Habemus futebol! - versão revista e ampliada
Buzinaço no ouvido de Rosivaldo
Sérgio dispensa as sociais
O terceiro gol, numa foto merreca
Por Samarone Lima
Um amigo meu que é jornalista me confessou: antes do jogo, já tinha torcedor esculhambando o lateral Periz, dos pés à cabeça. Só não chamou o negão de santo, mas o resto foi cacete. O sujeito não tinha pego na bola, e já era o pior em campo. O torcedor do Santa espumava de ódio e queria jogar o radinho no atleta. Então aconteceu algo comigo: fiquei torcendo desesperadamente pelo lateral, que sempre foi mediano, mas entrou naquele período terrível para qualquer atleta, que é a má fase. E quanto mais eu torcia, mais a torcida coral pegava no pé do jogador, vaiava, xingava, esculhambava. Teve um momento que ele pegou a bola, estava meio sozinho e deu um passe franzino, que caiu justamente no pé do adversário. Aquele passe que ele não erraria nunca, mas errou porque estava sentindo a pressão. Estávamos na metade do primeiro tempo, e o lateral devia estar rezando para acabar logo aquele tormento. Vi que ele suava frio. Do outro lado, Osmar. No segundo tempo, ele atacou pela direita, do lado que eu estava. Ele não podia tocar na bola, que a torcida entrava em êxtase. “Vai, Osmar, vai meu garoto”, dizia um coroa ao meu lado. No primeiro tempo, quando Periz tocava na bola, o mesmo coroa soltava um berro: “solta essa bola, fila da puta!” O resultado foi simples. Cada vez mais empurrado pela torcida, Osmar fez o diabo. A minha constatação psicológica foi a seguinte: de um lado, estava o ódio da torcida, o perna de pau, que era o velho Periz. Do outro, o amor, o xodó, o queridinho, o que acertava tudo. Como torcedor, senti uma pena dos diabos de Periz, e torço para que ele se recupere. Seu futebol é mediano, mas ele fez um bom Estadual em 2005 e não atrapalhou nossa jornada na Segundona. Mas acho que a torcida precisa dar uma aliviada, pegar mais leve. Outro dia, Carlinhos Bala passou uns oito jogos sem fazer gols. O Dida, goleiro da seleção, anda papando uns frangos que eu vou dizer. Todos eles tiveram a chance de dar a volta por cima. Torço por Periz. Por falar em torcedor, venho sendo esculhambado diariamente pelo sanfoneiro Chiló, por defender a qualidade do jovem arqueiro Anderson. No último jogo, ele fez uma excelente defesa, e um camarada da arquibancada soltou o seguinte comentário: “Esse goleiro é bom, mas é fraco”.
Eu não entendi, e acho que Freud não explica.
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Arquibancadas 1 - O policial Rosivaldo Alves da Silva achou que no segundo tempo a torcida estava tranqüila demais, silenciosa demais, e comprou três buzininhas para o filho Vinícius (o do meio na foto lá em cima) e os sobrinhos Luizinho e Mateus. Arrependeu-se: foram 35 minutos de perturbação da paz pública, até que ele arrastou os meninos e saiu antes do fim do jogo. Provavelmente, foram buzinando até em casa e se acordaram buzinando, acordando os vizinhos rubro-negros. Arquibancadas 2 - Sérgio (na foto do meio) não tem paciência para assistir aos jogos no espaço reservado para quem precisa de cadeira de rodas, junto das sociais. "Aquilo é uma morgação danada. Aqui na arquibancada dá mais trabalho: meus amigos precisam desarmar a cadeira e eu subo sozinho, mas é muito mais animado".
31 comentáriosAcabou a ressaca: imagens do carnaval (Olinda)
No final da rua de São Bento
Diante das câmaras das TVs













