Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 20 de fevereiro de 2006

O pintor de alegrias

Francisco, eletricista profissional e pintor amador Obra de arte em Monsenhor Fabrício Fabiana vetou as tintas na geladeira e no gesso

por Inácio França Tem gente que ama o Santa Cruz e sabe tocar um instrumento musical, aí leva a sanfona pro Arruda e compõe música de improviso para expressar esse amor. Alguns têm o clube dentro do coração e sabem escrever, aí montam um blog para expressar o sentimento. Outros têm carro, aí botam adesivo no vidro e bandeirinha tricolor na janela para que todos saibam do seu compromisso. Francisco Araújo Souza Júnior não tem carro, não tira som de instrumento nenhum e nunca teve muita intimidade com a escrita. Como sabe pintar bem, usa os pincéis para colorir tudo ao seu redor de preto, branco e vermelho. Primeiro foi o muro de sua casa, na avenida Maurício de Nassau (a paralela da Caxangá), em Monsenhor Fabrício. Depois, o poste da Celpe, a bicicleta, o meio-fio e aqueles ferros que se colocam na calçada para impedir que carros estacionem. Pra ninguém ter dúvida sobre suas preferências futebolísticas, dois bandeirões tricolores enfeitam a área. “Eu queria pintar geladeira, mas a mulher não deixou. Agora, já tô juntando tinta para a fachada da casa”, anunciou Francisco Júnior, freqüentador assíduo das gerais do José do Rego Maciel e fã incondicional de Zé do Carmo, na sua opinião o maior jogador que já vestiu a camisa tricolor. Outra coisa que ele não conseguiu colorir foi o gesso da perna de sua mulher, Fabiana, vítima de uma fratura exposta na perna há dois meses. As filhas Poliana, de oito anos, e Mônica, de cinco, também escaparam, afinal elas poderiam ser alérgicas à tinta. Mesmo assim, ele diz afirma que seu maior orgulho são os resultados obtidos com as meninas: “A pequena é mais fanática do que eu. Não pode ver um jogo passando na televisão que me chama para ver o Xanta Cus (Santa Cruz, na língua de uma menina de cinco anos)”, assegura o pintor, que, na verdade, é eletricista de automóveis. O empenho de Francisco em colorir o mundo à sua volta não sensibilizou o coração de Fabiana. A mulher não gosta nem um pouquinho de futebol e nem quer saber de ir ao estádio. Mesmo assim, ora se diverte ora se resigna com a outra paixão do marido: “Eu acho é engraçado, acho legal. Cada um com seu gosto. Eu respeito, desde que deixe a geladeira em paz. Mas tem vezes que ela exagera: dia desses, acordei às duas horas da madrugada e encontrei Júnior na calçada, retocando o escudo que estava descascando. Aí eu gritei: ‘entra em casa homem sem juízo, não tem ninguém na rua. Vou dizer pra sua mãe’”.

Pela primeira vez, dedico um texto a alguém: para a alvirrubra que me revelou e levou ao homem que pinta alegrias. E a quem desejo alegrias de todas as cores, sempre.

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Passado e futuro do carnaval tricolor

Quem achava que a Sanfona Coral era uma grande novidade, vai precisar rever seus conceitos depois de curtir esse quadro de Bajado, cuja reprodução foi enviada pelo designer gráfico Anízio das Olinda, tricolor de quatro-costados e admirador da obra do mais popular pintor olindense.

Novidade mesmo é a Minha Cobra, que irá sair do largo do Amparo às 10h da segunda-feira de carnaval. Antes, a troça genuinamente tricolor, com sua cobra gigante de 27 metros e 68 centímetros, irá fazer uma prévia no estádio do Arruda, em pleno Santa Cruz x Vila Aurora. A concentração começa às 18h30min de quarta-feira, no bar Amarelinho, na avenida Beberibe (o nome é outro, mas todo mundo só chama de Amarelinho).

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