Rede de intrigas: racha no elenco tricolor

Roberto e Paulista: os líderes das facções rivais
por Inácio França
O elenco do Santa Cruz está dividido, completamente rachado em dois.
A informação acima caiu no colo da equipe do Blog do Santinha no final da tarde de ontem, enquanto atravessávamos a avenida Agamenon Magalhães em pleno crepúsculo.
Não tínhamos motivos para duvidar do passarinho que nos contou a história, pois tratava-se de uma ave bastante confiável, mas decidimos verificar tudo direitinho antes de publicá-la. Zelo de quem já ganhou a vida como repórter.
Samarone passou o dia entretido com mais uma entrevista para finalizar seu livro sobre a bomba no aeroporto. Então, coube a mim a tarefa de trocar e-mails, dar telefonemas e barganhar informações nos intervalos da labuta no Unicef. No final, a confirmação: as rixas e picuinhas entre os jogadores são graves. E, enquanto isso não se resolver, não adianta esperar pela volta do bom futebol.
A julgar pelas respostas que escutei, os dirigentes do clube já identificaram os principais nós da rede de intrigas, mas decidiram que não irão agir como cirurgiões nem como homeopatas. Ou seja, nada de cortes profundos nem tratamento demorados demais. A estratégia dos cartolas parece ser contratar mais alguns reforços nos próximos dias e, depois, dispensar os problemáticos. O problema vai ser resistir à pressão da torcida, impaciente com os maus resultados e com a ascensão da coisa.
As pessoas com quem conversamos identificam o principal problema na rivalidade entre o capitão Carlinhos Paulista e Roberto, principal liderança fora do gramado. Os dois nem se falam. E esse clima contaminou todos os jogadores.
Depois de um início de relacionamento tenso com Givanildo, Roberto se aproximou do ex-treinador e acabou seduzido pela lógica de trabalhar bastante, conquistar resultados, garantir espaço no time e moral com a cartolagem. Neto, Carlinhos Bala e Rosembrik concordam com isso.
Carlinhos Paulista não é um líder natural mas, por conta da sua facilidade de entrosamento, exerce bastante influência junto a alguns jogadores. E está sempre fomentando coisas do tipo “não fale isso perto de sicrano” ou “não confie em fulano”. Tais recomendações fizeram a cabeça de gente como Thiago Gentil, Marco Brito, Édson Mendes e Alex Oliveira, mas azedaram o clima no Arruda.
Empresariado por José Luiz Galante (elemento de péssima reputação), Paulista sempre ficou isolado num clube do qual os empresários mantiveram distância em 2005 por conta da força de Neto, Roberto, Bala e Givanildo.
Com a saída do técnico e a chegada de Thiago Gentil, também empresariado pelo nefasto Galante, Paulista passou a sentir mais à vontade, chegando a reclamar até do conteúdo das matérias publicadas no site Coralnet. Hoje, ele acordou de péssimo humor por causa da boa repercussão da estréia da dupla Adriano e Valença na série A
Gentil merece um parágrafo exclusivo: além de morrer de ciúmes do caso de amor entre Carlinhos e a torcida, também está se esforçando para ganhar o trófeu de elemento mais desagregador de 2006. Adora uma picuinha. Dizem que Romerito Jatobá já fez promessa no Morro da Conceição para que apareça um clube interessado nele. Se aparecer, ganha a liberação na hora, com direito a tapinha nas costas e tudo mais.
Giba não chega a ser uma unanimidade, mas está conquistando o respeito de quem vive o cotidiano do clube. É um técnico que passa horas treinando fundamentos e formações táticas. Gosta de trabalhar, é aberto ao diálogo e tem uma visão moderna de futebol, capaz de agregar valor ao time do Santa Cruz. O azar é que ele chegou num péssimo momento na tabela do estadual e na vida interna do clube.
Com todas essas informações (conferimos tudinho com mais de uma fonte, podem confiar. Até os nomes dos prováveis reforços o Blog do Santinha já sabe, mas sobre esses prometi guardar segredo), fica evidente que o quebra-pau entre Bala e Tubarão na reta final do segundo turno era apenas a ponta do iceberg. Foi o que estava abaixo da superfície que fez o time afundar.
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