Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 1 de maio de 2006

Complexo de vira-lata

Para quem não sabe: esse era Nélson Rodrigues

Por Samarone Lima

Foi Nélson Rodrigues quem escreveu - em 1958 deixamos de ser vira-latas. Mesmo tendo o melhor futebol do mundo, amargamos a humilhação frente ao Uruguai, em 1950, naufragamos em 1954 e só chegamos ao primeiro título mundial em 1958.

Foi quando descobrimos que não precisávamos mais dar uma de coitadinhos. Não éramos mais um bando de malamanhados, com calção curto, sem saber para onde ir. Logo veio 1962 e 1970. O tricampeonato fez o seguinte: nos transformou em uma nação. Os sociólogos, antropólogos e analistas políticos não admitem, mas o fato essencial do Brasil, entre 1958 e 1970, é apenas um: o tricampeonato mundial. Em 12 anos, saímos da puberdade para a plena maturidade. O gol de Carlos Alberto, na final contra a Itália, foi nossa Bastilha, nossa Inconfidência. Tostão é mais importante que Tiradentes, desculpem o exagero. Os jogadores italianos, correndo desesperado para arrancar a camisa dos nossos atletas, foi algo como a Divina Comédia. Era patético e assombroso.

E vejamos agora o Santa Cruz. Falta ao nosso time este sentimento improvável da superação. Nunca mais voltamos a ser grandes. Sei que o Santa, nos anos 70, viajava pelo Brasil, e calava maracanãs, morumbis, parques antárcticas. O simples fato de dizer: vão jogar contra o Santa, dava calafrios nos adversários. “Lá vem o Santa”, diziam.

O jogo contra o São Paulo foi uma amostra disso. No primeiro tempo, estávamos atentos, marcando, acompanhando as jogadas, feito time grande. No intervalo, o treinador do São Paulo simplesmente gritou: “porra, vocês são campeões do mundo!”, e o time começou a jogar. E tudo que era chute, virou gol.

Falta ao Santa abandonar o complexo de inferioridade. Parece que ainda estamos na séria A como penetras. É preciso personalidade, caráter. Poderíamos ter voltado dos dois jogos fora com dois empates, no mínimo. Ao nosso treinador, caberia um grito: “porra, deixem de ser vira-latas, que o Santa pode jogar com qualquer time do Brasil!”.

Deixemos de ser vira-latas digo eu. Abandonemos os complexos. É hora de partirmos para uma arrancada, jogar com mais ousadia, personalidade, coisa de time grande.

Mais que futebol, está faltando ao nosso time é uma espécie de adoração à camisa do Santa.

Talvez nossos atletas estejam a precisar de aulas com o professor Ramon.

Estamos sendo vira-latas, quando a Série A pede um time formado por homens, ou, no mínimo, cães de raça.

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Profissionais contra criancinhas

Humilhação no Morumbi, desolação no bar da av. Beberibe

Da equipe do Blog

Discutimos, ouvimos as resenhas, assistimos aos replays dos gols, analisamos as declarações nos jornais e não chegamos à conclusão nenhuma.

O primeiro tempo, apesar do domínio territorial do São Paulo, o Santa pareceu firme e conseguiu segurar o São Paulo até com certa tranquilidade. Só Carlinhos Bala aparentou nervosismo. Deve estar sentindo a pressão de ser estrela e ter que corresponder à expectativa criada em torno dele pela Imprensa. Fazia tempo que o futebol pernambucano não gera um jogador tão badalado e, pelo jeito ele está sentindo esse peso. Tanto que está sumido em campo.

Aí, no segundo tempo tudo mudou. No restaurante Brasão, o famoso “amarelinho” junto do estádio do Arruda, muita gente botou a culpa no técnico por ele ter trocado a eficiência de Fernando Miguel pela aposta no outro Fernando, o Pilar. Essa teoria foi sustentada nas mesas com o argumento que, antes da troca, a zaga parecia estar mais protegida.

O problema é que o São Paulo veio disposto a tirar o couro do Santinha: o técnico deles adiantou a marcação e encurralou o time coral. Uma coisa é ser marcado no campo de defesa pelo Vila Aurora. O máximo que acontece é amargar um empatezinho. Contra o São Paulo, é goleada na certa.

E depois de fazer o primeiro gol, eles lembraram que eram os campeões do Mundo e das Américas. Aí, deixaram de respeitar o Santa Cruz. O estoque de respeito e cautela foi todo consumido nos primeiros 45 minutos. E não havia Fernando Miguel que desse jeito.

Um leitor do blog, Manoel Ferreira, que é entendido nesses assuntos de psicologia e dos aspectos mais sombrios da mente humana, chegou perto de definir o desânimo da torcida: “O pior não foi goleada. Fiquei triste mesmo foi do jeito que ela aconteceu. Parecia um time de adultos jogando contra criancinhas do jardim da infância. O segundo tempo foi todo no campo do Santa, quase uma zorrinha daquelas que a gente jogava quando era menino”.

Sem conseguir jogar, apavorados e torcendo para que o jogo acabasse aos 30 do segundo tempo, os 11 jogadores corais nos fizeram lembrar que o ano de 2005 acabou há 5 meses. Foi um choque de realidade na torcida e no elenco. Giba vai ter três vezes mais trabalho: terá de devolver confiança aos jogadores, à torcida e fazer o time jogar bola.

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