Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Junho de 2006

Uma Copa de seis meses, pelo amor de Deus!

Por Samarone Lima

Amigos corais,

a julgar pelas últimas notícias oriundas do nosso glorioso Santa Cruz Futebol Clube, tenho sentido um desejo profundo, irreversível e universal, uma vontade delirante de que a Copa do Mundo se prorrogue até dezembro do corrente ano, quiçá fevereiro de 2007, para a gente brincar o Carnaval em paz.

Fui informado que foram contratados os craques Pelé e Márcio Mexirica. Quem ficou feliz foi o meu amigo Inácio França, que vai realizar um sonho antigo de jornalista: entrevistar o Pelé, tirar uma foto junto com o Rei e emoldurar para dar de presente ao pai. Bem, não era exatamente este Pelé que Inácio pretendia, mas cacete, também não vamos ficar botando banca!

Mas, voltando ao assunto, meu medo é somente um: o fim da Copa, e o reinício do Campeonato Brasileiro. Medo não, quase uma síndrome de pânico. Vamos pegar de frente, logo no primeiro jogo, a Associação Desportiva Goiás, e peço a Deus que nos proteja. Outro dia, encontrei o valoroso Álvaro Claudino, assessor de imprensa do Mais Querido, ficamos bebericando num boteco perto da minha casa, mas evitei fazer perguntas sobre o andamento dos trabalhos no nosso clube, os nomes cogitados para serem contratados etc. Por precaução, puxei uma cadeira do lado oposto da mesa, e comecei logo a falar sobre a liga de Rugby na Escócia, porque sou aficcionado por Rugby. Álvaro, por sua vez, passou a falar de dominó, e tudo ficou bem.

O paradoxo é que fico num conflito existencial de proporções bíblicas, envolvendo a razão (que informa sobre a precariedade do nosso time) e a emoção (que não vê a hora de retornar ao Arruda). Para piorar a situação, encontrei os integrantes da Sanfona Coral, e todos eles só falam em uma coisa: o retorno ao estádio.

Mas a realidade está aí, com suas garras afiadas, bate com força nos meus ombros e informa que a Copa termina dia 9 de julho. Uma possível vitória do Brasil vai ser legal, uma derrota já não me comove tanto.

Ruim mesmo será retornar de mal jeito e continuar levando lapada, como vem acontecendo. A julgar pelas contratações sensacionais que estão acontecendo, vou começar a acender minhas velas e invocar o velho Padim Ciço. Aceito sugestões de algum santo mais poderoso ou eventuais orixás.

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Jarbas: camisa 8 de pouco papo e muita bola

O Santa de 1984: Luís Neto, Celso, Heraldo, Almeida e Marco Antônio (em pé); Henágio, JARBAS, Ivan, Ângelo e Cândido (agachados).

Jarbas, empresário em 2006

Cansamos de Copa. Cansamos dos inúmeros comerciais e nenhuma bola de Ronaldinho Gaúcho. Cansamos da cobertura de TV feita por idiotas e para idiotas. Cansamos do futebol prisão-de-ventre da seleção de Parreira. Cansamos dos jogos chatos e esquemas táticos covardes de quase todas as seleções.

A partir de hoje, voltaremos a falar do objeto da nossa paixão, o Santa Cruz Futebol Clube. Copa do Mundo, só quando o assunto valer a pena ou o texto for inspirado.

E, para voltar a falar do Santinha, fomos a Boa Viagem procurar Jarbas, um excelente meia que passou pelo Arruda há duas décadas.

*****

por Inácio França

Depois de conquistar o título pernambucano de 1983, o Santa Cruz voltou à divisão principal do Brasileirão no ano seguinte reforçado de jogadores jovens, vindos em sua maioria do futebol paulista. O capixaba Jarbas, um veloz meia-direita do Botafogo de Ribeirão Preto, foi um deles.

Quando desembarcou no Recife, Jarbas carregava na bagagem a juventude dos seus 23 anos e a experiência de ter atuado nos maiores centros do futebol da época: depois de sair do pequeno Linhares, do Espírito Santo, passou pelo Bangu, pelo Democrata, de Governador Valadares (MG), e pelo próprio Botafogo.

Localizado pelo Blog do Santinha, Jarbas ficou surpreso com nossa intenção de entrevistá-lo para matar as saudades da torcida tricolor. “Olha, podemos conversar, mas vou logo avisando que eu não sou assim tão coberto de glórias”. Essa discrição já o acompanhava em campo: era um daqueles jogadores que os comentaristas esportivos dizem que “jogam para o time”.

“Disputei o Campeonato Brasileiro de 1984 e depois passei uma temporada no Náutico. Fui tricampeão pernambucano: uma vez pelo Náutico e bi pelo Santa, em 1986 e 1987″, recorda o antigo meia, que saiu do Santa direto para o Beira-mar de Portugal.

“Eu me movimentava bastante e era rápido com a bola nos pés. Muita gente não sabe, mas há uma diferença entre ser veloz e ser veloz com a bola. No Santa, tive como companheiros de time jogadores inteligentes e habilidosos como Henágio e Marlon. Aí era fácil jogar”.

Ele passou cinco anos no clube português e ajudou a levar o time à decisão da Copa de Portugal, na melhor temporada da história do modesto time. Voltou a Pernambuco e encerrou a carreira com apenas 33 anos, jogando pela barbie o campeonato estadual de 1992. Casado com uma pernambucana e apaixonado pela cidade, ficou por aqui.

“Voltei de Portugal já com o plano de abrir uma loja de material esportivo. Como deu tudo certo, larguei o futebol e virei empresário”, contou durante nossa conversa na filial da loja Futebol do Brasil, na avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem (a matriz fica no Bairro Novo, em Olinda).

No fim da conversa, a pergunta inevitável: por qual time ele torce em Pernambuco? “Sou tricolor, é lógico. Há uma diferença enorme entre as torcidas do Santa e do Náutico. A torcida tricolor é completamente louca pelo time, é uma massa apaixonante. Lembro que, quando o ônibus chegava ao Arruda, já havia de 500 a 1.000 torcedores nos esperando e incentivando. Nunca vi algo assim em nenhum outro lugar por onde passei”.

Julguei que ele estava fazendo média comigo e com os leitores do Blog e o questionei. Jarbas foi categórico: “Meu filho joga Futsal no Náutico. E lá todos sabem que sou tricolor. Digo isso para qualquer um”.

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A TV que está dando carrinho por trás na cobertura da Copa

Por Samarone Lima

Para quem esperou tanto tempo pela Copa 2006, fez preparação para a cobertura com amigos do Blog do Santinha, guardou a tabela no mural principal da casa e teve a sorte de estar trabalhando somente duas vezes por semana (na parte da manhã), eu deveria estar exultante, feliz, comentando o andamento do torneio. Mas amigos, aqui vai uma confissão, um desabafo: essa TV Globo está conseguindo transformar o espetáculo, a festa, numa repetição interminável de clichês, lugares comuns, falta de criatividade. Usando a linguagem futebolística, diria que a Globo está dando carrinho por trás na cobertura da Copa, e já deveria ter sido expulsa.

Tem hora que dá é raiva mesmo, e me dá saudades do Arrudão. Aqui vai o pedido, o abaixo-assinado: um joguinho do Santa, pelo amor de Deus, para a gente desanuviar!

Pior é saber que teremos que agüentar essa maresia televisiva até o último jogo. Eu não suporto mais essas matérias idiotas, mostrando a torcida da Inglaterra num bar-cheio-de-ingleses, que começam a gritar “England” a cada flash. Eu não agüento as matérias sobre Portugal, mostrando a “comunidade portuguesa” dançando “o vira”, fora as intermináveis-matérias-sobre-a-culinária-alemã. Eu não agüento mais as matérias sobre os imigrantes alemães, holandeses, poloneses, croatas, falando que os avós vieram, e amam o Brasil etc. Sei que são tudo gente boa, ajudaram a povoar o Brasil, mas amigos, tem uma hora que a repetição é a maior demonstração de burrice. Oinc, oinc, oinc, TV Globo (tentei imitar um burro, não sei se é assim, fica a tentativa assim mesmo).

Sobre o Galvão Bueno, não vou comentar. Anotei uma dele de um dos jogos:

“Ele caiu de mal jeito, deve ter doído”.

Não diga.

Domingo, você só tem o Fantástico para ver os melhores lances. Aparece então o Pedro Bial, com aquelas matérias “cabeça” que dão mesmo é dor de cabeça, a mistura açucarada de pseudo-poesia com textos fraquíssimos, e fico espumando na cadeira: cadê algo nelson rodrigueano? Não há drama na Copa? Não há sofrimento? Onde estão os personagens?

Meu consolo tem sido assistir aos jogos perto dos amigos, de preferência os que falam alto. São os momentos em que esqueço que todos os jogos da Copa são exclusividade da Globo. Então, vejo a criatividade dos amigos, e fico um pouco aliviado. No último jogo, no Fernando´s, coletei estas pérolas salvadoras:

“Só quem não vai para casa, se perder, é a Alemanha” (Garoto).

“Travesti não tem endereço: travesti aparece” (Ibdem)

“Recife tem 15 mulheres para cada homem, e 6 frangos para cada homem”. (Ibdem)

“Bola perigosa, heim!” (num chute que foi bater na arquibancada)

“Acho que beber é do caralho. Ruim é não ter fígado” (Farfan)

Sigo assistindo aos jogos aqui em Seu Vital, mas já perdi esperanças de ver uma cobertura ao menos razoável, e de ganhar um bolão na vida, um reles, magro, pequeno e econômico bolão.

Já combinei com Inácio - na próxima Copa, faremos a cobertura de lá mesmo. Pelo que ando vendo pela TV, a Alemanha está lotada de tabacudos do Brasil. Tabacudo por tabacudo, prefiro eu e Inácio num boteco, tomando uma cerveja e falando nossas lorotas.

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