Paixão posta em prática
por Inácio França A reunião começou com atraso de uma hora. Todos esperavam o presidente, Gustavo, aparecer no salão de festas de um condomínio na Jaqueira. Convidado por um dos fundadores, fui o último a chegar à reunião da Atasc, a Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz. Em torno de várias mesas de plástico enfileiradas, estão advogados, analistas de sistemas, gerentes, microempresários, universitários com duas coisas em comum: são todos jovens e apaixonados pelo clube das multidões. O perfil de Gustavo, Beto, Jamesson, Fábio, Fred e dos outros participantes é um pouco diferente da maioria da torcida coral. Nada demais, pelos critérios do IBGE, os editores e a maioria dos leitores desse blog também não podem ser considerados "excluídos". O amor pelo Santinha é o traço de identidade que nos une. Eles têm consciência de que a idéia de juntar torcedores capazes de arrecadar dinheiro para investir no patrimônio do clube não é nova. Outros já tentaram fazer o mesmo pelo Santa Cruz ou ainda fazem por outros clubes. O exemplo do Remo, de Belém, é lembrado a todo instante: um grupo de torcedores resolveram juntar esforços para auxiliar o clube, que havia sido rebaixado para a Série C. Hoje, arrecadam R$ 130 mil mensais. Na Atasc, dinheiro ainda é escasso e mal vai dar para bancar o panfleto que será distribuído no jogo contra a barbie. Apesar da idéia não ser nova, parece que há algo de inédito na reunião nesse grupo de rapazes: a franqueza com que todos discutem os próximos passos a serem dados. São sinceros, não medem palavras e não temem discordar uns dos outros. As queixas são feitas às claras, na frente de todos. Algum tricolor mais experiente poderia arriscar que os rapazes são imaturos. O que vi foi honestidade. E não consigo deixar de lembrar os meninos que, no dia 3 de fevereiro de 1914, tiveram uma idéia que, ainda hoje, 92 anos depois é capaz de mobilizar tantos outros meninos. Vida longa à Atasc.








