Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de janeiro de 2006

Vida longa aos estaduais


por Inácio França

No início dessa década tentaram acabar com os campeonatos estaduais. Não lembro se foi em 2001 ou 2002, mas tenho certeza que os cartolas baianos, algum executivo bem remunerado da Rede Globo e os profissionais da mídia com vocação para boneco de ventríloquo, defenderam e profetizaram a extinção dos campeonatos estaduais.

Os argumentos eram os mesmos, repetido pelos personagens acima citados: os estaduais eram deficitários, os times arcavam com os prejuízos… e assim seguia a ladainha. Não pretendo discutir ou rebater esses argumentos, mas, salvo engano, ninguém falava de afastar e punir os dirigentes, como se déficit e prejuízo fossem obra do divino-espírito-santo ou um fenômeno natural.

Felizmente, os campeonatos estaduais sobreviveram. Para o bem do esporte, pois me arrisco a dizer que esses torneios são uma das causas da intensa, contínua e, pelo jeito, inesgotável capacidade de renovação de talentos do futebol brasileiro.

Sei que não dá para esquecer os fatores sociais e culturais, mas não dá para subestimar uma estrutura que, ao longo de meses, mobiliza, duas vezes por semana, pelo menos uns 200 clubes e milhares de atletas.

Em qual outro país isso se repete? Alguém já ouviu falar, por exemplo, dos campeonatos provinciais da Galícia e da Andaluzia? Ou do campeonato estadual da Patagônia? E da copa regional do Piemonte, na Itália? Ou da Baviera, na Alemanha?

Os estaduais revelam técnicos (só um exemplo: Muricy Ramalho, bicampeão pernambucano pelo Bangu local), que aproveitam para lançar jovens promessas (lembro de Rivaldo no Mogi-Mirim, no Paulistão de 1992, e de Fred, no Cruzeiro vice mineiro de 2005) ou consolidam talentos em formação (Juninho Pernambucano, na coisa em meados dos anos 1990, ou Rogério Ceni, no São Paulo da mesma época).

Quando o campeonato brasileiro foi criado, o Brasil já era tricampeão mundial.

Foi o Expresso da Vitória, o Vasco, sei lá quantas vezes campeão carioca na década de 1940, que serviu de base para a seleção de 1950. Foram o Santos, todo-poderoso paulista, e o Botafogo, hegemônico no Rio, que municiaram as seleções de 1958 e 1962. Para quem não sabe, o Torneio Rio-São Paulo, era curto, durava pouco tempo, e movimentava poucos clubes - no máximo 10, se não me falha a memória.

As rivalidades que arrastam multidões aos estados são alimentadas nas disputas locais, afinal se a fogueira de clássico regional está alta no campeonato brasileiro é porque o fogo foi ateado ao longo da história, em confrontos “provincianos”.

Aliás, por falar nisso, não fosse o campeonato pernambucano, esse ano o bangu (ou barbie, para quem gosta de judiar de bonecas) e a coisa não teriam a oportunidade enfrentar o Mais Querido.

Por isso, quando o Santinha entrar em campo no próximo domingo, não estará voltando a disputar um torneio de menor importância, mas algo que faz o futebol brasileiro ser o melhor do mundo.

Para quem não sabe, os ingressos para os quatro jogos do Santa no Arruda podem ser comprados num pacote de R$ 25,00 (acima).

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