Multidão no coletivo
Duas mil, quiçá três mil pessoas foram acompanhar o último treino do Santa Cruz em 2005. A perplexidade era inevitável para quem chegava às sociais do estádio José do Rego Maciel e se deparava com os bandeirões, famílias inteiras, vendedores de picolé, banda de frevo, Sanfona Coral, gritos de apoio ao time, paródias feitas de improviso e todo aquele burburinho típico dos momentos de festa popular.
Dois sentimentos eram quase visíveis a olho nu: o nervosismo mal contido, que se deixava revelar em frases do tipo “não pense que vai ser jogo fácil não”, e aquela rara sensação de quem testemunha um momento especial, provavelmente histórico, e por isso leva para um treinamento coletivo pôster do time tricampeão pernambucano de 1971 ou uma camisa “da sorte” guardada há décadas no fundo da gaveta.
Como alguém já disse aqui no Blog, a torcida tricolor não é do Santa Cruz, a torcida tricolor é o Santa Cruz.
11 comentáriosClima de festa no Arrudão!!!
Flash direto do Arruda, enviado pelo editor do Blog do santinha, Inácio França. Tricolozada, o coletivo segue firme no Arruda, os titulares vão ganhando de 1 x 0, com gol de Reinaldo. Nas arquibancadas, a torcida faz uma festa dos diabos. Segundo Inácio, temos entre 2.500/3.000 pessoas dando força ao time. "É clima de festa e apoio ao time", informou o editor do Blog do Santinha. A Sanfona Coral acabou de puxar o fole (o sanfoneiro Chiló atrasou). Há faixas, bandeiras, adultos, crianças, velhos, uma orquestra de frevo e muita animação. A qualquer momento, mais novidades. Quem estiver longe do Recife, vai o aviso do Blog do Santinha: ainda dá tempo comprar a passagem. Ver o Santinha campeão da série B, no Arruda, não tem preço.
10 comentáriosSaudade do presente
Por Samarone Lima Amigos corais, Ainda tenho guardado, junto com dezenas de outros ingressos, o bilhete eletrônico do fatídico jogo Portuguesa x Santa Cruz, realizado dia 22 de outubro, no Canindé. Todos os tricolores, de norte a sul do planeta, sabem que levamos uma goleada, que voltamos para casa com o sentimento do inexplicável nos rondando. Foi a primeira grande aventura da Sanfona Coral, e escutei um bafo azedo dizer que a Sanfona era pé-frio. Por pouco, não perdi as estribeiras. Pois bem, o tempo passou. Por arte do destino, o mesmo sanfoneiro Chiló veio aqui em casa, na terça-feira, me trazer o ingresso para sábado. Peguei o ingresso, olhei atentamente, e vi a foto de duas crianças, no Arrudão, com a camisa do Santinha. Ah, amigos, esse ingresso é o mais valioso de todos, e ele vai para a moldura. É o ingresso para o último jogo deste ano. Só um time como o Santinha, pode ter a foto de duas crianças no seu ingresso. E é uma pena, mas preciso admitir o meu sentimento: já sinto saudades de 2005. Sim, amigos, porque o ano termina no próximo sábado, com a vitória coral. No domingo, já acordaremos com saudades deste sábado, que ainda não chegou. Lembraremos dos jogos, das feijoadas de dona Madalena, da Sanfona arrepiando o Mundão do Arruda, das farras depois de cada jogo, da Kombi Coral, dos gols no Arrudão, da festa na Casa da Barbie. Lembraremos dos treinos que assistimos, do esforço para comprar balões, fogos, apitos, das cervejas que compartilhamos, das risadas, escalações, de cada gol, de tudo. Como sempre, lanço uma pergunta aos torcedores do Santinha: O que mais teremos, depois da vitória coral? Confraternizações? Amigo secreto? Natal? Papai Noel? Jantar com os parentes? Feliz ano novo? Nada. O mais importante já terá acontecido na tarde do dia 26 de novembro de 2005, ao final da partida. Depois do sábado, poderemos dizer que o ano acabou, que venha 2006. Nosso esforço será apenas um: o de não nos tornarmos seres precocemente nostálgicos. Olho aqui minhas anotações. Dia 16 de janeiro de 2005, estádio Gaudenção, em Itacuruba. Começamos o ano com um empate com o Itacuruba: 1 x 1. Já vamos acompanhando nosso clube há 10 longos meses. E não há nada pior que a espera, neste momento amoroso do Santinha e sua torcida. Há, de repente, um intervalo, um hiato, um abismo na vida de cada tricolor. Hoje ainda é quinta-feira. Teremos o longo dia se arrastando, com a cidade colorida pelas três cores. Os motoristas de ônibus, carroceiros, vendedores, ambulantes, estão perplexos. Hoje ainda é quinta-feira. Amigos corais, vai aqui uma pequena observação de cunho sentimental. Boy, o nosso querido amigo, o glorioso gerente do Garraffus Boteco, vai se casar sábado à noite. Ele queria ir ao jogo, mas rendeu-se ao amor pelo Santinha. “Se eu fosse pro Arrudão, perigava era não vir para o casamento, visse?” E hoje, bebericando sua cerveja ali na esquina, ele me confessou: “Vou entrar na igreja com bandeira e tudo!” Essas confissões, melhor, essas declarações de amor ao Santinha, são a inexplicável tradução desta torcida. Aguardemos o sábado, o inesquecível sábado, que será nosso natal, nosso reveillon, nosso carnaval, todas as datas misturadas num mesmo dia, numa só tarde. Só agora me surgiu a definição do que sinto hoje, mesmo com a urgência do sábado: uma puta saudade do presente.
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