Anotações sobre o jogo a R$ 1,00
Por Samarone Lima Amigos corais, Desde que este Blog do Santinha foi criado, em 10 de agosto do ano passado, estamos batendo na mesma tecla – os ingressos no Arruda precisam ser mais baratos, a massa coral não tem condições de ficar pagando dez, doze, até quatorze reais para ir ao estádio. A invenção do “Futebol Solidário” não resolve uma questão que é geral: muita gente quer simplesmente ir ao estádio, comprar seu ingressinho e ver o tricolor em campo, sem aquela confusão de trocar alimento por ingresso, enfim. Mais que isso, muita gente quer levar a namorada, a esposa, o filho, e não pode. Nós sempre defendemos uma formulação lógica que é simples: Ingresso barato = arruda cheio. Chegamos a fazer um protesto oficial, a Sanfona Coral deixou de tocar uma vez, saíram notinhas nos jornais. Ontem aconteceu o que tanto queríamos: ingresso barato para a multidão coral. Barato não, quase de graça. Nem o mais otimista esperava tanto: R$ 1,00 para ver o Mais Querido em campo. Sabemos muito bem que nem sempre dá para fazer este tipo de promoção, mas o resultado foi maravilhoso: Arrudão cheio, a massa coral feliz, e para completar, a vitória por 2 x 0, com dois gols do nosso Caaaaaarliiiiinhos Bala-bala!! Há tempos não via tantas famílias no estádio. Marido, mulher, filhos, todos de Santa Cruz, dos pés ao cocoruto. E vejam só, que bela programação para o domingo de sol: levar a família para ver o Mais Querido. Há quanto tempo um assalariado não tinha condições sequer de pensar nisso? Antecipadamente, já pedimos à diretoria: ingressos a preços razoáveis, sempre. O clima era de festa. Muita gente que há tempos não sabia o que era uma arquibancada, estava por lá. Os bares ao redor do Arruda estavam cheios, e muita gente ganhou seu dinheirinho, para começar a semana bem. Milhares de espetos torravam nas brasas, do lado de fora do estádio. Era fumaça até uma horas. As barracas à beira do canal estavam entupidas. Faz tempo que eu não via tanta gente sorrindo. Diria que ontem, no Arruda e arredores, havia uma espécie de onda magnética, que provocava sorrisos até nos mais sisudos. Ontem, no Arruda, os depressivos se recuperaram, os suicidas desistiram do intento, os violentos se abraçaram. A única nota destoante foram as três estúpidas brigas no miolo da Inferno Coral, mas toda festa tem isso mesmo: aquele convidado que toma todas e faz merda, vamos perdoar, mas é algo que realmente não tem nada a ver. É como irmão brigando com irmão. Inácio, meu amigo de Blog e das lidas jornalísticas, assistiu a partida ao lado de um sujeito que tinha um boneco, com a roupa do Santinha. Era uma homenagem ao nosso Bala. Vejam que beleza a cena. O sujeito, um senhor, pai de família, sai de casa, vai a uma loja de brinquedos, compra um boneco, bota a roupa do Santa e o leva ao estádio. Passou o jogo com o boneco nos braços, acalentando, como se fosse um filho. A imagem é singela, cheia de beleza e amor. Ah, amigos, o tricolor é sempre um menino que não cansa de buscar a alegria, a festa. O verdadeiro torcedor do Santa vive uma eterna infância. Se o Santa não existisse, o futebol seria uma tolice, praticado por bárbaros e esquisitos. Para a tarde ser completa, faltava somente o velho xodó ser invocado. Lá pelas tantas, a massa começou: “Ah, é Rosembrik!”. O velho Giva escutou, acionou o massagista, que percorreu 200 metros em cinco segundos. “Tua vez, mago”, disse, botando os bofes para fora. O xodó entrou. Estávamos com saudade daquele magricela com a bola nos pés. Poderíamos incluive cantar "Rosembrik maravilha/nós gostamos de você", porque é mesmo um jogador que caiu nas graças da torcida. Deu tudo certo, ganhamos os três pontinhos e estamos quase na pontinha da tabela. Quero dar uma cipoada na coisa, no clássico. Vai ser a arrancada final para o bi. Só não entendo a ausência da Sanfona Coral, para a festa ser completa. Agora tem essa novidade: cada jogo tem alguém da Sanfona contundido. Ontem, foi a vez do zabumbeiro. Dizem que ele, Gerrá, foi palitar os dentes, depois do almoço, e acertou aquela velha obturação. Amigos, eu já vi desculpa ruim, mas como essa, francamente…









