Psicologia, fé, endomarketing…
Os leitores do Blog já começaram a apelar para a psicologia e para a religião
Futebol não é nada, marketing é tudo (título original)
por Coronel Peçonha, advogado e responsável pelo blog www.metiope.blogspot.com
O slogan que originou o título dessas minhas aflitas palavras é de um refrigerante (Imagem não é nada, sede é tudo. Obedeça sua sede…) e, aumentando ou não as vendas da bebida, inegável que pelo menos para mim ele funcionou a ponto de eu não esquecê-lo.
Não sou publicitário, não sei definir com exatidão o que é marketing, nem sei se o que eu estou defendendo é marketing, mas tenho certeza que marketing é tudo. Deve ser.
Marketing, no meu entender, seria o que fez Ronaldo, o Fenômeno, continuar vendendo inúmeras camisas “9″ do Barcelona mesmo após sua chegada no Real Madrid, inimigo histórico do time catalão; seria o que faz o Real Madrid ganhar cifras milionárias com a chegada de jogadores como o citado Ronaldo ou o inglês Beckhamn, este o exemplo maior do marketing.
Mas uma boa campanha de marketing deve incluir algo de auto-ajuda, de incentivo aos atletas e mesmo de incutir pensamento positivo na torcida.
E por que esse “papo cabeça”, quando minha cabeça só pensa no Santa Cruz?
É que estou defendendo a contratação – urgente! – de uma empresa de marketing de alto astral para o Arruda (o marketing para vender camisas pode ficar para depois!).
Sim, pode ser uma empresa, um profissional, um pastor, um padre, um psicólogo (aqui já rola um interesse pessoal, pois sou casado, irmão, primo e cunhado de psicóloga) ou qualquer entidade que possa nos reerguer moralmente, pois estamos no fundo do poço, ou como diria Nelson Rodrigues ou lembrou Samarone, com o “complexo de vira-latas” entranhado no espírito.
Alguém ou alguma empresa que prove que nós somos da elite do futebol, que o nosso time tem tradição, que devemos honrar as cores do Santa Cruz, que a torcida não se sinta no lixo, que não julgue sempre o adversário invencível, que não sinta saudades da Segundona!!!
E por que defendo isso? Pelo que vejo e pelos nossos antecedentes históricos:
1 – Faltam 35 partidas, enfrentamos dois candidatos ao título do Brasileiro da Série A na casa deles e – para a imprensa, para as demais torcidas pernambucanas e, pior, para grande parte dos tricolores – já estamos rebaixados. Inferioridade entranhada.
2 – Nossa lembrança recente acerca de nossas participações na Primeira Divisão é um último lugar em 2000 e a confirmação do rebaixamento em 2001. Só. Ou melhor, inúmeros insucessos ridículos nas tentativas de voltar à elite (quando éramos desclassificados para sampaio correia, americano/RJ, etc). Derrotismo enraizado.
3 – Ano passado, na Série B, começamos e terminamos o campeonato disputando a liderança (diga-se melhor: tivemos a maior pontuação). E o que se dizia? Cavalo paraguaio. Pior é que pensávamos se seríamos mesmo um cavalo paraguaio. Tanto é que só vencemos o time do grêmio, uma máquina de bater e jogar retrancada, uma só vez, já que o time gaúcho representava a notícia mais concreta de Série A (não pelo time, mas pelo que impunha). Insegurança instalada.
4 – Em 2003, o melhor time da Segunda Divisão foi o palmeiras. Será que alguém se lembra o que ocorreu nas sete, eu disse sete, primeiras rodadas (de 20 e poucas no total)? O time que veio a ser campeão daquele ano estava na zona de rebaixamento!!! E um dos motivos foi que não sabia como se comportar na Série B – quem quiser que discorde disso, mas foi só o palmeiras acordar para isso que sua campanha só fez ascender. Esquecimento da história.
5 – Em 1999, tínhamos um time com “estrelas” no começo do ano. Levamos uma surra de 5×1 para o américa/MG dentro do Arruda, depois um 3×0 para o tunaluso e tudo mudou. Nereu Pinheiro pediu carta branca, mandou muita alma sebosa passear, ficou com a prata da casa e subimos em verdadeiro milagre (na primeira fase, só ganhamos um jogo fora de casa, o último). Milagre, mas assim eu chamo porque o time viajava com dois pastores evangélicos, que faziam pregações antes das partidas. Limpando o ambiente, o grupo assimilou aquelas mensagens positivas e deu no que deu (para quem não se lembra, apenas um detalhe do nosso então valoroso plantel: o lateral esquerdo titular era Wellington, que era lateral direito e que todos nós conhecemos bem). Força latente desprezada.
6 – Por falar em passado recente, entre 1995 e 2001, salvo engano, sempre tivemos recordes de público no país (dois exemplos: em 1998, quase 70 mil contra o volta redonda/RJ, e em 2001, cerca de 27 mil contra o corinthians, quando já estávamos rebaixados). Poder de captação de incentivo inutilizado.
7 – Idem em 1983, quando o Santa Cruz contratou uma psicóloga para o grupo. Fatos positivos não repetidos.
8 – Na derrota para o são paulo, para mim esse nosso complexo apareceu de forma impressionante. Parecia ser pecado fazer gol no “bom moço” Rogério Ceni ou mesmo ser impossível faturar ao menos um ponto do atual campeão mundial. Enquanto isso, o time adversário fazia inúmeras faltas, reclamava o tempo todo, jogou duríssimo, o bom moço puxava a bola para trás, colocando a barreira mais distante sem o árbitro ver, etc. E Carlinhos Bala disse que não tinha sofrido falta na área, um fairplay digno de aplausos e de… gols contra. Até Nosso Senhor usou o chicote nos mercadores do templo e bondade não quer dizer bobagem.
9 – E quem disse que Primeira Divisão é só toque de bola bonitinho? É corre-corre, tranco forte, disputa ríspida, igualzinho àquelas partidas de finais de semanas em campos de várzea, com a diferença, é claro, da parte técnica. Vale chamar o juiz de FDP, simular com inteligência (e não com pavonices), dizer que não cometeu falta, suar a camisa e tudo mais. Não sabemos onde estamos.
Podem até me dizer que o Real Madrid está em crise, que seu futebol não está mostrando resultados, etc e etc, o que invalidaria essa minha tese; ledo engano! O marketing – ou seja lá o que eu estou querendo – não imuniza o time de futebol, ainda que possa vaciná-lo temporariamente. Mas duvido que não traga a torcida de volta e com o coração aberto (não racional e pessimista, como tem sido), que não faça o time entrar em campo com a consciência de suas limitações mas com a gana da superação, tudo gerando um ciclo positivo para o Santa Cruz Futebol Clube. Duvido que cada um dos torcedores do time espanhol do Real não vá aos estádios com a certeza da vitória!
Por isso, após limpar os maus fluidos no Arruda, voltem os pastores de Jonas Alvarenga, tragam Paulo Coelho, Lair Ribeiro, contratem Duda Mendonça, Marcos Valério, enfim, Diretoria do Mais Querido, faça alguma coisa pela nossa estima, que está tão baixa, até já aceitando que bom mesmo é disputar as divisões inferiores (e comemorar vitória contra o pato branco, expressinho da vila, folha d’água, etc), entrando em campo de cabeça baixa e pedindo desculpas por tentar vencer.
Uma empresa de marketing, por exemplo, já teria gerado um fato novo no Arruda após a derrota para o são paulo, para afastar a pressão e esquecer o lamentável fato. Wanderley Luxemburgo fez isso no campeonato estadual, quando o santos perdeu para o são paulo (dizendo que tinha sido paquerado pelo árbitro), tirou o foco do plantel e sagrou-se campeão após 19 anos, com um elenco bem inferior ao desejado por ele.
Pensamento positivo com realismo e inteligência, então.
O Santa Cruz é a minha pátria.
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