Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de novembro de 2005

Lições do amor de mãe

por Mônica Crisóstomo Johnston, jornalista, repórter do Jornal do Commércio Dizem que amor de mãe é o maior do mundo. Eu concordo e vou explicar os motivos. Desde que cheguei ao Recife, em 1995, fui apresentada ao futebol pernambucano pelo meu pai, o irlandês mais brasileiro que eu conheço. Morávamos na Boa Vista e ele se apaixonou pelo Sport. E obviamente, levou os três filhos para lá. Como éramos ainda pequenos acabamos "sendo levados" pela onda. Virei rubro-negra. Ele nos levava para os jogos, matriculava a gente em atividades esportivas por lá e tudo mais que tinha direito. Bem.. eu cresci.. casei…. tive filhos e aí minha vida mudou. Mudou para melhor é preciso dizer logo! Meu marido é tricolor (daqueles de corpo e alma mesmo)…. mas por mais que ele tentasse me convencer a mudar de lado, eu sempre ligada às minhas memórias de infância, resistia. Mas aí meu filho primogênito nasceu. Matheus sempre foi um menino muito decidido e desde pequeno mostrou a que veio. Aos três anos, quando perguntavam para que time ele torcia, lá vinha a resposta: "pelo time da cobrinha"! E o tempo passou, o menino cresceu e as cobranças também. Ele vivia perguntando porque a "mamãe torce pelo Sport se as pessoas que ela ama tanto são tricolores?".. eu pigarreava de um lado…. tossia de outro e ia levando. A marcação aumentou a medida que ele crescia e seu poder de argumentação ficava cada vez mais apurado. Seu amor pelo Santa entusiasmava. Era mesmo bonito de ver a devoção com que ele assistia aos jogos, ria, chorava e colocava para fora todas as suas observações. Um belo dia, faltando algumas semanas para o Natal de 2004, ele veio com a seguinte pergunta: "Mãe, sabe qual o meu maior desejo para 2005? O presente que eu mais queria ganhar?" Meu primeiro pensamento foi: "agora lascou… estamos pagando apartamento e ele vai dizer que quer uma coisa daquele tipo que dá medo até perguntar o preço ao vendedor…" gelei… e perguntei timidamente, com direito a dedo cruzado e tudo mais. "O quê filho?" A resposta dele foi responsável por uma das principais mudanças de minha vida. "Eu queria que tu virasse tricolor. Por favor, mãe. Nossa família precisa que você seja tricolor para a felicidade ser completa". A essa altura do campeonato a minha filha caçula já estava com sete meses e não teve escapatória, para evitar as más influências, o irmão repetia todo dia para ela: Alanah é tricolor, tricolor… e tome a cantar as músicas do Santa para a pirralha. Bem, voltando ao pedido. Fiquei sem ação. Confesso que já torcia caladinha pelo Santa porque adorava ver Matheus com os olhos brilhando de felicidade. Mas agora, havia chegado a hora de oficializar a viração da casaca. E foi em grande estilo. Em um domingo, vesti a camisa do Santa do meu marido, Pedro, e avisei. Vamos ao jogo hoje e a mamãe vai torcer pelo Santinha. E ele perguntou "pra sempre?". Quando eu disse que sim, ele deu um dos sorrisos mais lindos que já vi na vida! Enfim, a família estava devidamente unida também no futebol. Desde então, a festa tem sido grande a cada jogo, a cada evolução. Hoje, tenho certeza de que fiz a melhor opção. Tudo começou pelo amor ao meu filho e evoluiu com a admiração e respeito a esse time de guerreiros. Sim, eu também sou uma tricolor de corpo e alma. E com orgulho! Esse da foto ao lado e meu filho Matheus, tem oito anos (mas faz nove no próximo dia 20). Alanah tem apenas um ano e meio e não pode ouvir falar em nenhum Carlinhos que de imediato ela emenda um sonoro: BALAAAA! Nota dos editores: o Manual de Redação e Estilo proíbe o uso dos nomes dos outros times locais, mas como o texto de Mônica está tão bom, mas tão bom mesmo, que deixamos do jeito que ela escreveu.

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Bajado, artista tricolor de Olinda


A tela de Bajado foi reproduzida pelo fotógrafo Passarinho, da prefeitura de Olinda, e as informações sobre o pintor foram repassadas pelo designer gráfico Anízio Carlos, que também tomou a iniciativa de nos enviar esse material

Bajado (Euclides Francisco Amâncio), artista olindense de estilo primitivo ‘näif’, foi bilheteiro do Cine Olinda e pintava o carnaval, os ritos religiosos, o casario da cidade alta, a cultura popular da cidade.

Uma de suas paixões era o tricolor pernambucano, retratado em várias pinturas. Esta e outras obras de Bajado estão em exposição no Palácio dos Governadores, atual sede da Prefeitura de Olinda.

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