Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 23 de maio de 2006

Zé, o invencível


Zé: “perdendo ou ganhando, sou tricolor até morrer”

por Inácio França

Saí de casa, caminhei até a estrada do Arraial, a caminho do ponto de ônibus, e parei, pasmo, quando vi uma bandeira tricolor tremulando no alto de um carrinho de caldo-de-cana. O time mal das pernas, o maior rival numa situação bem confortável na Segundona e o sujeito desfilando pela cidade com um bandeirão de três cores. Motivos não faltavam para que eu ficasse na esquina, esperando que o sujeito se aproximasse. Ele chegou e fui direto ao assunto:

“Eu quero um caldo, dos grandes, mas também quero fazer uma foto do teu carrinho com a bandeira”. É evidente que o tricolor perguntou o porquê, mas a explicação apressada sobre blog e internet não foi muito esclarecedora. Mesmo assim, ele concordou em esperar que eu fosse até meu apartamento e pegasse a máquina digital.

Enquanto tomava o caldo-de-cana de 70 centavos, fui conversando com o tricolor.

“Nunca tiro a bandeira do carrinho, não. Faça sol, faça chuva, perdendo ou ganhando, é sempre assim. Quando a bandeira fica velha, compro outra ou mando fazer”.

Quando o questiono sobre o atual momento do time, na lanterna do Brasileirão, ele nem hesita: “E o que é que tem? Tenho essas frescuras não, eu quero é que todo mundo fique sabendo que sou tricolor. Tricolor até morrer!”.

“Quando o Santinha perde, os outros ficam tirando onda. É a maior resenha, mas eu me garanto. E nos dias do jogo da coisa? Vou vender caldo-de-cana na Abdias de Carvalho, com bandeira e tudo. Os rubro-negros ficam me resenhando, mas eu não tô nem aí”.

E o pessoal das torcidas organizadas não botam medo? “Que nada! Os maloqueiros da Jovem já vieram tirar onda, mas hoje ninguém mexe mais comigo, não. Tô dizendo: eu me garanto”.

E ele deve se garantir mesmo: quando pergunto seu nome, ele se esquiva. “Rapaz, bota José, somente Zé. Não bota meu nome todo não, é a maior sujeira”.

Antes de dar a entrevista por encerrada, Zé explicou que todos os dias sai de 6h da Cidade Universitária e sai pelas ruas do Recife vendendo seu caldo-de-cana. No meio da manhã, segue para a pracinha na frente de uma faculdade particular no Derby, onde se fixa até o final do dia vendendo caldo e bolo-bacia.

Autêntico tricolor, Zé é um exemplo a ser seguido nessa má-fase. Ele se garante.

Pra quem ainda não sabe, Inácio França e Samarone estão escrevendo a coluna Folha Seca na página especial sobre Copa do Mundo da versão on-line do Diário de Pernambuco, o Pernambuco.com. O endereço é www.pernambuco.com/copa/folhaseca. A última atualização foi uma crônica de Samarone intitulada “Otimismo demais, cautela de menos”.

20 comentários

Na parede da memória: o time de 1929


Em épocas de vacas magras e derrotas fartas, voltamos o olhar para o passado e encontramos nos arquivos do leitor Rodrigo Salgado essa imagem do time que disputou o campeonato estadual de 1929. Na ordem que aparecem na foto: Gatinho, Carlos, Lauro, Sebastião da Virada, Costinha, Miguel, Mateus, Julinho e José Vasquez (em pé); Fernando Amaral, o goleiro Alberto e Bebé (sentados ou agachados).

6 comentários