Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de dezembro de 2005

E agora? (nova seleta de textos dos leitores)

por José Carlos Araújo, analista de sistemas e empresário da área de informática

“Passada as pompas da vitória, precisamos voltar à Terra e acordar para a realidade. Tenho ouvido declarações apaixonadas de diversos tricolores, cantando as mil maravilhas do nosso time. Já pensam em Sul-americana ou Libertadores. Contudo, alguns pontos devem ser observados para alcançarmos mais este sonho.

Em todo o ano de 2005, jogamos contra duas equipes de porte de primeira divisão: o Cruzeiro e o Grêmio. Obtivemos, nesses confrontos, 4 derrotas, 1 empate e 2 vitórias. Justamente contra as duas equipes que melhor refletem o que encontraremos no próximo ano, obtivemos os piores resultados. Seria coincidência? Ou nossos defeitos vieram à tona logo que encaramos equipes de nível um pouco mais alto?

O confronto contra os dois grandes clubes brasileiros, ainda que o time tenha melhorado após a saída da Copa do Brasil, deixa evidentes três defeitos: a fraqueza da nossa defesa no jogo aéreo, a necessidade de um meia ofensivo para jogar ao lado de Rozembrick e a oscilação de alguns jogadores importantes como Osmar, Periz e Andrade, alternando bons e maus jogos. Um zagueiro bom de jogo aéreo, um volante que nos dê mais segurança do que Andrade, um meia ofensivo para fazer dupla com Rozembrick, um atacante para a vaga deixada por Reinaldo e, pelo menos, mais dois atacantes para a reserva, no lugar de Paulinho e Leonardo, são necessidades urgentes já para o Pernambucano.

Precisamos usar o estadual para entrosar a equipe e não podemos nos dar ao luxo de perder esse bi-campeonato. Faz tempo quenão estamos tão à frente dos nosso rivais e o mesmo tempo que não conquistamos um bi ou tri.

Vamos comemorar a nossa volta à primeira divisão, mas precisamos cobrar da direção a solução desses problemas, para que no próximo ano possamos fazer bonito na série A!

Saudações tricolores!”

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por Frederico Dias, estudante de Direito da Unicap

Chegar ao primerio lugar é fácil dizem alguns, difícil é se manter nele e este é o desafio de nosso tricolor. Temos de encarar a realidade. Não temos estrutura (física) para encarar uma competição como a Série A. Nosso estádio carece de uma melhor estrutura ao torcedor. Não temos um centro de treinamento, onde poderíamos criar nossas jovens promessas mais constantemente e até mesmo o nosso departamento de futebol profissional precisa de uma infra-estrutura melhor para os nossos atletas.

Quanto ao dinheiro arrecadado na fase final da Serie B, a diretoria deveria trazer mais explicações à torcida. Quanto arrecadamos? Quanto gastamos? Qual o balanço? Ouço a todo momento que temos parceiros como a Minasgás, o Pernambuco da Sorte, a Rota do Mar mas qual a contribuição destes para o nosso clube? Porque não abrir o jogo para a torcida?

Não existe no Santa Cruz, uma campanha para angariar receitas através da captação de sócios, ou de merchandising em cima de nossos jogadores, muito menos procuramos parceiros tão fortes como o nosso atual patrocinador para estampar seus nomes na marca do nosso clube. Na 1ª divisão nossas receitas ficarão única e exclusivamente a mercê da televisão, como em 2000 e 2001. Será que vai ser suficiente?

Eu não sei… Minha esperança são estes jogadores! Sim, estes jogadores que honraram a camisa do Santa Cruz, recebendo em dia ou não, por isso temos de mantê-los. Cléber quer um aumento de 100% e o seu clube pede mais dinheiro para empresta-lo? Paguem! O mesmo caso ao Osmar. Ora é muito melhor manter aqueles a quem já se conhece do que gastar dinheiro com 2, 3 contratações quando você já possui o jogador perfeito para o clube!

Por isso tricolores, se começarmos errados não duraremos muito na primeirona, o que é uma pena, pois vejo este momento como o divisor de águas, onde podemos passar 10, 20 anos mandando no Futebol Pernambucano, ou jogar tudo por água a baixo. Apesar de tudo, farei como sempre fiz todos estes anos. Na derrota ou na vitória, estarei no Arrudão em todos os jogos, apoiando nosso tricolor. Espero que ano que vem, possamos novamente estar aqui com este sentimento que todo tricolor possui: o da vitória!

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Na foto lá de cima, o torcedor Bacalhau olhando para o futuro (licença poética do Blog do Santinha).

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Alegria maior

por Sérgio Travassos, assessor de Imprensa do núcleo de esportes da Universo

Desde 29 de janeiro de 1984, em uma partida entra o nosso Santinha contra a Portuguesa (0×0), acompanho incondicionalmente o Mais Querido. Eu, que sempre torci para que o Santinha acertasse a sua vida e nos desse títulos e subisse para a primeira divisão. Eu, que resmunguei erros, gritei incentivando o Tricolor, sorri nos nossos gols, tenho uma confissão a fazer.

Tive uma alegria maior do que ver o Santinha campeão da série B ( por 15 minutos, me acostumando, gostando e querendo mais), e vê-lo subir à divisão A do nosso futebol protecionista e conturbado. É isso mesmo. A emoção de subir foi ótima, mas vivi algo ainda mais sublime .

Tenho uma filha, 10 anos de idade, de nome Luiza Maria de Oliveira Corrêa, uma tricolinda de verdade. Desde os quatro anos de idade, ela tornou-se uma companheira de arquibancadas. E é pé-quente. Só viu o nosso time perder em três oportunidades, e olha que ela vai muito aos jogos! Luiza sempre curtiu as cores, as roupas, a farra, os xingamentos (nos estádio eu a deixo dizer uns impropérios), as músicas. Músicas que serviram para acalentá-la quando bebê.

Ah, lembro do primeiro presente que comprei: uma camisa do Santinha, quando ainda estava na barriga da mãe. Mas a minha alegria maior, confesso agora, foi ter a prova dos nove.

Estávamos abraçados em um cantinho do Arruda, ela à minha frente, olhando o gramado, o coraçãozinho dela batia mais que o meu – bom sinal. Depois sentiu vontade de fazer xixi, na hora do pênalti, no que foi prontamente atendida. Depois, desandou a xingar quando a Portuguesa se defendia. Pensava eu: é tricolor mesmo essa minha filha. Porém, no segundo gol do Santa, enquanto pulava com todos, a vi sdesaguando em lágrimas. Pensei: “Deus, alguma coisa deve ter batido nela, ela se machucou!”. Abaixei-me e perguntei porque chorava. Ela disse, e eu nunca mais vou esquecer: “porque o santinha virou o jogo”.

Depois de títulos, vitórias, rebaixamentos e derrotas, eis que uma tricolinda com lágrimas nos olhos, vem me dar a maior emoção no futebol. Não porque veste-se como tricolor, mas porque sente como tricolor. À minha filha, este texto que me fez chorar mais do que o próprio Santinha.

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