Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 22 de dezembro de 2005

Memória em três cores (parte V)


Continuação do depoimento concedido por Rodolfo Aguiar a Inácio França e Samarone Lima.

O segredo do bi-super de 1976

"O time do bi-super, de 1976, foi basicamente o mesmo de 1975. Era Gilberto, Carlos Alberto Barbosa, Lima, Levi e Orlando; Givanildo, Carlos Alberto Rodrigues e Jadir; E lá na frente era Fumanchu, Nunes e Pio. Com esse time ganhamos do Internacional lá no Beira-rio, com Manga no gol e tudo, no ano em que chegamos às finais. O próprio Internacional foi campeão brasileiro nesse ano.

Nós começamos a ganhar o campeonato em 1976 num negócio que fizemos: foi o retorno de Betinho, a troca de Betinho por Zé Maria, que era um meia que nós tivemos, jogava muito bem, tecnicamente muito bom, mas um pouco lento. Betinho tinha uma condição física extraordinária e nós precisávamos de um jogador no meio-de-campo com essas características.

Zé Nivaldo marcou para conversar com o pessoal do Náutico, marcou com Antônio Amante, que estava assumindo a diretoria de futebol do Náutico. Aí, acertaram: Zé Maria mais Cr$ 100 mil.

Mas o Náutico fez esse negócio de manhã e, de noite, se arrependeu, porque Betinho foi um jogador que se adaptou bem àquela forma que se jogava na época, com três no meio-de-campo.

Aí, cheguei no clube, disse para Zé Maria qual era a situação e que ele iria no Náutico para assinar tal contrato – e disse qual seria o valor do salário dele. E nisso, chega Betinho no Arruda, mas não quis assinar o contrato que passei para ele:

- É melhor eu só assinar quando Zé Maria acertar lá – foi o que ele disse, pois já sabia que o pessoal do Náutico não ia querer fazer a troca.

Quando Zé Maria chegou lá, não deram o contrato que tinham acertado de manhã com Zé Nivaldo. Em uma hora ele voltou. Eu brinquei:

- Foi tão rápido assim?

E ele:

- Não vou pra lá, não, doutor. O contrato que me informaram não é aquele que o senhor falou, não. É um contrato que eu não aceito de jeito nenhum!

Perguntei qual tinha sido o contrato e ele falou “foi assim-assim-assim”.

Eu falei para ele: - Pois nós vamos voltar lá com você e você vai assinar o contrato que eles lhe ofereceram. A diferença nós vamos lhe pagar.

O pessoal do Náutico não acreditou quando cheguei lá de carro para Zé Maria assinar aquele contrato que eles apresentaram. Porque a forma que eles encontraram para evitar a troca foi oferecer um salário baixo para Zé Maria, quando ele foi embora, devem ter comemorado achando que o negócio estava desfeito e Betinho iria voltar. Só saí do Náutico às 10 horas da noite, quando Zé Maria assinou.

Ficamos com Betinho e foi aí que começamos a ganhar o campeonato de 1976. Betinho, inclusive, fez dois gols contra o Sport, na Ilha do Retiro. Dois gols de cabeça no goleiro Toinho".

A grande dor

"Minha grande tristeza como diretor foi a perda do tricampeonato em 1980, numa derrota por 2 a 1 para o Sport. Nós tínhamos vencido o primeiro turno, ganhando do Sport duas vezes na Ilha do Retiro: foram dois 1 a 0 seguidos. O time era mais fraco do que em 1979, eu reformulei mas era mais fraco. Nós tínhamos um ataque com Hamilton Rocha, Baiano e … comprei Baiano por 450 mil cruzeiros ao Rio Branco, do Espírito Santo, logo depois de um jogo em que o Santa empatou em 3 a 3 com o Rio Branco aqui no Arruda, quando ele fez três gols. Quatrocentos e cinqüenta mil era um dinheirão!

No ataque nós tínhamos Hamilton Rocha, Baiano, Sena, Carlos Roberto e Joãozinho, mas na defesa não estávamos tão bem. Alfredo Santos rompeu os meniscos e passou muito tempo para se recuperar, aí tivemos de fazer uma zaga de Paulos, era Paulo Galvão, Paulo “Isso”, Paulo “Aquilo”…foi tanto Paulo!

Nós tivemos muita falta de sorte na questão do goleiro: o goleiro inicial era Wendell, pois nós começamos o ano trocando Givanildo por Wendell com o Fluminense, um pelo outro, mas demos azar num jogo contra o Flamengo – 1 a 1, no Arruda, pelo Campeonato Brasileiro – quando Nunes escapou, Wendell foi nos pés dele, mas rompeu os ligamentos. Quem terminou o Campeonato Brasileiro foi Carlinhos, irmão de Detinho, uma senhora promessa! Mas, num jogo em que perdemos de 2 a 0 para o Sport no Arruda, com dois gols de cabeça de Jorge Campos, Carlinhos teve uma atuação muito estranha, uma comportamento de quem tinha sido corrompido. Depois veio Reginaldo, que não era tão ruim assim.

O Sport tinha a vantagem do empate, mas com cinco minutos do jogo decisivo, Betinho quase faz o gol, uma saída errada do goleiro, que era País. A bola foi… foi… foi… e passou raspando a trave. O Sport todo de uniu para tomar o campeonato do Santa Cruz, montaram um timão, trouxeram Jorge Campos que era um jogador caro, trouxeram aquele quarto-zagueiro paraguaio que jogava no Corinthians, o Taborda".

Na foto retirada do álbum da família, Rodolfo Aguiar (o primeiro à esquerda) segura a taça do título de 1978.

12 comentários