Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 13 de fevereiro de 2006

O Santo

Quarta-feira é dia de rever Birigüi na TV

Ramón, Isidoro, Birigüi e Édson em foto da Placar de fevereiro de 1983

Ramón, Isidoro, Birigüi e Édson em foto da Placar de fevereiro de 1983

por Inácio França

No dia em que o Vaticano se render aos fatos e resolver canonizar Birigüi, não terá muito trabalho. Ao contrário de outros santos que fazem os cardeais da Igreja dar um duro danado, os milagres do goleiro mais querido e mais lembrado pelos torcedores do Santa Cruz são de fácil comprovação: estão registrados nos arquivos das emissoras de TV. Sem falar nos testemunhos de milhares de torcedores que gritaram seu nome nas arquibancadas do Arruda.

Birigüi está no coração de todos os tricolores. E a torcida coral nunca saiu do coração de Birigüi, o técnico do Vila Aurora, o campeão mato-grossense que irá enfrentar o Santa Cruz lá na distante Rondonópolis.

Foi por isso que, mesmo depois de ler a bela matéria que o Diário de Pernambuco publicou com o ídolo, resolvemos manter nossa programação inicial. Conforme combinamos com o repórter Nílson Rachid, da Rádio Clube de Rondonópolis, telefonamos para tentar encontrar o ex-goleiro.

“Birigüi está aqui do meu lado…”

O homem nem deixou o radialista acabar a frase e tomou o celular:

“Alô, Inácio. Estava esperando a ligação de vocês. Vamos empatar o jogo aqui. Nosso time vai jogar para fazer o resultado e poder ir ao Recife. Tô doido pra fazer esse jogo aí, quero entrar no Arruda de novo”.

Contei que o DP havia publicado uma matéria de uma página e, por essa razão, sobraram poucas perguntas para mim. Ele repetiu o que já havia contado ao jornal: a maior emoção da sua vida foi na curta passagem pela coisa em 1989, quando a torcida rubro-negra começou a gritar seu nome no seu primeiro clássico contra o Santa, na Ilha do Retiro.”Pensei que a torcida tricolor iria me vaiar, me xingar, mas nada disso: gritaram meu nome com mais força. Era como se estivessem dizendo que eu jogava no Sport, mas era tricolor. Eles estavam certos. O Santa é meu time de coração até hoje”.

Outra passagem lembrada por esse modesto escriba: “Você lembra que em outra partida contra a coisa, a gente estava ganhando de um a zero, quando você inventou de tirar a bola da área com um chute, em vez de agarrar? A bola bateu nas costas do zagueiro e entrou no gol. Gol contra do goleiro…”.

“Lembro sim. Foi em 1986, no Campeonato pernambucano. A bola bateu nas costas alguém e entrou no gol. Uma senhora bobagem. Sabe o que a torcida fez? Enquanto os rubro-negros comemoravam o empate, a torcida do Santa gritou meu nome com tanta força que sufocou a alegria do lado de lá. Vencemos por 2 a 1.”

Antes de vir para o Arruda, São Birigüi era titular do Guarani, mas uma falha num derby contra a Ponte Preta o deixou em má situação diante da torcida. Os dirigentes do Santa Cruz souberam disso e foram atrás dele.

“Minha estréia foi contra o Central, uma vitória por 3 a 1. Entrei no segundo tempo no lugar de Luís Neto para ir pegando ritmo de jogo, nunca irei me esquecer desse dia”. Foi três vezes campeão estadual (1983,1986 e 1987). Depois, transferiu-se para o Famalicão, de Portugal. De 1991 a 1995, jogou no Olímpia, União Barbarense e Velo Clube, todos do interios paulista. Encerrou a carreira no Operário, de Campo Grande.

Bem informado, ele quer saber dos desfalques do Santa: “Rosembrink joga é? Vou ter que providenciar uma marcação especial nele. Quem é esse Lecheva que vai jogar no ataque? Graças a Deus Carlinhos Bala não vem.”

Birigüi pergunta mais do que o entrevistador. Quer saber dos jogadores do elenco, está curioso sobre os reforços para a Primeira Divisão e revela que sonha em voltar a trabalhar no Santa Cruz. E está convicto de que a saudade é recíproca.

Admito: estou torcendo por um empatezinho com o Vila Aurora ou uma vitória mixuruca por 1 a 0. Se houver a partida da volta, é capaz de Birigüi atravessar o gramado e se jogar em cima do escudo do Santinha.

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