Reflexões sobre autoritários e omissos
por Inácio França
Fábio Melo Silva é conselheiro do Santa Cruz Futebol Clube e, honrando seus compromissos, na quarta-feira dia 18 de janeiro quitou suas anuidades como sócio-contribuinte e conselheiro, deixando na tesouraria dois cheques no valor total de R$ 424,00. Na mesma semana, exercendo o direito de crítica e a liberdade de expressão asseguradas pela Constituição de 1988 e pelo Estado de Direito, fez algumas críticas contra o aumento das mensalidades do clube numa página de torcedores do Santa Cruz no Orkut (para quem não sabe, trata-se de um site de comunidades da Internet).
Dias depois, para ser mais preciso no domingo, 22 de janeiro, estava descansando em Porto de Galinhas com a família quando recebeu uma ligação a cobrar. Isso mesmo, a cobrar. Segundo Fábio nos contou num mensagem enviada por e-mail, decidiu atender porque trabalha numa empresa de segurança e poderia se tratar de uma emergência. “Pra minha surpresa era do Santa Cruz, do departamento administrativo, informando que meu cheque referente ao pagamento da mensalidade de conselheiro do mes de janeiro, estava na recepção, pois a diretoria tinha decido pela minha expulsão”.
O motivo alegado: as mensagens críticas deixadas no Orkut. O resultado é que Fábio nos comunicou que iria hoje ao Arruda pegar os dois cheques, e, num desabafo nos antecipou: “Enquanto esta diretoria estiver no comando, não coloco um único centavo na Santa Cruz. É uma falta total de profissionalismo desses grandes administradores”.
Desde o instante em que o Blog do Santinha recebeu a mensagem de Fábio, de quem nunca tinha ouvido falar, estou tentando encontrar uma forma de tratar desse assunto sem cair na armadilha do açodamento, das ofensas e achincalhe. Assim, creio que o único modo de iniciar essa reflexão é entender que o Santa Cruz, mais do que problemas típicos da atividade esportiva como a negociação de um jogador ou uma posição desconfortável na tabela, vive hoje um grave problema político a ser enfrentado.
O episódio da expulsão de Fábio deve servir como alavanca para uma série de ações a serem tomadas por quem compreende o clube como patrimônio da torcida, não como negócio privado de um clã e alguns poucos seguidores sem poder de voz ou veto.
Não tenho o estatuto do clube em mãos, mas a expulsão de um integrante do Conselho Deliberativo por parte da diretoria eleita e fiscalizada por esse mesmo Conselho seria, no mínimo, impossível caso os dirigentes em questão não convivessem há tanto tempo com a impunidade e a omissão quase criminosa de torcedores como nós.
Passou o tempo de repetir histórias de desmandos e reclamar da cumplicidade remumerada dos radialistas. Precisamos romper nossa inércia cúmplice e nos organizarmos para a ação, que pode acontecer no campo jurídico, inicialmente por meio de consultas junto ao Ministério Público, e outras intervenções políticas e jurídicas.
A suposta oposição, capitaneada pela falecida ou inerte Confraria Ninho da Cobra, não está isenta de críticas, afinal todas as suas atividades se limitaram ao período eleitoral, sendo diluídas e esvaziadas logo nas primeiras vitórias do Estadual-2005. O silêncio e inação dos confrades eram (ou são) justificados pelo “medo” de ser mal interpretados pela torcida. Frequentadores de camarotes, desconhecem os verdadeiros ânimos da massa tricolor.
Mesmo sem saber a fórmula ou os mecanismos para a ação, o Blog do Santinha abre espaço, desde já, para quem se coloca contra o autoritarismo, o pensamento único e a favor da transparência e do Santa Cruz para todos os tricolores.
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