Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 14 de junho de 2006

Um olho na bola, outro em Meca

por Paulo Araújo

Depois que vi, ontem, Val Baiano de cabelo raspado jogando pela Seleção Brasileira e com a camisa 9 (ou será que alguém vai me dizer que não foi Val Baiano?), ficou mais fácil assistir ao jogo das arábias.

Primeiro, é bom que se diga que não existe um continente árabe, onde estariam todos os países cujos povos falassem árabe, onde todos fossem terroristas, onde todos fossem muçulmanos, etc, etc, etc.

A Arábia Saudita fica na Ásia, tem como vizinhos mais famosos o Irã e o Iraque, tem petróleo e muito, e é onde o Osama Bin Laden nasceu. A comissão técnica tem dez ou onze brasileiros, inclusive o técnico, Marcos Paquetá. É seleção alviverde e ocupa o 34º lugar no ranking da FIFA.

A Tunísia fica no norte da África (entre Argélia e Líbia), fala árabe, mas também francês, por conta da dominação francesa até a década de 50 do século passado. Por isso tem tanto jogador francês ou de origem francesa no time, inclusive o técnico, apesar de Francileudo, uma das estrelas do time, ser brasileiro do Maranhão - que não jogaria por conta de contusão. Suas cores são vermelho e branco, ocupando o 21º lugar no ranking da FIFA.

A Tunísia era a favorita, um time mais equilibrado, mesmo com dois desfalques, porém, poderíamos esperar tudo numa estréia de Copa, além da tradicional correria dos times.

Pelas cores dos times, detalhe alertado por Inácio, já entrei torcendo pela Arábia Saudita. Time com muito francês e ainda alvirrubro? Tô fora. Só por isso, assisti ao jogo numa televisão de 5″ e em preto-e-branco. Do tamanho do futebol esperado e sem precisar me lembrar das cores.

Resolvi fazer o relato da partida ao mesmo tempo em que assisto, para ver se, em me saindo bem, consigo uma vaga numa emissora de TV (o início do texto contém pesquisa rápida na Internet, justamente para mostrar ampla cultura).

Primeiro tempo:

Pênalti não marcado aos dois minutos para a Tunísia. Até que enfim um “comentarista de arbitragem” da TV reconhece que o árbitro errou. Usama deve estar no estádio.

Até os quinze minutos só dá Tunísia.

Arábia melhora e equilibra o jogo

Gol da Tunísia aos 22 minutos.

O jogo fica uma merda.

Outra falta gritante perto da área adversária para a Tunísia e o árbitro nada. Juro que vi um barbudo magro de turbante apontando para o árbitro, intimidando-o.

Acabou o primeiro tempo (uma bosta).

Segundo tempo:

A um minuto, quase a Arábia empata. Mas o atacante árabe empurrou o zagueiro antes e o árbitro nada. Tem coisa aí, principalmente porque eu acho que vi o magro barbado de turbante descendo pelo túnel durante o intervalo.

O técnico é brasileiro e eu continuo torcendo para a Arábia. Por que as seleções, inclusive o Brasil, não jogam com laterais aberto, fazendo cruzamentos? (isso é técnica para ter o que comentar…)

A Tunísia parece que voltou com a bunda na parede, para o velho contra-ataque. Para mim, a Arábia vai empatar. O nº 13 da Tunísia tem um cabelo anos 80 (mais um comentário sem sentido)

Bouazizi, o do cabelo pigmaleão, é substituído. Deve ser por conta do corte de cabelo -

Eu não tinha dito antes (que comentarista arretado!): aos 11, Al-Kahtani, um dos destaques da seleção, empata o jogo. E se o Carlinhos Bala árabe entrar, vai ter virada saudita. Bota o Bala, Paquetá (Al-Shlhoub é um dos mais baixos da Copa e muito habilidoso, conhecido como Baby Maradona, mas para mim é o Bala das arábias)

O jogo fica mais animado que o segundo tempo de Brasil e Croácia, com uma diferença: não há jogador gordo em campo.

A nossa Arábia está mandando e vai virar esse jogo!

Entra o irmão gêmeo de Zequinha Barbosa no time árabe, com o número 23 de Michael Jordan

A Arábia, antes dos 30 minutos, já parece gostar do empate

PQP! Al Jaber, que tinha acabado de entrar no lugar de Al-Kahtani, vira o jogo!!! Eu disse que a gente ia virar! O artilheiro tem 33 anos e só me lembra Cesinha, do Santa Cruz.

Tô nervoso, doido que o jogo acabe. Só me lembro de ontem.

Sulaimani quase faz mais um para a gente de falta. Uh, é Arábia!

Que porcaria. Aos 47 minutos, a Tunísia empata. Ninguém me convença do contrário: o jogador que lançou a bola para a cabeçada de empate recebeu a bola em impedimento.

Acabou o jogo.

O árbitro foi bem em não marcar as faltas em favor da Tunísia (inclusive a falta dentro da área), mas falhou em dar 4 minutos de prorrogação. O assistente falhou gravemente em não marcar o impedimento que impediria o gol de empate da Tunísia. Vai ter punição, garantiu OBL, como se autodenominava aquele senhor magrinho, de barba grande e turbante. Vai ter punição, disse ele em árabe castiço. Gostei da atuação desse senhor no jogo, pois ele quase conseguiu que sua seleção vencesse; é de um cara desses que o Santa Cruz precisa: não jogou, tem punição.

Mandei esse texto para a Televisão Al-Jazeera e vou ver se esse tal de OBL, que nasceu na Arábia Saudita mas que mora, ao que dizem, lá no Afeganistão, vem consertar muita coisa errada no Arruda, onde a situação faz o que quer e a oposição não aparece.

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Análise filosófica da Copa, após 16 peladas

Por Samarone Lima

Amigos, comecei o dia hoje levando um baita carão do editor-executivo do Blog do Santinha, o digníssimo Inácio França. Motivo: não escrevi a jato a crônica sobre a pelada envolvendo a Sociedade Esportiva Coréia do Sul 2 X 1 Grêmio Recreativo Togo. Tentei me explicar, que estava no Cabo de Santo Agostinho, sem Internet, mas fui alvo de uma dezena de palavrões, de forma que estou aqui, em plena manhã de quarta-feira, meio ressacado, numa lan-house meia boca na Conde da Boa Vista (R$ 1,50 a hora), deixando de assistir Espanha Futebol de Regatas x Sociedade Futebolística Ucrânia, para limpar meu nome na praça e não ser demitido do Blog do Santinha.

Agora, vamos e convenhamos – o cara sentar para escrever uma crônica sobre um jogo medíocre como Togo x Coréia, faltando poucas horas para começar o jogo do Brasil, é o ápice da sacanagem. Pior: todo mundo ganhou jogo bacana para escrever. Eu, um dos fundadores deste renomado blog, peguei a sobra da sobra da sobra, é aquele negócio famoso, santo de casa não faz milagre.

Antes de ir ao texto sobre a pelada, gostaria de dizer que estou frustradíssimo com a Copa. Vinha comemorando o fato de poder assistir todos os jogos, mas a cada partida, cada pelada, digo, descubro que o futebol empobreceu, e já começo a sentir saudades mesmo é do velho Arruda. Diante dos peladeiros, das caneladas, da bola eternamente recuada, imploro: uma partidinha do meu Santa, pelo amor de Deus!

Depois de 15 jogos (estou perdendo um agora, por causa do senhor Inácio), estou sentindo um certo tédio espiritual, uma azia na minha alma futebolística. Parece que os caras só fazem mesmo é trocar de camisa, porque o futebol é o mesmo. Um golaço, pelo amor de Deus! Uns dribles secos, fazendo fila, levando todo mundo! Um sem-pulo, de fora da área! Um lançamento espetacular, por Deus!

Os africanos foram recolonizados no futebol, deixaram a criatividade de lado, e agora nem se divertem, nem ganham jogo, nem porcaria nenhuma. Antes, era uma grande esculhambação, os caras queriam fazer um gol somente para dançar umas duas horas, tirar uma onda do carai, tomar todas na concentração, mas agora correm feito uns loucos, não conseguem dar um drible, e pensam que músculo ganha jogo. Agora, leitor, dê uma olhadinha no banco de reservas – só tem treinador branco! Lanço aqui o meu brado: que os negões treinem os negões! Que volte aquela esculhambação do Roger Milá! Estão matando a África até no futebol!

Os melhores comentaristas da Copa continuam sendo, disparado, as mulheres. Tenho inclusive percebido que quanto mais velha a mulher, melhor o comentário. Na metade de Sociedade Esportiva Coréia X Grêmio Recreativo Togo, minha tia-avó Flocely, de 79 anos, soltou esta pérola:

“Estou achando esse campo pesado, a grama está muito alta…”

Amigos, eu quase bati palmas.

O jogador mais feio da Copa, eleito por mim, tia Flocely e Renato, é o senhor Chun Soo Lee, aquele coreano com o cabelo pintado de Wanderleia. Como bem disse tia Flocely:

“Esse é triste”.

Foi só esculhambar o triste, que ele fez o gol.

Lá pelas tantas, a mesma tia, irritada com o fraco futebol dos africanos, soltou essa:

“Se cor ganhasse jogo…”

O momento mais bonito da Copa foi o jogo inteiro de Inglaterra Futebol de Regatas x Sociedade Sulanqueira Paraguai. Cada vez que o Roque Santa Cruz pegava na bola, a minha TV ficava brilhando. É que na camisa do jogador, estava escrito somente isso:

Santacruz.

E vou deixar minha crônica do jogo de ontem para mais tarde, ou para nunca, porque todo mundo vai querer falar sobre aquela pelada do Brasil, ontem, contra o escrete da Croácia.

O Inácio que se dane, mas vou ali correndo, pegar o segundo tempo do jogo da Espanha, para ver se a “Fúria” diz alguma coisa, ao menos nesta Copa.

Em tempo: sugiro uma reunião dos Blogueiros do Santa, durante a semana, para tomarmos algumas cervejas e avaliarmos nossa pulsante cobertura da Copa.

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