Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 30 de novembro de 2005

Tarefa nota 10

Mila Moura tem apenas seis anos de idade, mas ninguém exagera se chamá-la de torcedora fanática. Na semana passada, a menina foi tomada pela mesma obsessão (frenesi, nervosismo, sei lá qual a palavra para definir aquela loucura que acometeu a todos naqueles dias que pareciam não ter fim) que tomou conta de toda torcida tricolor.

Numa singela tarefa de classe - ela é aluna da alfabetização do colégio Apoio, ali em Casa Amarela -, a menina não resistiu e escreveu o mesmo que nós, marmanjos e marmanjas, escreveríamos se alguém pedisse uma palavra escrita com R na véspera da decisão. Para não dizerem que o Blog do Santinha está inventando história, eis a prova aí em cima: a tarefa escolar da pirralha, enviada pelos pais Murilo e Maria Emília.

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Os caminhos da vitória - parte VII (final)

O cérebro por Inácio França e Samarone Lima Não adianta tentar arrancar de Édson Nogueira uma declaração de amor ao clube. É inútil esperar que ele demonstre euforia incontida após uma vitória consagradora como a de sábado, muito menos sofrimento atroz por causa de uma derrota. Vice-presidente licenciado do Santa Cruz, Édson é um profissional do futebol. Aos 61 anos “bem rodados”, foi preparador físico do tricolor na campanha do penta, de 1969 a 1974. Um ano depois já estava na Ilha do Retiro, trabalhando para ser campeão e tirar o time rubro-negro de uma abstinência de 13 anos de fracassos. Em 1977, foi escolhido o melhor preparador do Brasil, quando ajudou o Corinthians a conquistar o campeonato paulista daquele ano, depois de 23 anos sem títulos. De volta a Pernambuco, no final da década de 1970, deixou o banco de reservas e passou a trabalhar como executivo de futebol. Foi supervisor do próprio Santa, da coisa, da barbie, do finado Paulistano e do Central. “Isso tudo me deixou calejado, sei que a vitória é o céu e a derrota, o inferno. Prefiro manter a distância, o que me ajuda muito na hora de tomar decisões. Não sou torcedor, não vou a jogo, não vou a treino e não desço a vestiário para dar tapinha nas costas de jogador”, resume Edinho. Sem papas na língua, ele aponta o treinador Givanildo Oliveira e o presidente Romerito Jatobá como responsáveis pelas conquistas do clube, em 2005. O primeiro, por ter "blindado e unido o elenco", e o segundo, por ser o presidente. "O regime no clube é presidencialista e se as coisas aconteceram desse jeito foi porque tiveram o aval dele”, resume, deixando claro que, mesmo depois de se afastar, não tem ressentimentos. Sobre o presidente do clube, ele faz elogios, apesar de dizer que jamais voltaria a trabalhar com ele por causa dos temperamentos parecidos. Ao pedir licença da vice-presidência, a Imprensa local noticiou que Nogueira e Jatobá tinham divergências administrativas. Agora, ele dá mais detalhes sobre essas discordâncias: "É muito difícil você trabalhar nove anos num relógio suíço, como é o Grupo Votorantim (ele montou o time de futsal que foi nove vezes campeão estadual, oito vezes campeão Norte-Nordeste e revelou Manoel Tobias) e depois conviver com uma situação em que mais de 60 funcionários do clube estavam passando fome, com seis meses de salários atrasados. Não posso conviver com isso". Responsável direto pela contratação do treinador, com quem trabalhou no início da carreira de ambos no Arruda, Édson Nogueira acrescenta elogios ao time e ao próprio técnico: “Tivemos um ano de vitórias porque o time encarnou a tranqüilidade de Givanildo, que é um homem que sempre fala ‘nós vencemos, nós perdemos e nós empatamos’ e não ‘eu venci, nós empatamos e vocês perderam’ como fazem alguns treinadores”. Previsão de muita dureza em 2006 Nogueira diz que já está preocupado com o futuro do Santa Cruz em 2006. “Espero que os atuais responsáveis pelo Departamento de Futebol e o próprio presidente entendam que, além de colher os frutos do passado, é preciso saber que tudo o que ocorreu, já passou. É preciso ser frio e rápido para montar um bom time. Série A não tem moleza. Se a gente se complicar com o Flamengo, logo depois vem o Santos, depois o Palmeiras, aí vem o Cruzeiro e assim por diante. Não tem CRB, Anapolina e São Raimundo para recuperar pontos perdidos não!” As dificuldades, na sua opinião, já deverão começar no próprio campeonato estadual. E ele faz uma aposta ousada: para Edson Nogueira, no próximo ano os times do Interior serão protagonistas: “O campeonato será decidido nas partidas com os times do Interior. Eles estão se planejando muito bem. O Estudantes de Timbaúba, por exemplo, contratou Erandir Montenegro (técnico campeão pernambucano pelo Santa Cruz, em 1990) e o Ypiranga trouxe Leivinha (ex-barbie) para ser o técnico e os experientes Lima e Dário (ex-barbie e ex-coisa)". Ufa! Acabou a série.

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