Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de fevereiro de 2006

O torcedor que virou goleiro

Por Samarone Lima Amigos corais, estava hoje de manhã aqui no Unicef, onde trabalho com meu amigo Inácio França, tendo uma profunda discussão filosófica sobre o nosso goleiro titular, Anderson. Entre uma Brahma fictícia e outra, à espera de uma reunião de consultoria, fui colocando minhas impressões sobre nosso arqueiro, que assumiu a função com uma responsabilidade desumana: ocupar a vaga do nosso "Cléber Paredão". Avaliei que temos um bom goleiro, que pode se tornar excelente. Aqui vai uma confissão: quando Cléber começou a ir embora, chorei dois dias seguidos, mergulhei numa fossa tremenda. Um grande goleiro para o clube de coração, amigos, é tão importante quanto um grande amor. Foi como a partida de um amigo para a guerra. Quando veremos Cléber novamente no arco coral? Talvez nunca. Então, o sofrimento foi imenso. Passei dias arrastando minha cachorrinha, desolado, triste, descrente. Nunca mais a nossa barra será a mesma, repeti várias vezes, entre um lexotan e outro, entre um porre e outro. E súbito, veio o Anderson. Fui olhando de esguelha, ressabiado, fazendo minha avaliação particular. Um, dois, três jogos, até que senti que ele tinha passado pelo momento mais difícil: os primeiros jogos com Cléber lhe fazendo sombra. A insegurança diante da torcida. Os primeiros e difíceis jogos. Não, não se trata ainda de um paredão completo, como vimos ano passado, mas acho que esse garoto vai longe, se conseguir se firmar mesmo o restante do campeonato. Inácio, que tem fontes em todos os buracos do Arruda, que recebe telefonemas informando até sobre a troca de um azulejo no banheiro, ficou sabendo de um detalhe poético, existencial e metafísico, sobre nosso jovem atleta. O Anderson é louco, apaixonado, doente pelo Santa. Fica debaixo da barra, atento ao jogo, mas gostaria mesmo era de estar no meio da Inferno Coral, gritando e empurrando o time. É mais apaixonado pelo Santinha do que todos os músicos da Sanfona Coral. Dizem por aí que ele sofre intensamente quando leva um gol, mesmo que seja em treino. Está, então, realizando o sonho máximo de um ser humano: é o torcedor que se tornou titular do time que ama. Ouvi algumas críticas ao jovem arqueiro, especialmente no gol que levou do Central. Acho que precisamos de uma dose de paciência e apoio. Não é fácil ser o guarda-metas do Santa, principalmente depois daquele abençoado Cléber ter fechado tudo, antes de ir se tornar o titular do Atlético Paranaense. Tenhamos paciência, torcida coral. Falta pouco para gritarmos, lá da arquibancada: "ão, ão, ão, meu goleiro é paredão!"

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