A Inferno fala: “queremos atitude”
por Samarone Lima
No jogo contra o Botafogo, algo chamou a atenção da torcida: o protesto da organizada Inferno Coral. Além das faixas de cabeça para baixo, os integrantes da Inferno usaram nariz de palhaço, tentando traduzir a irritação com a situação vexatória do time, que naquele momento estava com míseros dois pontos. Depois do jogo, o Santa continuou na lanterninha, com 3 pontos – dos 24 disputados.
Para Fábio Coelho Neto, de 28 anos, presidente da Inferno há oito, o protesto foi organizado pela torcida para que a diretoria “olhasse com outros olhos” a situação do clube. Mesmo avaliando como “ótima” relação com a diretoria, Fábio lembrou que comanda uma torcida independente, e que antes de tudo, “está o Santa”.
Ou seja, na hora de criticar, a torcida irá separar a boa relação com a diretoria e vai mesmo se posicionar. “A gente quer ver atitudes, problemas serem resolvidos. É o nosso papel. Se continuar assim, os protestos vão aumentar”, disse. Para Fábio, as contratações que não vêm dando certo no Santa têm uma característica: são jogadores tarimbados, vividos, sem o espírito de luta e a garra de um Neném, por exemplo. “Ele é melhor que Val Baiano, Zada, e outros que estão no time”, destacou o presidente da Inferno.
As entrevistas do treinador Waldir Espinosa, dizendo que falta qualidade ao elenco, já não irritam os torcedores. “A gente ficava puto, mas hoje a gente vê que é a realidade do clube. Falta qualidade, matéria prima. Tem que contratar gente”. Fábio diz que a Inferno tinha a expectativa de uma Primeira Divisão difícil, com muitos times bons em ação, mas jamais imaginava que o Santa fosse desempenhar o pior início de campeonato da história do brasileirão.
“Vamos exigir, vamos cobrar soluções, cobrar a saída de alguns jogadores”, lembra. Para o presidente da Inferno, o que a torcida não pode é ficar parada. “Juntos, podemos decidir o futuro do clube”, diz. Ele só lamenta a repetição dos erros, justamente agora, que o Santa conseguiu chegar à Primeira Divisão. “Todo ano é isso. A gente sofre tanto para subir… É a mesma coisa, parece que o pessoal não aprende”.
Sobrevivência – A Inferno tem 1.500 sócios e sobrevive principalmente da venda de seus produtos (camisas, jaquetas, bonés, calças), em duas lojas. Uma fica na Rua do Hospício, 194, loja 06. A outra, fica defronte ao Arruda. Fábio Coelho destaca a independência da torcida, que vive do seu próprio faturamento. A principal ajuda da diretoria do clube acontece quando o time joga fora, e fornece algumas passagens. “A gente consegue também com empresários”, afirma. “É um sacrifício muito grande. Num jogo importante mesmo, gastamos uns dois a três mil reais na festa”, avalia Fábio.
Dia 18 de junho, dia do jogo Brasil x Austrália, será realizada uma feijoada, no mini-campo, atrás do Arruda. Haverá telão e 30 grades de cerveja, além de feijoada e uma camiseta da torcida. A festa vai custar R$ 25,00 por cabeça. Segundo Fábio, o objetivo da feijoada é reunir a torcida.
P.S - Por conta de estranhas coincidências históricas, o colunista Inácio França teme que a Copa do Mundo seja conquistada por uma seleção de camisa azul. Leia mais no www.pernambuco.com/copa/folhaseca
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