Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 28 de novembro de 2005

Os caminhos da vitória - parte III


Após o Estadual: um time de Primeira

por Samarone Lima (texto) e Inácio França (edição)

Alguns dias depois da conquista do Estadual (com uma rodada de antecipação), Givanildo reuniu a comissão técnica e o departamento de Futebol e foi logo avisando:

“Preciso de reforços”.

O próprio treinador indicou Leonardo e Piá, que vieram ao tricolor ganhando R$ 20 mil, cada um. Depois, chegou o maranhense Francisco Pereira da Costa Júnior, o Júnior Maranhão, indicado pelo empresário de Peris. Por último, foi contratado o matador Reinaldo José da Silva, que estava no banco de reservas do Vasco da gama.

“O Reinaldo estava naquela lista inicial com os 28 nomes de Givanildo. Não deu para vir para o Estadual, mas veio para a série B”, lembra Belém. O salário: R$ 13 mil.

Com o time reforçado, embalado pela conquista do Estadual, o Santinha começou a grande batalha da série B. O primeiro jogo, no Arruda, terminou empatado em 2 x 2. Mas o Santinha mostrou que tinha time para chegar lá. Na partida seguinte, derrotou o Ceará por 1 x 0, lá em Fortaleza.

Se dentro de campo o time ia bem, no Departamento de Futebol, o time perdeu o primeiro craque. No penúlltimo jogo do Estadual, contra o Ypiranga, Rosemberg Rafael começou a sentir dores de cabeça e foi hospitalizado. Diagnóstico: Meningite. A doença se agravou e Rosemberg entrou em coma. Quando o time foi campeão, e a carreata passou defronte ao Hospital Português, ele era apenas um tricolor inconsciente.

O filho Caio, de 5 anos, foi o autor de cinco anos, declarou o amor ao pai e ao Santinha no formato de uma bandeira. Colocou a bandeira do Santa na sacada do apartamento da família, e disse:

“Só tiro a bandeira quando o papai voltar”.

Trinta e cinco dias depois, Rosemberg voltou para casa. O Santinha era o campeão, depois de nove anos de jejum, estava bem na Segundona, e o trabalho seguia firme.

O economista Fred Carvalho, de 52 anos, também fez parte da Diretoria de Futebol. Com uma longa trajetória no clube, Fred ocupou vários cargos desde 1985. Destes, o que lhe traz as melhores lembranças foi a vice-presidência de futebol amador, em 1997/1998, quando levou o time de futebol de salão adulto ao campeonato Pernambucano (7 x 3 contra o Sporte, na Ilha), e à Taça Brasil.

Fred recorda o trabalho que foi feito para levar o Santinha ao título do estadual e à Primeirona.

“Desde que foi apresentada a lista inicial de Givanildo até o início da Segundona, nós fizemos contato com 134 jogadores”.

A exemplo de Rosemberg, Fred credita uma parte importante da arrancada do Santa ao trabalho de Givanildo Oliveira. Mais que isso, à sua postura dentro e fora de campo.

“Ele é extremamente profissional e ético, um homem sério, que não se mete com empresário. Ele indica o jogador, e deixa o clube resolver”.

Preferência pelos inquietos

Uma das prioridades da comissão técnica, para a contratação de novos jogadores, era o “espírito de inquietude”. A Diretoria de Futebol tinha a experiência de Silvio Belém e Edson Nogueira, a juventude serena de Rosemberg e a dedicação de Fred Carvalho, e sabia que a escolha do elenco tinha que ser criteriosa.

“Nossa linha foi a de trabalhar com jogador inquieto. Veja o caso do Cléber, que era o reserva no Atlético do Paraná. Ele poderia ficar no banco de um grande time, iria viajar com o time pela Libertadores, mas preferiu vir para o Santa, começar tudo”, lembra Fred.

Para quem vê o paredão Cléber fechando o gol, não imagina o quanto ele sofreu nos primeiros dias.

“Ele sofreu muito com o calor, veio de uma região distante, mas achou melhor arriscar no Santa, do que ser um reserva de luxo no Atlético”, lembrou Fred. “A gente queria jogador que viesse jogar bola, não para fazer farra, como acontece muito”.

Torcedor do Santa de carteirinha, Rosemberg lembra que o Santa teve, durante vários anos, times que eram medíocres. “A gente ia para estádio porque torcia pelo time, mas tivemos elencos medíocres”, diz.

Outro exemplo de inquietude, lembra ele, é o lateral Osmar, melhor, Osmar Coelho Claudino, de 23 anos. O minieiro de Varginha see ncaixa perfeitamemente naquele estereótipo do mineiro que vai comendo pelas beiradas. Sem muito alarde, participou de quase todos os jogos do tricolor, se tornou incansável na lateral direita e virou um dos mais queridos da torcida.

“A partir do primeiro jogo, eu já sentia que o Santa podia ganhar o campeonato. Tínhamos uma equipe muito competitiva”, lembra Rosemberg. Ele acredita que o trabalho comandado por Givanildo, e desenvolvido pelo Departamento de Futebol, resultou em um time que tem não somente bons profissionais, mas homens.

“Temos homens vestindo a camisa do santa, e temos um grande treinador, que se chama Givanildo. Vários jogos foram decididos pela mão do treinador”, lembra Rosemberg.

O resultado do trabalho do Departamento de Futebol: 64 pontos ganhos, 19 vitórias, 6 empates e seis derrotas.

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Atenção eventuais patrocinadores interessados em associar à imagem a um clube vencedor, a uma torcida imensa e à música de qualidade: o compositor Bráulio de Castro (que tem músicas gravadas por gente como Jair Rodrigues, Originais do Samba, Wilson Simonal,Fafá de Belém, Demônios da Garoa, Grupo Tradição, Alcione, Zeca Pagodinho e Luiz Américo) está pronto para entrar no estúdio com o Véio Mangaba e a Sanfona Coral para gravar mais duas músicas inéditas, que serão incorporadas à segunda edição do CD Veneno da Cobra Coral.

O problema é que são necessários uns R$ 4.000,00 (incluindo 1.000 capas e prensagem de 500 CDs, além do aluguel de estúdio). Vamos começar a aperrear os empresários tricolores mandando e-mails e telefonemas.

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Carta de um pai tricolor

Caro Inácio, Antes de mais nada, eu quero lhe agradecer por você ter levado Lucas para o jogo do Santa. Você não imagina a alegria que eu senti por saber que Luquinhas tava lá, no Mundão do Arruda, presenciando um dos momentos mais sublimes da história do Santinha. Domingo à noite eu conversei com ele por mais de 30 minutos por telefone e ele não parava de falar de tudo: do jogo, da força da torcida, dos gols de Reinaldo, da alegria de Pedrinho, do buzinaço, da festa na casa dos pais de Georgia, da Sanfona Coral, da alegria "daquele teu amigo, painho, aquele do cabelão". Ele me disse até que você (Inácio) teve dificuldade para dormir do sábado para o domingo porque ficou relembrando os momentos do jogo… Luquinhas está tão feliz. Valeu. Porra, valeu Inácio. Obrigado! E por falar em agradecimento, queria dizer que você e Samarone estão fazendo jornalismo de primeira com a série: "os caminhos da vitória". Apuração, edição e textos do caralho! A série é muito imporante porque ela mostra que, no futebol, apesar do que muita gente acha, as coisas não acontecem por acaso. É preciso planejamento, organização, coragem e, é claro, paixão, muita paixão. E é fundamental que as pessoas que trabalharam nos bastidores pelo Santinha nessa jornada histórica sejam reconhecidas pelos torcedores. Que elas tenham a nossa gratidão. Por isso, vocês estão de parabéns. Parabéns também pela criação da Sanfona Coral e do blog do Santinha. Dois novos ingredientes que só trouxeram mais alegria e informação para a torcida tricolor nesse ano histórico. Eu posso imaginar como deve ser difícil manter um blog. Ainda mais um blog com a qualidade do blog do Santinha. Parabéns. Ps. não querendo abusar, mas já abusando…. se tu achar que dá para levar Luquinhas para a carreata da vitória no proximo domingo tu me diz…..ia ser do carai! Saudações tri-tricolores. Laércio Portela. Brasilia-DF.

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Os caminhos da vitória - parte II



Quem veio e porque veio

por Samarone Lima (texto) e Inácio França (edição)

Após os quatro da lista de Givanildo, os dirigentes correram contra o tempo, em busca de reforços. A seguir, como foi a contratação de 8 jogadores da campanha do Estadual.

Cléber Luis Alberti, 23 anos

Unanimidade debaixo do gol, o goleiro que fechou o gol inúmeras vezes durante o Pernambucano e nos momentos mais difíceis da Série B, Cléber, enfrentou resistências do próprio Givanildo, antes de desembarcar no Mundão do Arruda. O arqueiro tinha sido indicado a Rosemberg Rafael, mas Givanildo respondeu de forma simples e direta:

“Não conheço, não quero”. Assim, na lata.

Mas o Departamento de Futebol tinha ótimas referências sobre o atleta, que estava na reserva do Atlético Paranaense, comandado naquele época pelo treinador Levir Culpi. Rosemberg tinha visto Cléber jogar uma partida e gostou muito do arqueiro. Depois, confirmou a ótima impressão com amigos que moram no sul.

Edinho chamou Silvio Belém para a beira do gramado e perguntou:

“Sílvio, como é que a gente faz?”.

Foi quando surgiu a idéia:

“Vamos falar com o Levir Culpi”.

A ligação foi feita à beira do gramado.

“Levir, Givanildo quer pedir uma informação sobre o Cléber, o goleiro reserva de vocês”.

O celular foi repassado para Givanildo.

“Mago, pode levar o Cléber, que ele é melhor que o titular daqui, mas não posso mudar, porque o titular é o xodó da torcida”, respondeu Levir.

Cléber chegou ao Arruda ganhando R$ 9 mil de salários.

Carlos Augusto Rodrigues, o “Carlinhos Paulista”.

O jogador foi indicado por Givanildo. Novamente. Tinha uma trajetória muito boa no começo da carreira, quando chegou a ser campeão mundial sub-20, e tinha encerrado o contrato com o Guarani de Campinas. O zagueiro, que garantiu a vaga de titular na zaga, veio ganhando R$ 10 mil. Na série B, o salário passou para R$ 12 mil. O detalhe é que Carlinhos não tem empresário. O contrato é feito direto com ele.

Daniel Coracini

Segundo Belém, o atleta veio de Santa Catarina mais para compor o banco mesmo. O salário não causava problemas ao clube: R$ 5 mil.

Zé Afonso

Tinha jogado em vários clubes, e foi uma indicação de Sílvio Belém, que Givanildo aceitou. Veio ganhando R$ 13 mil, e segundo Belém, ele fez sua parte no Estadua, principalmente naquele 1 x 0 contra o Ypiranga, quando fez um gol de cabeça salvador no final do jogo.

Marcos Paulo Paulini, o “Paulinho”

Novamente, indicação de Rosenberg. Paulinho, que virou o talismã e xodó da torcida, especialmente na reta final da série B, veio do Joiville, ganhando R$ 11 mil. Foi dele um dos gols decisivos da arrancada do Santinha na reta final, contra o Náutico. A exemplo de Carlinhos Paulista, Paulinho não tem empresário.

Thiago e Alemão

Vieram do São Paulo FC, a título de empréstimo, numa negociação encaminhada por Rosemberg Rafael, mas não vingaram

Jovaldir Ferreira, o “Peris”

Silvio Belém tinha visto o lateral num jogo do Ceará, em 2004, e gostou muito de seu futebol, especialmente porque apoiava bem e marcava. O lateral foi contatado ganhando R$ 4 mil, e atualmente, deve estar com um salário de R$ 7 mil.

A foto acima, enviada por Saulo Profeta Sayão, vai ficar temporariamente no ar, pois nossos colaboradores no dia do jogo ou farraparam (caso de Júlio Bandeira) ou ainda não enviaram o material.

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O compositor Bráulio de Castro e o Véio Mangaba estão prontos para entrar em estúdio e gravar duas músicas inéditas que serão incorporadas na nova versão do CD Veneno da Cobra Coral. A idéia é prensar mais 500 CDs e imprimir umas 1.000 capas. Para tudo isso, são necessários R$ 4.000,00. Quem se habilita para o patrocínio? Chesf? Tupan? Pitu? Pernambuco da Sorte? Mendoncinha? Baterias Moura?

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