A Copa no Arena Arruda?
por Luís Oliveira, ex-enviado especial a Alemanha.
A última partida da Copa que assisti na Alemanha foi o jogo da Seleção contra Gana. A partida aconteceu numa tarde e isso levou menos brasileiros ao estádio de Dortmund do que na última vez. Ao contrário de Berlim e Munique, essa região da Alemanha conta com menor número de migrantes, a maioria dos quais não foi liberada de suas aulas ou do trabalho para ver a seleção. Por isso, ao contrário do que Galvão Bueno disse na transmissão: as camisas amarelas no estádio eram vestidas em grande parte por venezuelanos, colombianos, noruegueses e até alemães torcendo pelo Brasil.
Como o Blog deu uma guinada na linha dos texto sobre Copa, também mudo o foco para um assunto muito comentado pelos brasileiros na Europa. Observando o belíssimo estádio do Borussia, fiquei me perguntando: em 2014, teremos mesmo uma Copa no Brasil? Terá o nosso querido Arrudão condições de sediar um jogo do Mundial?
Acho difícil, até por razões políticas. Blatter não gostaria de inflar a influência de Ricardo Teixeira na FIFA. Ademais, falta-nos a infra-estrutura básica: rede hoteleira eficiente, transporte público de qualidade (em Dortmund, como em todas as cidades, o metrô para na porta do estádio e possui boa interligação com o ônibus e o bonde), etc. Nos sobra apenas capacidade de fazer festa (na Alemanha, mesmo em dia de jogo, as cervejarias estão fechando às 22h30!).
Todavia, o mais grave são os estádios. Hoje, apenas em sonho imagino um Arruda com acesso facilitado para o torcedor, inclusive deficiente físico; restaurantes de qualidade em seu entorno; cadeiras confortáveis em todo estádio; banheiros decentes e um placar eletrônico. Teria nossa torcida condições de bancar e, sobretudo, manter tudo isso? E as diretorias que se revezam no clube teriam condições morais de captar recursos para tais investimentos?
Mas se sonhar não custa nada, já imagino o ponta-pé inicial da seleção brasileira no Colosso, comemorando em grande estilo nosso centenário e matando de inveja os torcedores da coisa, cujo chiqueiro já foi praça do longínquo e de má memória Mundial de 1950. Talvez seja a missão histórica do Santinha exorcizar este passado!
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