Noite de estréias no meio do povo
Ana Rita, ao lado do filho, estréia em grande estilo
Minha Cobra surpreendeu as arquibancadas
Birigüi fez o impossível: Vila Aurora jogou bem
por Inácio França
Ana Rita Araújo está pertinho de completar seus 70 anos. É uma tricolor que dedica minutos e até horas preciosas dos seus dias alimentando a paixão pelo Santa Cruz Futebol Clube.
Ela escuta todas (todas mesmo, não é força de expressão) as resenhas esportivas, confere as matérias nos jornais, fica atenta aos bate-bocas sobre futebol em suas andanças pelo bairro de São José e conhece detalhes da vida dos jogadores contratados pelo time. Quando algum parente comete a insensatez de marcar casamento ou aniversário em dia de jogo, leva radinho de pilha para ficar ligada no placar.
O amor de Ana Rita contudo, era platônico. Ela nunca tinha ido assistir a um jogo do Santinha. Dona-de-casa, temia a agitação e a multidão. Católica praticante, sentia-se constrangida com palavrões. Às vésperas da partida contra o Vila Aurora, anunciou, para espanto e satisfação da família, que iria ao Arruda. E foi, acompanhando a Sanfona Coral e ao lado da troça carnavalesca Minha Cobra.
É bem verdade que o time de Givanildo poderia ter caprichado um pouco mais para satisfazer a mais nova freqüentadora do Mundão do Arruda, mas sua estréia teve todos os ingredientes para tornar inesquecível a noite de 22 de fevereiro: antes da partida, ganhou uma camisa oficial do filho Paulo; a cobra coral gigante entrou nas arquibancadas sob um “tri-tricolor” de arrepiar os mais desalmados; o Santa venceu, o que lhe valeu a imagem de pé-quente; para quem não suporta (ou suportava) palavrões, ela deu a sorte de sentar junto de um torcedor inspiradíssimo que, aos 3 minutos de partida, já tinha chamado até o gandula de feladaputa-cornosafado-viado-vaidarocu-fioderapariga.
No final, Ana Rita garantiu timidamente, mas com firmeza: “gostei”.
Disposta a sondar a alma da mãe, a filha (uma alvirrubra que, mesmo depois de um dia puxadíssimo no trabalho, fez questão de acompanhar a primeira vez da mãe num jogo do Mais Querido) quis saber: “do que a senhora mais gostou?”
A resposta não poderia ser mais pragmática: “Do resultado, lógico! Nos classificamos!”
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A Minha Cobra é simpática e impressionante, mas, decididamente, não dá para ir aos estádios. É trabalhosa e calorenta demais: imagine o que são de 15 a 20 pessoas passando pela roleta, embaixo dos panos da cobra, com os da frente querendo andar mais depressa depois de entregar o ingresso e os outros se enrolando lá atrás.
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Charles da Silva, simpatizante da Inferno Coral, gazeou aula numa escola em Campo Grande para ir ao jogo do Santa. No intervalo, estava arrependido e querendo compensar o tempo perdido calculando uma equações da tarefa de casa. “O jogo tá pior que a aula de matemática”, lamentou.
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Tá certo que o time do Santa está jogando um futebol desorganizado e sem graça, mas pela arrumação e vontade de jogar do Vila Aurora, dá para perceber que Birigüi é um técnico com várias qualidades.
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