Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 30 de janeiro de 2006

Duas versões do mesmo clássico

Por Samarone Lima Amigos corais, cheguei de viagem ontem a tempo de assistir o clássico. Algumas anotações sobre os bastidores da peleja. 1. Cheguei todo orgulhoso ao estádio, porque me gabo muito de uma tática: deixar para entrar somente na hora em que o jogo está começando. Eu, Naná e Oswaldo Titio nos demos ao luxo de desprezar cambistas e compramos ingresso direto no caixa mesmo. Quando fomos entrando, o estádio sacudiu com o gol do Santa. Resultado: mudarei de tática para entrar no estádio da coisa. 2. Chego, olho a arquibancada e vejo aquele mar de tricolores. Dividimos o estádio da coisa. Percorro cada milímetro, procurando a lendária Sanfona Coral. Nada. Lá pelas tantas, vejo Gerrá, o zabumbeiro. Cadê a sanfona?- , pergunto. Chiló não quis encarar. Confirmado: Chiló é mesmo mulherzinha. 3. Olho o jogo, vejo os amigos, mas estou otimista dos pés à cabeça. Daqui a pouco, Emília vem falar comigo. Olha quem está ali, diz, é o João Valadares. O sujeito estava com um boné preto, e imediatamente gelei. Dois minutos depois, o juiz inventou uma bola na mão que não existiu. Gol da coisa. A culpa foi de João Valadares, o maior pessimista da história do Santinha. 4. Como sempre, faltou cerveja para a massa coral. O filadaputa de um vendedor estava oferecendo cerveja em lata a R$ 3,00, e por pouco não fui às vias de fato com ele. 5. Quarta-feira é dia de forró em Caruaru. Depois da desafinada de ontem, dizem que o sanfoneiro vai tocar até Caruaru, depois vai voltar a pé, para pagar promessa. 6. Estamos a dois jogos de levantarmos o primeiro turno. Vamos ao bi. 7. E alguém puxe na memória, porque não sei o que é perder da coisa há muito tempo, estou ficando até enjoado. ***** por Inácio França 1. Samarone chegou de viagem e foi direto assistir ao clássico. Eu, ao contrário, viajei na sexta-feira seduzido por um final-de-semana num sítio, cerveja, churrasco, clima bucólico, horta orgânica, banho gelado de bica e abraços de uma alvirrubra. Fiquei sem ver o jogo e sofri como há muito tempo não sofria acompanhando o jogo pelo rádio enquanto retornava por um estrada de terra sem fim e BR-232. 2. Foi a alvirrubra que toma conta do meu coração quem alertou: o locutor da rádio Clube é rubro-negro. O gol de Carlinhos foi mencionado an-passant durante a transmissão, só os mais alertas perceberam que houve algo de significativo no estádio. No gol da coisa o sujeito, que eu não sei o nome e nem quero saber, quase fica sem cordas vocais. Me surpreendi quando ele voltou a falar. Já dei gritos mais tímidos e passei dias completamente mudo. 3. Transmissão pelo rádio é puro estelionato. De vez em quando o sujeito abre o microfone e o pobre do ouvinte fica ouvindo o barulhão da torcida, crente que aconteceu algo definitivo. Pura enganação: o jogo tá embolado no meio do campo e eles fazem isso para prender a atenção de quem está quase dormindo. 4. É verdade que, no final da partida, as duas torcidas vaiaram os times? Quem falou isso foi o locutor de outra rádio, acho que foi Roberto Queiróz (ele transmite os jogos num rádio FM?) que passei a escutar depois de compreender que o sujeito da Clube é sócio remido da coisa. Nenhum dos meus amigos que foi à Ilha vaiou no final. 5. Quem está pensando em viajar a Caruaru com a Sanfona Coral para se divertir, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Depois do jogo de ontem, ir ao estádio Pedro Victor (ou Lacerdão) é obrigação, pura obrigação. Tudo pode acontecer na rodada de quarta-feira, inclusive uma vitória nossa contra o Central, um empate do Ypiranga e uma vitória do Salgueiro. Sei que, neste caso, não ganharíamos o turno por antecipação por conta do Salgueiro, mas eu prefiro ver a coisa em quarto. Alguém discorda? 6. Já perdi as contas de quantas vezes abri os sites de notícias na esperança de ver o nome de um meia contratado pelo santa ou na ilusão de ler que Luiz Estevão resolveu entrar no céu liberando Tiano. Pelo que o Santa anda jogando, precisamos com urgência de um meia criativo para jogar ao lado do Mago. 7. Esse item botei só para completar sete pontos, que nem Sama fez.

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