Almanaque do Futebol: o Blog indica

Eu tinha uns vinte e poucos anos e me considerava o tal porque era repórter da sucursal paulista de Globo. Tinha certeza que escrevia bem. Até que li uma crônica de jogo assinada por Lédio Carmona, da editoria de esportes do jornal. Quando cheguei ao ponto final, compreendi que não escrevia nada e que tinha muito a aprender.
Anos depois, quando eu já tinha me voltado para o Recife, Lédio estava mergulhado até o pescoço no projeto de um jornal exclusivo sobre futebol: o Lance. Foi quando ele me chamou para fazer umas matérias pro jornal, em regime de free-lancer. Fui até a redação, ainda em obras, e finalmente o conheci. Topei a oferta e passei a acreditar que, finalmente, estava aprendendo a escrever.
É por essa razão que o Blog do Santinha orgulhosamente apresenta o Almanaque do Futebol, escrito por Lédio Carmona e Gustavo Poli. O livro, segundo o release que ele mandou, é como “se fosse um estádio que abriga todas as torcidas, o almanaque é mais que um livro sobre essa modalidade que existe há cerca de 150 anos e definitivamente se tornou uma paixão dos brasileiros. Contém dados preciosos e curiosidades sobre o tema, e serve para entreter leitores, torcedores eventuais, ocupar as estantes dos mais aficionados por futebol, e funciona como guia de consulta para conversas de bar e para esclarecer dúvidas sobre fatos e conquistas, lendas e mitos do futebol”.
Abaixo um trechinho do livro. Em tempo, o exemplar custa R$ 49,90:
“Que espetáculo é esse, capaz de atrair a atenção de um bilhão de pessoas por noventa minutos? Que mistério é esse, capaz de fazer um sexto da população mundial parar para acompanhar 25 homens correndo em direções desconexas sobre um palco verde com linhas brancas? Por que apenas um desses homens, com uma esfera nos pés, é capaz de hipnotizar a multidão e, a seguir, surpreendê-la? Por que algo tão simples como chutar uma bola modifica vidas, produz riqueza, paralisa países? (…)”
Vai Bala, vem dinheiro e reforços = Deus existe
Por Samarone Lima
Amigos corais, me perdoem a sinceridade, mas a minha análise sobre a venda do nosso querido Carlinhos Bala para o Cruzeiro de Regatas se resume a uma constatação: demos uma sorte do caralho.
Gosto do futebol do Bala, tive muitas alegrias com o nosso artilheiro, mas vamos e convenhamos, o garoto estava meio de saco cheio do Santa. Estamos vivendo uma daquelas raríssimas separações, em que as duas partes ficam felizes, não há brigas pelos CDs e livros, e ao invés do rancor e acusações, nasce uma grande amizade. Foi melhor para os dois lados.
O Santa Cruz Futebol Clube recebeu a visita da deusa Sorte. Estou me sentindo como aquele cara que só tinha R$ 2,00 no bolso, para comprar um pedaço de carne, e resolveu comprar um bilhete do Pernambuco da Sorte. Resultado: ganhou R$ 100 mil e um carro zero quilômetro. Vejamos os detalhes da negociaçao com o Cruzeiro de Regatas, pelo menos do que saiu na Imprensa.
O Bala vai receber R$ 3 milhões em três anos, que não é pouca grana. Além disso, receberemos do Ipatinga Futebol Clube, o goleiro Rodrigo Posso (que vem fechando o gol nos jogos decisivos), o meia Enrico (que fez gols nos três últimos jogos), e o atacante Wando, que tem nome de cantor, mas deve ser mais afinado com a pelota do que o senhor Val Baiano.
Inácio França teceu rasgados elogios ao goleiro e ao meia. Inácio, pelo que conheço, é uma fonte confiável. Como o Gilmar - considerado um “Paredão”, por Chiló, Sanfona Coral e João Magro Valadares – resolveu papar frangos a torto e a direito, a vinda do Rodrigo Posso é uma dádiva, presente dos deuses, matamos dois coelhos com uma caixa d’água só. Val Baiano pegaria o terceiro time na pelada dos Caducos, aqui no Poço da Panela, então, seu Wando, venha logo, pelo amor de Cristo.
Pelo que vi, o Santa ainda vai receber uma “compensação em dinheiro”. Os valores, por questões de Imposto de Renda, creio, não foram revelados. São os velhos mistérios financeiros que envolvem o Santa Cruz. Como aqueles cornos mansos, somos sempre os últimos a não saber, quando o assunto é dinheiro.
Diante do exposto, chego à conclusão que Deus realmente existe. Me parece que temos que mandar rezar uma missa, preparar um bom despacho e botar numa esquina, servir umas doses para o santo, acender velinhas e incensos. Sem querer, demos uma sorte imensa. Vai embora um bom jogador, mas que já deu o que tinha que dar, chegarão três reforços, o time vai ganhar uma cara nova, e a torcida volta a ficar motivada. Só falta dar uma lapadinha no Palmeiras, no domingo, para renasceremos das cinzas - o que não é nenhuma novidade, em se falando do Santinha.
Nota: Hoje à noite, tem Flamengo x Ipatinga, pela Copa do Brasil. Poderemos ver os futuros jogadores do Santa em campo. Claro que seremos Flamengo desde pequenos, porque o Ipatinga precisa ser desclassificado rápido, para os reforços chegarem.
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