Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 17 de novembro de 2005

Túnel do tempo: o time de 1919

Na véspera do jogo decisivo contra o Grêmio, regressamos ao passado para conhecer o time do Santa Cruz Futebol Clube que disputou o campeonato pernambucano de 1919. No alto, da esquerda para a direita: Anísio, Miranda, Tiano, Pitota e Eurico; no centro: Zé Castro, Lacraia e Manoel Pedro; agachados: Bebé, Ilo Just e Mangabeira. Essa foto foi enviada por Rodrigo Moura Salgado e foi extraída do primeiro fascículo da coleção Conheça o Santa Cruz, publicado em 1969 por ocasião do 55º aniversário do clube.

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A Sanfona quer dinheiro…

Aos empresários tricolores (ou não),

empresas interessadas em visibilidade previamente assegurada por meio de reportagens especiais no Jornal do Commércio (Recife) e na Rede Globo (nacional), favor procurar os músicos da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral, que procuram patrocínio de última hora para obter de 3 a 5 passagens aéreas para Porto Alegre no corujão de sexta-feira.

O apelo se faz assim, de última hora, porque os contatos estabelecidos anteriormente simplesmente não deram o retorno esperado. O contato pode ser feito por meio de Samarone Lima, pelo e-mail samalima@gmail.com

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Sou feliz porque sou

por Laércio Portela, jornalista, foi secretário de Comunicação do Min. da Saúde na gestão de Humberto Costa e hoje trabalha como free-lancer em Brasília (acima, numa foto no ano 2000) Eu já ouvi mil histórias de como os meus amigos se tornaram tricolores. Um tio que os levou para ver o primeiro jogo. Um irmão mais velho. Um vizinho que era apaixonado pelo Santa. O pai. O pai é sempre uma grande referência. E a verdade é que eu sempre busquei na memória esse momento mágico. O dia em que acordei, definitivamente, tricolor. Durante anos vasculhei minhas memórias da infância em busca do meu big-bang. E nada. Minha família é pequena e não tem ligações realmente importantes com o futebol. Tenho dois tios mais próximos. Um não gosta e não torce. O outro é alvirrubro. Meus vizinhos de infância? O pessoal da rua e do colégio? Não recordo de nada marcante. Quanto ao meu pai, esse sim gostava de futebol. Era mineiro e torcedor do América. “Ameriquinha”, na verdade. Era assim que ele tratava com carinho o seu time na troca de carta com amigos que deixou na sua Minas Gerais. Mas meu pai faleceu quando eu sequer tinha completado um ano de vida. Engatinhava nos meus inocentes 11 meses de fralda. Dia desses, minha mãe me falou que ele, um homem de esquerda e admirador dos movimentos das massas populares, gostava do Santa e que ela me contou isso quando eu era criança e me incentivou a seguir esse caminho. Não estou certo disso. Me pareceu que ela queria me dar aconchego. Me ajudar nessa busca sem fim. E encontrou um jeito bonito de fazer isso. O que pode ser mais valioso para um filho do que a memória do pai? De se saber continuando os passos do pai? Mas mãe é mãe e ela quis me ajudar. Quis me dar esse presente. Mas, pelo que me lembro, fui eu quem a fiz gostar do Santa. Fui eu quem trouxe o Santa para nossa casa. E, por tabela, encantei alguns primos meus. Hoje, temos uma legítima linhagem tricolor na família. Outro fato curioso é que grande parte (quase todos) dos meus amigos de infância torciam pelo Sport ou pelo Náutico. Sabe como é, colégio de classe média na década de 70 e começo dos 80. Eu me lembro bem que aos 12 anos já me aventurava a ir sozinho para o Arruda acompanhar os jogos do Santa. Ia andando, de Parnamirim, ali próximo do Hospital Agamenon Magalhães, no começo da Estrada do Arraial, até o Mundão do Arruda. Para desespero da minha mãe. Só passei a ir com amigos para os jogos algum tempo depois. Amigos que eu fiz nas peladas de rua. E que dividiram comigo muito das primeiras alegrias que o Santinha me deu. Hoje, depois de tanto pensar, de tanto procurar o meu primeiro momento, o meu dia D, o dia em que me enamorei definitivamente do Santa, é que percebi a verdade, o porquê dessa lacuna: é que eu nasci tricolor. Eu não precisei de vizinho, de amigos, de família… Não tive um lance, um gol, ou um ídolo fundador da minha paixão. Eu simplesmente sempre fui tricolor. Já vim ao mundo assim, predestinado. Tenho 35 anos e os amigos de minha idade lembram quando seus pais os levavam para ver o vitorioso Santa da década de 70, anos do nosso glorioso pentacampeonato e da disputa da semifinal do Brasileirão. Mas esse Santa eu pouco conheci. Pouco ou nada me recordo desse tempo. Não tinha quem me levasse ao campo. Eu comecei mesmo a ir para os jogos do Santa no começo da década de 80, do tricampeonato do Sport. Dessa época eu me lembro. Das brigas no colégio com os rubro-negros eu me lembro. E como me lembro. E o que me faria optar por aquele caminho de dor e confronto? O que me faria ser quase que uma voz solitária na minha sala de aula a defender o meu time, contra tudo e contra todos, se eu não fosse um tricolor de nascença? Um legítimo e puro tricolor de nascença. É isso o que eu sou. Um torcedor incondicional. Um apaixonado. Eu nasci assim. E, se não tenho um momento-fundador do meu amor, guardo como lembrança a recordação dos meus primeiros encontros com o Santinha. Quando, moleque, sozinho, bandeira de baixo do braço, passo acelerado (numa combinação da ânsia de chegar logo ao estádio e do medo de ser assaltado), eu ia pela Rua Cônego Barata, na Tamarineira, sorrindo por dentro, cantando por dentro esse canto sem fim: Tri-tricolor, tri-tri-tri-tri, tricolor. Sou feliz porque sou tri, tricolor, tri-tri-tri-tri, tricolor… Nota dos editores: desde que lançamos o Blog do Santinha, aguardávamos por um texto desse sujeito, mas não sabíamos que ele nem ao menos conhecia o Blog. A partir de agora, Laércio será um dos nossos colaboradores permanentes.

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