Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 23 de fevereiro de 2006

Noite de estréias no meio do povo

Ana Rita, ao lado do filho, estréia em grande estilo
Minha Cobra surpreendeu as arquibancadasBirigüi fez o impossível: Vila Aurora jogou bem

No intervalo, Charles já sentia saudades da aula de matemática
por Inácio França
Ana Rita Araújo está pertinho de completar seus 70 anos. É uma tricolor que dedica minutos e até horas preciosas dos seus dias alimentando a paixão pelo Santa Cruz Futebol Clube.
Ela escuta todas (todas mesmo, não é força de expressão) as resenhas esportivas, confere as matérias nos jornais, fica atenta aos bate-bocas sobre futebol em suas andanças pelo bairro de São José e conhece detalhes da vida dos jogadores contratados pelo time. Quando algum parente comete a insensatez de marcar casamento ou aniversário em dia de jogo, leva radinho de pilha para ficar ligada no placar.
O amor de Ana Rita contudo, era platônico. Ela nunca tinha ido assistir a um jogo do Santinha. Dona-de-casa, temia a agitação e a multidão. Católica praticante, sentia-se constrangida com palavrões. Às vésperas da partida contra o Vila Aurora, anunciou, para espanto e satisfação da família, que iria ao Arruda. E foi, acompanhando a Sanfona Coral e ao lado da troça carnavalesca Minha Cobra.
É bem verdade que o time de Givanildo poderia ter caprichado um pouco mais para satisfazer a mais nova freqüentadora do Mundão do Arruda, mas sua estréia teve todos os ingredientes para tornar inesquecível a noite de 22 de fevereiro: antes da partida, ganhou uma camisa oficial do filho Paulo; a cobra coral gigante entrou nas arquibancadas sob um “tri-tricolor” de arrepiar os mais desalmados; o Santa venceu, o que lhe valeu a imagem de pé-quente; para quem não suporta (ou suportava) palavrões, ela deu a sorte de sentar junto de um torcedor inspiradíssimo que, aos 3 minutos de partida, já tinha chamado até o gandula de feladaputa-cornosafado-viado-vaidarocu-fioderapariga.
No final, Ana Rita garantiu timidamente, mas com firmeza: “gostei”.
Disposta a sondar a alma da mãe, a filha (uma alvirrubra que, mesmo depois de um dia puxadíssimo no trabalho, fez questão de acompanhar a primeira vez da mãe num jogo do Mais Querido) quis saber: “do que a senhora mais gostou?”
A resposta não poderia ser mais pragmática: “Do resultado, lógico! Nos classificamos!”
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A Minha Cobra é simpática e impressionante, mas, decididamente, não dá para ir aos estádios. É trabalhosa e calorenta demais: imagine o que são de 15 a 20 pessoas passando pela roleta, embaixo dos panos da cobra, com os da frente querendo andar mais depressa depois de entregar o ingresso e os outros se enrolando lá atrás.

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Charles da Silva, simpatizante da Inferno Coral, gazeou aula numa escola em Campo Grande para ir ao jogo do Santa. No intervalo, estava arrependido e querendo compensar o tempo perdido calculando uma equações da tarefa de casa. “O jogo tá pior que a aula de matemática”, lamentou.
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Tá certo que o time do Santa está jogando um futebol desorganizado e sem graça, mas pela arrumação e vontade de jogar do Vila Aurora, dá para perceber que Birigüi é um técnico com várias qualidades.
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