Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Dezembro de 2005

Até 2006

 

 

 


Antes do recesso propriamente dito, decidimos agradecer aos tricolores que nos ajudaram a garantir a diversidade, o bom-humor e a riqueza do conteúdo do Blog do Santinha. Aí estão por ordem alfabética os nomes, apelidos e pseudônimos de todos que colaboraram conosco desde o dia 8 de agosto de 2005.

Allan Robert Aloísio de Oliveira Bezerra Anízio Carlos Bosco Filho Chiló Danilo Marinho de Souza Fernando Henrique Arruda Frederico Dias Fumanchu Geraldo Lima, Gerrá Ivan Patriota José Carlos Araújo João Henrique Souza Júlio Bandeira (pseudônimo) Júlio Vila Nova Laércio Portela Luciana Teixeira Luciano Brandão, Lucci Luís Fernando Oliveira Manoel Valença Mila Moura Milton Santos Júnior Mônica Crisóstomo Johnston Nani Mariani Nivaldo Brayner Nunes (pseudônimo) Paulo Araújo Paulo Gonçalves Pedro Lopes de França, Pedrinho Pedro Souza, K2 Roberta Rego Róbson Sena Rodrigo Pinto Moura Salgado Sérgio Pinho Alves Sérgio Travassos Waldemir Pimentel Ramalho

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Recesso coral

O Blog do Santinha, depois de meses de intensa atividade, entra em recesso a partir de hoje, para o merecido descanso.

Na próxima semana, retornaremos às atividades corais, rumo ao Bi Estadual, Copa do Brasil e Série A.

Aproveitamos para desejar um ano novo maravilhoso a todos os que nos acompanharam e colaboraram para manter no ar este Blog do Santinha.

Abraços,

Inácio França/Samarone Lima

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Sobre Barbosa

por Julio Vila Nova

Cléber, o paredão deste time inesquecível de 2005, veio confirmar a tradição do Santa Cruz de fazer grandes craques da camisa 1. A lista é grande e começa com Ilo Just, o primeiro goleiro, também um dos primeiros ídolos da história do futebol em Pernambuco. Incluem-se ainda nomes como Gilberto, Picaço, Wendel, Birigui, Luís Neto e muitos outros. Nessa galeria, certamente um dos nomes de maior expressão no cenário nacional, vestindo a camisa 1 do Santinha, é o de Barbosa, citado por Rodolfo Aguiar na excelente série publicada no blog. A sua passagem por aqui, porém, não foi das mais felizes, e lamentavelmente terminou por confirmar o estigma que o jogador carregou pela vida afora, culminando com um lamentável episódio envolvendo o craque e a seleção de Parreira (aquela que ganhou o título por 0 a 0), que será relatado adiante. Barbosa, goleiro do Santa Cruz Já foi relatada por Rodolfo Aguiar a emocionante mobilização do povão tricolor para garantir a permanência do melhor goleiro do Brasil, à época, no esquadrão tricolor de 1956. No entanto, sua passagem por Pernambuco foi marcada por uma má atuação contra o América, que provocou reação violenta da torcida e resultou em sua saída do Santa. Jornadas infelizes de goleiros são comuns no mundo da bola, mesmo entre os ídolos, que eventualmente são perdoados pela torcida (há pouco tempo, Marcos, do Palmeiras e da seleção, levou 7 do Vitória-BA, mas foi perdoado). Acontece que, depois de 1950, não haveria nunca mais perdão para Barbosa, mesmo todos os analistas eximindo-o de culpa pela derrota. A verdade é que, se tivéssemos que apontar os culpados, a lista começaria com a cartolagem e os políticos aproveitadores, além de parte da imprensa, que cantaram a vitória antecipada, com farra e exibição de faixas de campeão para fotos nos jornais. A chegada de Barbosa e o desfecho infeliz de sua passagem pelo Santa foram relatados por Lenivaldo Aragão (Jornal do Commercio, 17/04/2000). O episódio que demonstra a injustiça cometida contra Barbosa pela comissão técnica de Parreira é lembrado por Eduardo Galeano. Abaixo, transcrevemos e comentamos trechos desses relatos: Sobre a chegada de Barbosa ao Santa, Aragão comenta: “Foi uma apoteose a chegada do grande goleiro ao Recife. Embora fosse dia útil, a torcida encheu o antigo Alçapão do Arruda para ver seu primeiro treino. ‘Nunca vi tanta gente num treino, confessava o já novo ídolo do Santa”. Segundo a matéria do JC, Barbosa foi o craque mais festejado na vitória do Santa contra o poderoso Flamengo, de Joel, Benitez, Evaristo, Dida e Zagalo, por 1 a 0, ainda em 1956. Mas aí veio a fatídica derrota para o América, à época considerado um time grande do Recife, por 6 a 3. Sobre essa lamentável atuação, Lenivaldo diz: “O goleiro Barbosa, que fora vítima da raça de Obdulio Varela e seus companheiros, na fatídica decisão da Copa do Mundo de 50, no Maracanã parecia, seis anos depois, refeito do grande golpe. Ídolo da torcida do tricolor pernambucano, viu de repente seu prestígio se esfarrapar, após uma lamentável atuação em que andou levando gols inadmissíveis até para um principiante, quanto mais para um profissional tarimbado como ele – além da seleção brasileira, Barbosa jogara simplesmente 20 anos pelo Vasco.” Prossegue Lenivaldo: “Nos dias que se seguiram à goleada e ao desastre de Barbosa – que logo na segunda-feira pedia rescisão de contrato -, os jornais tiveram assunto. Nunca a frase de augusto dos Anjos, ‘a mão que afaga é a mesma que apedreja’ foi tão repetida” “Reconhecia-se a má jornada do goleiro, mas culpava-se toda a defesa pela goleada. Outros, como o Jornal Pequeno, condenava veementemente a atitude dos torcedores que pretendiam linchá-lo.” Aí, então, Valdomiro Silva, à época treinador dos juvenis (até hoje lembrado como um desses nomes que sempre tiveram a credibilidade que faltou e falta a muitos e muitos outros dirigentes), encarregou-se de levantar o ânimo do jogador. O jornal reproduz um trecho da carta a ele enviada : “Prezado amigo, Moacir Barbosa. As demonstrações de hostilidade de meia-dúzia de crápulas apostadores não deve pairar no teu espírito como manifestaç~çoes da torcida do Santa Cruz…” Poucos dias depois, Barbosa respondeu, através de carta publicada na imprensa, em tom de despedida, “pedindo sensatez,compreensão para com o time nas futuras jornadas e relembrando que nos momentos difíceis é que os jogadores mais necessitam do apoio de seus torcedores” Lenivaldo termina avaliando que isso era “mais um castigo para um dos maiores goleiros do Brasil, que já havia sido execrado pela opinião pública nacional,por causa da hecatombe do Maracanã”. Pouco antes de sua morte, Barbosa relembrou os tristes momentos de 1950 para um programa de televisão (TV Cultura). Das lembranças mais vivas, ele guardou no coração a decepção da volta para casa, após a partida. Na rua em que morava, no Rio, um grande banquete havia sido preparado, com mesa repleta de comida e bebida, preparada ao ar livre pela vizinhança. Entretanto, a rua deserta e a mesa rodeada de cachorros que aproveitavam o abandono da comida cortaram o coração do craque para sempre. Em 1993, Barbosa voltaria a receber uma demonstração lamentável de intolerância e grande discriminação, desta vez promovida pela comissão técnica da seleção de Parreira, aquele time retranqueiro de futebol burocrático que venceu a única disputa por pênaltis numa final de Copa de Mundo. Foi em 1993, e quem conta é Eduardo Galeano, no seu excelente “Futebol ao Sol e à Sombra” (Editora LP&M): “Na hora de escolher o melhor goleiro do campeonato, os jornalistas do Mundial de 50 votaram, por unanimidade, no brasileiro Moacir Barbosa. Barbosa era também, sem dúvida, o melhor goleiro do seu país, pernas com molas, homem sereno e seguro que transmitia confiança à equipe, e continuou sendo o melhor até que se retirou das canchas, tempos depois, com mais de quarenta anos de idade. Em tantos anos de futebol, Barbosa evitou quem sabe quantos gols, sem machucar nunca nenhum atacante. Mas naquela final de 50, o atacante uruguaio Ghiggia o tinha surpreendido com um chute certeiro da ponta direita. Barbosa, que estava adiantado, deu um salto para trás, roçou a bola e caiu. Quando se levantou, certo de que havia desviado o tiro, encontrou a bola no fundo da rede. E esse foi o gol que esmagou o estádio do Maracanã e fez o Uruguai campeão. Passaram-se anos e Barbosa nunca foi perdoado. Em 1993, durante as eliminatórias para o mundial dos EUA, quis dar ânimo aos jogadores da seleção brasileira. Foi visita-los na concentração, mas as autoridades proibiram a sua entrada. Naquela época, vivia de favor na casa de uma cunhada, sem outra renda além de uma aposentadoria miserável. Barbosa comentou: - No Brasil, a pena maior por um crime é de trinta anos de cadeia. Há 43 anos pago por um crime que não cometi.”(p.94)

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