca comigo o delicioso e cada vez mais instigado Blog do Santinha.

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Quem é quem no time de 1917

O time, segundo a legenda da própria foto é: Américo, Pitota, Tiano, Tasso e Anísio, em pé, lá em cima. Mendes, Teófilo e Manoel Pedro, agachados, no meio. Jorge, Ilo Just e Mangabeira sentados, embaixo. É fácil verificar que a sequência impressa não é exatamente essa, mas como o goleiro (de camisa clara) desse time era Ilo Just, é fácil deduzir que o segundo citado na legenda é o segundo sentado, mais abaixo da foto. Ou seja, na época em que a foto foi publicana (final dos anos 60) a ordem da publicação se dava de baixo para cima. O tricolor que nos enviou esse material, Rodrigo Salgado, informa que as fotos foram extraídas dos fascículos Conheça o Santa Cruz, publicados em 1969 por ocasião do aniversário de 55 anos do clube. Nota da redação: Meu avô, que era rubro-negro, contava que Pitota e o goleiro Ilo Just foram os primeiros ídolos da torcida tricolor. Pitota, depois de largar o futebol, fazia exibições em times das usinas, provavelmente recebendo alguns trocados por isto. Meu avô o viu jogar em partidas no campo da usina Tiúma, em São Lourenço da Mata. (Inácio França)

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