Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 10 de janeiro de 2006

Depois da embriaguez, a ressaca

por Inácio França e Samarone Lima O Blog do Santinha esteve presente ao Arruda, no último domingo, e constatou: a exemplo do time, a torcida estava sem ritmo de jogo, sem entrosamento e desarrumada. A tricolozada foi chegando com aquela cara de ressaca pela festa da subida à série A, com os acréscimos da carreata e festejos de fim de ano. Muitos ainda estavam amuados, como cachorro que caiu da mudança. Na churrascaria Colosso, três ou quatro mesas desanimadas. As conversas giravam mais em torno da qualidade do galeto e das batatinhas do que sobre a escalação do Santa Cruz e a interminável lenga-lenga sobre a venda dos nossos atletas. O jornalista João Valadares, para se animar, levou o pai. “Estou sem ritmo de jogo”, confessou. O sanfoneiro Chiló, tentava incendiar a churrascaria porém, mesmo com a sanfona nova, não passava de uma pálida lembrança do passado. Nem o time, nem a torcida, nem a Sanfona Coral estavam com ritmo de jogo. Numa mesa ao lado, um torcedor bocejou e confessou: “Vim a pulso”. Saulo Sayão tentava puxar um grito, mas ficava sozinho. Mentimos: Patu, meio bicado, acompanhava, mas os dois estavam visivelmente desafinados. Agora a pergunta: Quem inventou essa história de jogo de futebol à vera logo no primeiro domingo do ano? Início de janeiro é tempo de curar ressacas e pensar no que fazer da vida. Quem pode, tira férias e desaparece em alguma praia. Quem não pode, coça a cabeça pra tentar achar um jeito de pagar o prejuízo deixado pelas festas. Janeiro é tempo de campeonato de júniores, de torneio sulamericano sub-alguma-coisa na televisão e de acompanhar as notícias sobre quem treinou e quem se apresentou no aeroporto com a camisa do time. Isso sem falar no calor. No domingo, as arquibancadas do Arruda chegaram a 50 graus, à sombra. Se o campeonato começasse dia 27 ou 28 de janeiro, como sempre foi, vá lá, dava pra entender. O comportamento da torcida nas arquibancadas, antes, durante e depois do jogo contra o Porto não deixam dúvidas de que o pernambucano começou cedo demais. Há pouco mais de um mês, essa torcida apaixonada estavam em êxtase, embriagada de alegria. Foi como sair de uma festa de manhã, dormir 15 minutos e ir para o trabalho, em plena ressaca. Domingo, a impressão era que ainda estávamos acordando com um sino no quengo, uma sede dos demônios, saliva grossa e pernas bambas. Torcedores que antes mal conseguiam erspirar depois do apito do juiz, bocejavam enquanto os caruaruenses atacavam. Teve um que levou bandeira para enrolar e fazer travesseiro. Bala cobrou um pênalti com raiva como manda a cartilha e comemorou feito um doido, sozinho, diante do quase-silêncio de uma gente que mal tinha forças para levantar os braços. Horas depois, a psicóloga Emília Miranda queixava-se: "Eu nem sabia como comemorar o gol". Nosso eterno líder da Kombi Coral, Nana, dormiu 89 minutos. No dia seguinte, no Poço da Panela, estava tirando dúvidas: “E teve gol do Santa, foi?” Patu encontrou um divertimento para tentar salvar a tarde. Cismou com o bandeirinha e acompanhou todos os seus passos, durante o primeiro tempo. Cada passada, uma esculhambação maior que a outra. “Nunca fui tão xingado”, com olhos marejados, admitiu o profissional aos policiais da escolta, ainda no intervalo. Terminado o primeiro tempo de xingamentos, Patu não resistiu. Deitou na arquibancada quentinha e dormiu seu merecido sono coral. Esperemos os próximos jogos, para ganharmos ritmo de jogo. Mas para este Blog do Santinha, tudo se resume a uma questão: a torcida precisa também fazer sua pré-temporada.

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