A questão psicológica da decisão
Por Samarone Lima
Amigos corais,
Eu acho os psicólogos meio malucos, mas tenho uma certeza interior que tudo na vida depende do estado psicológico da pessoa. Exemplo: o sujeito leva uma sonora de uma gaia, bebe todos os bares da cidade, fica querendo saber dela, se torna um obcecado compulsivo, vai se tornando um cadáver ambulante. Esse está fodido. Imaginemos outra cena: o sujeito leva uma gaia tremenda, sofre lá sua dor de corno, toma uns três pileques de empenar, mas descobre que a cidade está cheia de mulheres, que ainda tem muita vida pela frente, começa a se cuidar, volta a fazer um esporte, reduz os birinaites. Daqui a pouco, o camarada já deu a volta por cima. Tudo depende da reação psicológica.
Pois bem, isso aqui não é consultório sentimental nem o Centro de Estudos da Gaia, vamos ao que interessa: a questão psicológica para a decisão do Estadual, contra a coisa, que começa quarta-feira.
Estamos vindo de dois resultados muito ruins: fizemos 3 x 0 no Central em questão de minutos, não dava nem para comemorar direito. Depois, nossos atletas tiraram férias e ficaram jogando dominó em campo. Resultado: levamos dois gols e quase amargamos um empate. Muitas úlcera já estavam nascendo, na quarta-feira. Ontem, na barbielândia, começamos botando quente. Gerrá foi dar uma mijada, quando voltou, o Santinha já tinha enfiado três.
Novamente, os jogadores corais decretaram licença-prêmio e foram fazer uma melhor-de-três no dominó. Resultado: o empate, com sabor de derrota. Pior que isso: ainda perdemos um pênalti e a coisa ganhou, de goleada, revertendo a vantagem. Vão decidir o caneco em casa.
Psicologicamente, nós corais deveríamos estar arrasados e depressivos, exalando mal humor e achando a vida um sofrimento perpétuo. O tricolor, hoje, deveria estar azendo como um limão da Ceasa.
Mas não, pelo menos na minha avaliação. Acho que ontem, naquele empate contra as barbies, começamos finalmente a caminhar para o Bi. Todo o cenário agora está desfavorável. A coisa vem embalada, o time está bem, vai decidir em casa. Nós estamos no meio de uma tormenta, com técnico novo, e um time que parece uma gangorra, a zaga parece mais a Agamenom Magalhães. Vamos do êxtase à fossa completa em minutos. Nos últimos jogos, não pudemos sequer piscar o olho, que tinha alguma desgraça acontecendo. Dizem que o treinador Giba saiu do estádio revoltado com os atletas, deu esporro em todo mundo, sobrou até para o roupeiro, massagista e gandulas.
A torcida rubronegra já comemora o título. Ontem, já alugaram trios elétricos e chopp. Uma empresa de silk screen, de um amigo, recebeu a encomenda: cinco mil faixas de Campeão 2006. Hoje de manhã, fui informado que levaremos duas goleadas históricas.
Não há cenário melhor para uma decisão: de um lado, um time de salto alto, com a torcida já comemorando o título, encomendando o chopp. Do outro, um time que vem de dois resultados ruins, com o treinador puto e em desvantagem no regulamento.
O jogador coral vai entrar na decisão com raiva, querendo se redimir perante sua imensa e apaixonada torcida. Eles sabem muito bem a delícia que é a famosa “volta por cima”. A desvantagem do regulamento é o de menos. Na quarta-feira à noite, teremos 11 atletas alucinados pela vitória, 11 carrapatos na marcação, 11 Hércules nas quatro linhas, 11 obstinados pela vitória.
E como diz aquela propaganda de cartão de crédito, “dar a volta olímpica na Casa dos Festejos, não tem preço”.
28 comentários









