Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 27 de junho de 2006

Jarbas: camisa 8 de pouco papo e muita bola

O Santa de 1984: Luís Neto, Celso, Heraldo, Almeida e Marco Antônio (em pé); Henágio, JARBAS, Ivan, Ângelo e Cândido (agachados).

Jarbas, empresário em 2006

Cansamos de Copa. Cansamos dos inúmeros comerciais e nenhuma bola de Ronaldinho Gaúcho. Cansamos da cobertura de TV feita por idiotas e para idiotas. Cansamos do futebol prisão-de-ventre da seleção de Parreira. Cansamos dos jogos chatos e esquemas táticos covardes de quase todas as seleções.

A partir de hoje, voltaremos a falar do objeto da nossa paixão, o Santa Cruz Futebol Clube. Copa do Mundo, só quando o assunto valer a pena ou o texto for inspirado.

E, para voltar a falar do Santinha, fomos a Boa Viagem procurar Jarbas, um excelente meia que passou pelo Arruda há duas décadas.

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por Inácio França

Depois de conquistar o título pernambucano de 1983, o Santa Cruz voltou à divisão principal do Brasileirão no ano seguinte reforçado de jogadores jovens, vindos em sua maioria do futebol paulista. O capixaba Jarbas, um veloz meia-direita do Botafogo de Ribeirão Preto, foi um deles.

Quando desembarcou no Recife, Jarbas carregava na bagagem a juventude dos seus 23 anos e a experiência de ter atuado nos maiores centros do futebol da época: depois de sair do pequeno Linhares, do Espírito Santo, passou pelo Bangu, pelo Democrata, de Governador Valadares (MG), e pelo próprio Botafogo.

Localizado pelo Blog do Santinha, Jarbas ficou surpreso com nossa intenção de entrevistá-lo para matar as saudades da torcida tricolor. “Olha, podemos conversar, mas vou logo avisando que eu não sou assim tão coberto de glórias”. Essa discrição já o acompanhava em campo: era um daqueles jogadores que os comentaristas esportivos dizem que “jogam para o time”.

“Disputei o Campeonato Brasileiro de 1984 e depois passei uma temporada no Náutico. Fui tricampeão pernambucano: uma vez pelo Náutico e bi pelo Santa, em 1986 e 1987″, recorda o antigo meia, que saiu do Santa direto para o Beira-mar de Portugal.

“Eu me movimentava bastante e era rápido com a bola nos pés. Muita gente não sabe, mas há uma diferença entre ser veloz e ser veloz com a bola. No Santa, tive como companheiros de time jogadores inteligentes e habilidosos como Henágio e Marlon. Aí era fácil jogar”.

Ele passou cinco anos no clube português e ajudou a levar o time à decisão da Copa de Portugal, na melhor temporada da história do modesto time. Voltou a Pernambuco e encerrou a carreira com apenas 33 anos, jogando pela barbie o campeonato estadual de 1992. Casado com uma pernambucana e apaixonado pela cidade, ficou por aqui.

“Voltei de Portugal já com o plano de abrir uma loja de material esportivo. Como deu tudo certo, larguei o futebol e virei empresário”, contou durante nossa conversa na filial da loja Futebol do Brasil, na avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem (a matriz fica no Bairro Novo, em Olinda).

No fim da conversa, a pergunta inevitável: por qual time ele torce em Pernambuco? “Sou tricolor, é lógico. Há uma diferença enorme entre as torcidas do Santa e do Náutico. A torcida tricolor é completamente louca pelo time, é uma massa apaixonante. Lembro que, quando o ônibus chegava ao Arruda, já havia de 500 a 1.000 torcedores nos esperando e incentivando. Nunca vi algo assim em nenhum outro lugar por onde passei”.

Julguei que ele estava fazendo média comigo e com os leitores do Blog e o questionei. Jarbas foi categórico: “Meu filho joga Futsal no Náutico. E lá todos sabem que sou tricolor. Digo isso para qualquer um”.

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