Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de fevereiro de 2006

A crônica da ruindade (a quatro mãos)

Primeiro tempo (por Inácio França) Na saída do bar, Bruno avisou: "se vocês fizerem uma crônica desse jogo, vai ser a prova de que vocês não tem vergonha nenhuma na cara. Não vale a pena dar trabalho aos neurônios por causa de um futebolzinho desses". Ele é médico, urologista, e não sei o que prostáta tem a ver com neurônios, mas acredito que há alguma base científica para um afirmação tão categórica. O problema é que, às vezes, é necessário escrever sobre um acontecimento ruim para se livrar do peso que ele deixa na alma. Mesmo assim, o médico tem razão numa coisa: o futebol do Santa e do Vila Aurora não vale que desgaste meus neurônios para escrever nem o de vocês para ler. A matéria-prima da crônica do jogo – pior de assistir do que corrida de Barrichello - não entrou em campo: estava na mesa, na reação dos amigos e conhecidos em torno das garrafas de cerveja. Uma frase, de autoria de um barbudo ao meu lado, resumiu tudo: "Pra eu prestar atenção nas mulheres do bar com o Santinha jogando, é que o jogo tá muito ruim mesmo". Se a digníssima esposa do barbudo tivesse ido, ele não teria o que fazer durante os 90 minutos. Do outro lado da mesa, outro tricolor seguiu a mesma linha de raciocínio e emendou assim que o juiz apitou o fim do primeiro tempo: "É, a única coisa que vai passar nos melhores momentos é a imagem em câmara lenta da galega de saia branca saindo do banheiro do bar". Sim, o bar tinha garçons antipáticos e o som baixo, mas o público feminino era, digamos, bastante eclético. Nem isso serviu para persuadir Samarone a ficar. Justiça se faça a Givanildo. O jogo mal tinha acabado e o marreco foi logo denunciando: "O juiz não entende nada de futebol". É verdade, se entendesse tinha terminado a partida com 20 minutos do segundo tempo e dado um esporro nos 22 jogadores. Segundo tempo (por Samarone Lima) Quando terminou o primeiro tempo, eu já tinha chegado à conclusão que tinha pisado em rastro de corno. O jogo estava uma desgraça, o garçons do Recanto Paraibano eram uma revoada de boçais, então comecei um abaixo assinado para ligarem o som, para a gente escutar a narração do jogo. "O jogo já começou? Quando começar, a gente aumenta". Não pude curtir a entrevista de Birigui no intervalo, mas fiquei babando com as defesas espetaculares que a Globo mostrou. Na mesa, todos os tricolores ficaram nervosíssimos, com medo de que alguma daquelas defesas não tivesse acontecido de fato. Santo goleiro, deus do céu, que merece uma homenagem no Arrudão, na próxima quarta-feira. Como sugeriu Inácio França, "uma placa, entregue debaixo da barra". Eu, Naná, Gerrá e Alessandra, fizemos nossa rebelião, porque eu sou puto com esse negócio de pagar e ainda ser maltratado. Fomos assistir ao segundo tempo num pequeno boteco na Estrada do Encanamento. Mal sentamos, pedimos uma cerveja, olhei para a parede e estava lá, a moldura: o símbolo da coisa. Puta que o pariu, pisei em rastro de corno mesmo, e foi gaia grande, pensei logo. Segue o jogo, que merda. Bola pra cá, pra lá, que merda. Ataque do Santa, que merda, o Vila Aurora no ataque, que merda. Foi quando surgiu a idéia lancinante de um arrumadinho. Acho que o jogo estava tão ruim, que o cozinheiro resolveu caprichar. Amigos corais, veio um arrumadinho de uns três quilos com uma charque macia (a R$ 8,00), que se tornou, imediatamente, o melhor lance do jogo, depois das defesas de Birigui. Comemos o arrumadinho, vendo nosso time cada vez mais desarrumadinho, perdão pelo trocadilho. Bebericamos nosas cervejas e de vez em quando maltratamos a vista, olhando aqueles 22 jogadores correrem. Quando o juiz apitou o final, acabou a agonia. Pagamos a conta e voltamos para casa. A sorte é que a conta do boteco deve ter sido bem menor que aquela desgraça do Recanto Paraibano (nem me chamem, que não volto), e Gerrá nos deu carona. Já pensaram: depois de um jogo daqueles, pagar uma conta bem alta e ainda voltar para casa a pé? Do alto da minha prosopopéia, aponto os dois melhores lances do primeiro jogo do Santa pela Copa do Brasil: as defesas do São Birigui, no intervalo, e o arrumadinho de três quilos, no bar de um burronegro. Desse jeito, fica difícil manter meu emprego de cronista aqui no Blog…

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