Perdemos
Por Samarone Lima
Acabo de chegar em casa, são nove horas da noite da noite do domingo. Venho da Ilha, onde perdemos o bi, nos pênaltis. Na Kombi, entre poucas palavras, eu e os tricolores aqui do Poço, a soluçar nossas tristezas. Não há como negar: uma parte da cidade está em festa. Há fogos, buzinas, fui cutucado por muitos rubronegros, eles são campeões. Viveremos, nos próximos dias, o inferno do “casá casá”.
É a derrota. Perdemos. O título esteve em nossas mãos e ele escapou. O Bi, em plena Ilha, seria perfeito, a consagração. Mas não veio. É a vida, e ela segue.
Teria muitas coisas para contar, para escrever. Dois meninos que vendiam pipoca, na Ilha, e que começaram a rezar, quando veio a decisão nos pênaltis. Um camarada que botou a camisa do Santa e se ajoelhou. Walter, que ficou de costas para os pênaltis, e me perguntava se a gente tinha feito o gol. Lucas, meu vizinho de seis anos, um pirralho lindo, que me viu passando cabisbaixo, com a bandeira no ombro e disse, após um abraço generoso:
“Sama, eu sei que o Santa perdeu mas depois a gente ganha de novo, não fica triste”.
É a derrota, pura e simples. Perdemos.
Mas lembro da Ilha do Retiro calada, quando fizemos o gol. Lembro da felicidade que fiquei, quando eles perderam o primeiro pênalti. Chegamos perto do êxtase, e conhecemos a mais profunda dor. São as coisas do futebol.
Perdemos. Aceitemos o fato simples da derrota. Deixemos nossos atletas em paz. Foi uma decisão nos pênaltis, e erramos quando o título estava próximo. Do lado de cá, tivemos o erro no momento decisivo, os pênaltis de Lecheva e Neto. Do lado de lá, existiu um goleiro numa noite inspirada, é preciso admitir.
Não queiramos explicar o inexplicável. É o momento de apenas aceitar o imponderável do futebol, a misteriosa matemática dos pênaltis, quando faltava muito pouco para chegarmos ao êxtase.
Cada tricolor deveria olhar para a camisa e sentir orgulho.
Estou triste, é claro, mas aquela velha e linda camisa das três cores foi honrada. A vida segue.
Cuidemos agora da primeira divisão.
37 comentáriosSuperstição fotográfica

Por Anízio das Olindas, designer gráfico e fotógrafo eventual
“Vamos dar na coisa duas vezes hoje: no tempo normal e nos pênaltis”.
Foi o que disse o feliz proprietário desta casa no bairro de Amaro Branco, Olinda,
quando eu vinha pela rua dele para fotografar novamente sua bandeira, nesta manhã
chuvosa de domingo.
Ano passado fiz a mesma coisa na manhã do jogo contra a Portuguesa e fomos para a 1ª divisão!
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