Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 7 de agosto de 2006

Cachaça, futebol e um empate na raça, na terra do pão de queijo

Por João Henrique, enviado especial do Blog do Santinha a Belo Horizonte

Ressaca é tudo aquilo que é foda de viver depois de uma cachaça.

Cheguei no Recife hoje, depois de um final de semana de álcool e futebol na terra do pão de queijo.

Vamos ao que interessa: o jogo Cruzeiro de Bichadas e Regatas 3 x 3 Santa Cruz Futebol Clube.

Primeiro, vale informar que a torcida da raposa é a barbie mineira. É o pó-de-arroz. Escutei que há uma lenda em Belo Horizonte que diz que se o jogador não der certo no Cruzeiro é porque não se adaptou à meia-calça.

Um taxista me falou que “a torcida atleticana é mais romântica. Não liga tanto se o time vai mal, mas quer ver o galo jogando. Já o cruzeirense é chato, metido e afrescalhado.”

Acho que o Cruzeiro é uma mistura da coisa com a barbie. Só que 5 estrelas.

O nervosismo tava grande na manhã de domingo. Eu sozinho pra ir pro jogo, numa ressaca do além. Cheguei no Mineirão com 3 horas de antecedência, crente que iria ter um mar de gente. Qual o quê! Portões ainda fechados e alguns gatos-pingados de azul.

Tratei imediatamente de comprar o ingresso a 13 conto na bilheteria sem fila e fui pra a frente do portão indicado, que abriu 2 horas antes do match.

Vestido com uma camisa neutra e outra devidamente tricolor guardada não interessa onde, falei baixinho com o cara da catraca, pra ninguém ouvir:

“Amigo, aonde vai ficar a torcida adversária?”

O cara olhou pra mim naquela calma de mineiro em dia de domingo, me analisou demoradamente e falou com toda a carga dos dois pulmões:

“Aaaa… você é Santa Cruz???”

A galera do Cruzeiro que passava na hora olhou de cara feia, mas o cara continuou.

“Conheço o Recife, sô! Ainda tá aquele poblema de tubarão?”

Este senhor que eu não lembro o nome fez questão de me levar até a parte reservada para a massa tricolor. Era um cantinho quase no mesmo nível do gramado, perto de uma das barras (a que o Santa atacou no segundo tempo). Ou seja, ruim de ver o jogo pra cacete.

O Mineirão sofreu uma reforma há um tempo e agora tá cheio de cadeira em todo lugar, o que deixa o estádio mais organizado e menos simpático. Porra, só tem setor de cadeiras!

É emocionante entrar num estádio que você nunca foi, mas o melhor mesmo é encontrar os torcedores do Santa e falar com eles como se fossem velhos amigos.

Eduardo é um menino de seus 12 anos. Um cara arretado, que não perdeu a esperança em nenhum momento do jogo. Ele e o pai, dois tricolores viciados, moram em uma cidade do interior de Pernambuco que ficou no meu sub-consciente. Estavam viajando pelo interior de São Paulo e resolveram mudar o itinerário pra ver o tri. Foi com Eduardo que eu conversei durante a partida. Um malinha esperto, cheio de gíria, que sabe a escalação na ponta da língua.

Outro ilustre torcedor é Seu Antônio, um caminhoneiro que vive cortando as estradas do Brasil. Mostrava a camisa todo orgulhoso e disse:

“Tava passando mesminho por Minas. Tu acha que eu ia perder essa? Claro que não!”

Outros eram pernambucanos que moravam em BH, outros torciam pelo Atlético Mineiro. O galerão do Santa dava umas 20 pessoas.

Como quem assitiu à partida pela TV viu mais do que quem estava no campo, o que interessa é mesmo a vibração no gol de empate. Todo mundo enlouqueceu quando Osmar acertou aquele foguete abençoado. No mineirão não se ouvia mais nada. Somente 20 almas lavadas, que tinham em comum o encarnado, preto e branco estampados no coração.

E tome farra!

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Com sabor de vitória

Primeiro foi o Goiás, mas o jogo era em casa e vencer, uma obrigação. Depois foi o Fortaleza, lá no Ceará. O Santinha venceu fora, mas disseram que foi contra um time nordestino, sem o peso da camisa dos times do Sul Maravilha. Aí veio o Flamengo com o time reserva. Antes do jogo contra o Corínthians, os cronistas esportivos diziam que seria o teste-de-fogo, depois teve gente que disse que vencer o lanterna era fácil e que a prova-dos-nove seria contra um time tradicional e jogando fora-de-casa.

Pronto, agora não resta mais dúvidas: a reação tricolor não é tang de laranja. É verdadeira, material de primeira.

O time começou assustado. Com meia hora, os tricolores que se espalharam nos bares do Recife na noite de domingo - vale uma crônica esse hábito de encher a cara quando o pessoal da Segundona já está de pijamas -já estavam resignados com a inevitável derrota. O gol contra e espírita no final do primeiro tempo foi um alento. Depois, a resignação ameaçou voltar, mas não durou nem um minuto.

O Santinha controlou o jogo no segundo tempo, os jogadores foram mais tricolores do que muito de nós, torcedores: não deixaram de acreditar um só minuto. Caímos na tabela, mas isso é circunstancial: o empate de ontem valeu mais do que muitas vitórias.

P.S 1 - Aguardamos fotos de Róbson Senna e crônica do senhor João Henrique, que viajou para Belo Horizonte com os objetivos de se embriagar com aguardente e ir ao jogo. Logrou duplo êxito.

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