Dois tricolores, dois textos, dois apelos
O Blog do Santinha abre a terça-feira publicando dois desabafos, em tons completamente distintos, redigidos pouco depois da derrota para o Atlético Paranaense. O primeiro, logo abaixo, é do publicitário João Henrique, que estava irado com o comportamento da torcida. O outro, mais moderado, é do estudante de Direito Frederico Dias, um dos fundadores da Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz (Atasc). É sempre bom lembrar que a opinião dos colaboradores muitas vezes não coincide com os pontos de vista dos editores do blog.
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por João Henrique
Futebol é o vício popular. E o Santa Cruz é das substâncias mais alucinógenas e causadoras de dependência. As pessoas quando nascem em famílias que louvam a oitava arte - e torcem com paixão para o tricolor - não têm escapatória. O pai é tricolor, o avô é tricolor, o bisavô foi amigo de Lacraia e viu o Santa nascer. Pode ter certeza de que esse sujeito aí, da família encarnada, preta e branca, vai amar o clube do Arruda como se fosse a sua pátria. Neste caso, é mais fácil escolher o sexo do rebento do que o time, pois este já está no DNA, entranhado antes mesmo da concepção.
Anteontem eu fui ao José do Rego Maciel assistir ao jogo Santa Cruz e Atlético Paranaense. Já íamos na quinta rodada do campeonato brasileiro da série A e, até então, o Santa não havia vencido. O jogo era de vida ou morte, pois a cada rodada ia ficando mais difícil se afastar da zona de rebaixamento para a segundona. A torcida estava lá, com suas barrigas cheias de almoço do dia das mães e uma fome animalesca de vitória. O time repetiu as atuações recentes e decepcionou mais uma vez a massa coral, que fritava ao fogo do sol. O futebol apresentado foi medíocre, indecente. Tudo isso me deixou muto puto da vida, mas o que me tirou da rota, me fez sentir ódio mortal e vontade de partir pra porrada não surgiu daqueles vermes jogadores, mas sim da torcida.
Eu fico muito irado quando a porra do time está perdendo, passando por um momento ruim ou mesmo se cagando no campo e a sua própria torcida começa a gritar olé em todo passe do adversário. Olé, ooooolé. E a cena patética e deprimente alí, na frente de todos. Os jogadores do Santa Cruz acuados pelo adversário e humilhados por sua torcida. O senhor nas sociais tendo que explicar o caso à esposa. O filho, na arquibancada, fitando o pai, pedindo socorro. O cuspe pra cima, caindo na cara do próprio torcedor. É como, no dia das mães, dar de presente um prato fundo cheio da mais fétida merda do universo. É igual a comer a namorada do melhor amigo. Ou mesmo escrever no rabo da sua esposa “venha comer que é promoção”.
Muita raiva disso tudo. Eu fico puto quando o Santinha perde. Vaio, esculhambo o elenco, cobro, achincalho a diretoria, xingo o senhor meu Deus. Vamos cobrar jogadores e pedir uma postura digna, mas o tal do olé, meu amigo, é demais pra mim. A vontade alí era enfileirar todos os filhos da puta e matar de um por um, enrolando uma bandeira da coisa e outra da barbie na cabeça de cada um e tacando fogo. Hoje, mais calmo, eu só daria uns bons tabefes e pronto. Mas a forca não
é o que esses porras merecem mesmo?
Quando o cara nasce em berço tricolor, é batizado com cachaça nas dependências do Arruda e considera o Santa Cruz uma ótima razão pra achar esse mundo babilônico uma coisa um tantinho melhor, não pode concordar com esse ato masoquista.
Uma péssima semana a todos que gritaram olé.
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por Frederico Dias
Ressacado com os últimos acontecimentos no tricolor do Arruda, em particular a derrota do ultimo domingo para o Atlético/PR, resolvi parar um pouco e pensar na nossa responsabilidade como torcedor do mais querido, Santa Cruz.
Amigos, uma realidade não muito difícil de se reconhecer começa a se vislumbrar diante de nossos olhos : a segunda divisão. E na tentativa de mudar esse panorama temos de tomar a primeira atitude que deve ser tomada quando as coisas estão dando errado: admitir nosso erro!
Desde o começo do ano, todos nós, sem exceção erramos. Givanildo Oliveira, na época do planejamento, por ter acreditado que o time que subiu para Serie A era suficiente para uma boa campanha no Pernambucano 2006 e na 1ª Divisão, a diretoria por ter concordado com o antigo treinador, não ter-nos trazido reforços à altura, que deveriam ter chegado já em janeiro e além de tudo por não trazer parceiros para o clube na tentativa de melhorar o caixa para a difícil disputa do Brasileirão 2006.
E agora vem a hora da maior crítica e que talvez alguns não entendam. Nós torcedores também erramos! Erramos quando protestamos quando da possível venda de Carlinhos Bala e Rosembrick, erramos quando não cobramos pelos reforços no começo da ano, erramos por termos nos iludido com a Serie B do ano passado, erramos também por em muitos casos termos sido omissos.
A realidade hoje é a que enxergamos: tínhamos um time muito bom ano passado. Ocorre que ano passado estávamos na Serie B.
No entanto, venho através desta crônica pedir calma! Isto mesmo! Calma. É disso que precisamos mais do que nunca agora. Se nos afobarmos e contratarmos quem aparecer pela frente talvez seja pior, muito pior. A conta será paga pela futura geração de tricolores, assim como nós pagamos a conta da geração passada.
O que fazer então? Eis a pergunta que não quer calar.
Este blog, antes de mais nada, é instrumento de convívio de pessoas formadoras de opinião, caso raro (infelizmente) no meio da torcida tricolor, tão pobre em sua maioria, que não se aplica em outro lugar um retrato sociológico tão claro da nossa própria nação brasileira, ou seja, alguns poucos formadores de opinião detentores do poderio econômico que podem fazer a diferença de um lado e de outro a grande massa. Manobrável, emocional, carente de um salvador.
Infelizmente tenho uma notícia para lhes dar: Este salvador nunca vai aparecer. Este salvador somos nós. Sim! Nós que somos os formadores de opinião! Nós que temos acesso a este blog, nós que podemos mudar a realidade.
Hoje, além de primeiramente moderação e calma o Santa Cruz precisa que nós torcedores de classes privilegiadas, nos ergamos, esqueçamos o orgulho, esqueçamos o medo, deixemos de lado as “coisas erradas” que tanto ouvimos falar acerca desta e de outras diretoria e nos unir.
Logo venho fazer através deste importante meio de discussão da torcida coral um apelo para
diretoria, para a oposição, ninho da cobra e demais facções do santa cruz: Unam-se. Diretoria : seja transparente. Oposição: ajude agora! Ninho da Cobra: Apareçam para unir o clube!
Portanto, caros amigos, mais do que nunca precisamos que todas os grupos do nosso clube se unam à atual diretoria, pois não vejo outro caminho para nossa permanência na 1ª divisão que não esse. É necessário mudar? É! É necessário contratar? Logicamente! Mas antes de tudo precisamos de uma palavra:União!
Então, muita calma nesta hora, ou então já vemos claramente onde vamos estar em 2007.
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